Camilo D’Ornellas

Públicos e Multidões, reflexões e análises nos eventos

Na gestão de crises, teoria e prática só se encontram quando as pessoas estão preparadas para cooperar, decidir e agir com clareza — porque experiência não é o que você adquire, mas o que você transforma em ação eficaz.Camilo D’Ornellas

Executivo e Gestor de Segurança | Analista de Riscos | Gerenciamento de Crises em Eventos, Arenas e Festivais de Música

Com mais de 30 anos de experiência em segurança e gestão de riscos, Camilo D'Ornellas se especializa na coordenação de segurança para eventos de alta complexidade e magnitude. Formado em Direito, com pós-graduação em Direito Penal, Criminologia e Metodologia do Ensino Superior, Camilo é mestre em Governança e Estratégia Marítima pela Escola de Guerra Naval (EGN) e possui MBA em Gestão de Projetos pela FGV.

Camilo também se destaca como especialista em Cibersegurança e Crimes Transnacionais, com certificação pela National Defense University (NDU-USA), além de ter cursado o ERSM - Enterprise Risk Security Management.

Foi responsável pela segurança de eventos de renome internacional, como o Rock in Rio e a segurança da turnê histórica de Lady Gaga no Rio de Janeiro. Sua experiência inclui a gestão de segurança no Bank of New York e no Complexo Maracanã, além de atuar como consultor e instrutor nas áreas de segurança e gerenciamento de crises.

Membro das associações ABRAPE, APRESENTA, ABSEG e ASIS, Camilo continua a ser uma referência em segurança de grandes eventos, oferecendo soluções estratégicas e inovadoras para a proteção de pessoas e ativos em ambientes desafiadores.

Colunas

Gestão de Públicos e Multidões

Gestão de Públicos e Multiões

A discussão sobre a concentração do público diante do Palco Mundo, durante o dia de K-pop do Rock in Rio, não deve ser reduzida à frase emitida pelo sistema de som, ao pedido de recuo ou à reação dos fãs. O episódio exige uma análise mais profunda, especialmente porque a gestão de multidões precisa começar pelo estudo do público que estará diante da operação. A pergunta central é: Como conduzir uma multidão se não compreendemos quem são as pessoas que a compõem, quais são suas motivações e o que aquele espaço representa para elas?

Quando o clima deixa de ser variável externa e passa a ser risco operacional

Eventos, feiras, festivais, parques temporários, ativações turísticas e grandes encontros ao ar livre dependem de uma equação sensível: público, infraestrutura, mobilidade, segurança, fornecedores, comunicação e tomada de decisão em tempo real. Nesse contexto, o El Niño não deve ser tratado apenas como um fenômeno meteorológico distante, mas como um multiplicador de risco operacional capaz de alterar cenários de calor, chuva, vento, alagamento, abastecimento, saúde e comportamento de multidões. O El Niño é a fase quente do ciclo conhecido como ENSO, ou Oscilação Sul–El Niño, um padrão climático natural do Pacífico tropical que modifica temperaturas oceânicas, ventos e padrões de chuva, gerando efeitos em cascata em diferentes regiões do planeta. Segundo a NOAA, os episódios de El Niño e La Niña costumam durar de nove a doze meses, embora possam se prolongar, e ocorrem de forma irregular, em média, a cada dois a sete

Segurança em Eventos

O evento ficou mais sofisticado, o risco se tornou mais complexo e o nível de cobrança aumentou. O que, em muitos casos, ainda permaneceu no passado foi a forma de enxergar e tratar o profissional de segurança. Ainda há quem o reduza à figura daquele que apenas impede entradas indevidas ou controla acessos, sem reconhecer que sua verdadeira função vai muito além disso: prevenir, antecipar riscos, interpretar cenários, tomar decisões corretas sob pressão e, em muitas situações, gerenciar crises. Neste artigo, proponho uma reflexão necessária e profunda sobre uma realidade que o setor conhece, mas que raramente enfrenta com a seriedade e a honestidade que o tema exige.
Comportamento de Públicos e Multidões

Métodos prospectivos e a futurologia sobre o comportamento das pessoas

Este artigo analisa a gestão da segurança a partir das transformações recentes no comportamento social e urbano, examinando de que forma essas mudanças impactam a segurança pública e privada, especialmente em eventos de alta complexidade e magnitude. Parte-se do entendimento de que a segurança não pode mais ser concebida apenas como resposta reativa a incidentes, mas como um sistema integrado às dinâmicas comportamentais, ao uso do espaço urbano e à construção simbólica das experiências coletivas. A partir da análise da mudança nos padrões de socialização, com destaque para a redução do consumo de álcool e a reorganização do tempo social, o texto discute como o risco se desloca e assume novas formas. Por fim, o artigo incorpora uma abordagem prospectiva, apontando a necessidade de métodos estruturados de análise de cenários para antecipar tendências e apoiar processos decisórios mais consistentes na gestão da segurança contemporânea.
Segurança Eventos e Comportamento

Incêndios e a segurança sob a lógica do simulado ou do simulacro

Incêndios com aglomeração não são “fatalidades”. São testes brutais de projeto, gestão e treinamento que revelam, em minutos, o que já estava errado há meses ou anos, como rotas de fuga que existem no papel, sinalização que não orienta sob fumaça, equipes treinadas apenas em cenário controlado e um sistema que confunde vistoria com segurança. Neste artigo, apresento os pontos críticos que precisam ser corrigidos e o que deve ser feito, na prática, para que uma crise de incêndio não vire tragédia anunciada.
Gestão de Públicos e Multidões

Entre a arquibancada e a poltrona: a batalha cultural que divide o Maracanã

Dez anos após a Copa do Mundo, o “modelo FIFA” ruiu, e o Maracanã voltou a ser palco de um conflito que nunca foi sobre cadeiras — mas sobre cultura, identidade e quem define a experiência do futebol no Brasil. O artigo mostra como a tentativa de padronizar comportamento com normas internacionais ignorou a lógica emocional e coletiva que sempre moldou o torcedor brasileiro. O debate atual sobre torcer em pé revela uma disputa maior: entre o torcedor e o espectador, entre a tradição e a governança, entre a emoção das arquibancadas e a racionalização dos estádios modernos. A conclusão é clara: não existe segurança real sem compreensão comportamental, diálogo e construção cultural. A arquibancada sabe quem é — e chegou a hora de ouvi-la antes de tentar controlá-la.
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