Nova proposta para medir a sustentabilidade do turismo

Os pesquisadores de Economia Juan Ignacio Pulido Fernandez e Marcelino Sanchez Rivero, respectivamente das Universidades de Jaén e de Extremadura na Espanha, publicaram em 2009 um artigo na renomada revista acadêmica Tourism Economics sobre a mensuração da sustentabilidade do turismo, propondo a criação de um novo método chamado índice ST (abreviação em espanhol para “sustentabilidade turística”). Embora o artigo já tenha 11 anos, vamos utilizar o tempo presente, pois ele permanece atual.

Os pesquisadores de Economia Juan Ignacio Pulido Fernandez e Marcelino Sanchez Rivero, respectivamente das Universidades de Jaén e de Extremadura na Espanha, publicaram em 2009 um artigo na renomada revista acadêmica Tourism Economics sobre a mensuração da sustentabilidade do turismo, propondo a criação de um novo método chamado índice ST (abreviação em espanhol para “sustentabilidade turística”). Embora o artigo já tenha 11 anos, vamos utilizar o tempo presente, pois ele permanece atual.

Segundo os autores, a sustentabilidade do turismo é um conceito bastante complexo devido à sua natureza multidimensional, relativa e latente. Multidimensional pois, por definição, a sustentabilidade sempre abrange o tripé econômico, social e ambiental, além do institucional ou político. Relativa, pois tudo depende do referencial utilizado e da realidade do destino turístico. Latente, pois existe um intervalo variável entre a prática das ações e a observação de seus efeitos concretos.

O método proposto por eles foi baseado na chamada análise fatorial, uma técnica da estatística com atribuição de pesos (ou “cargas fatoriais”) para se obter determinado resultado, construindo assim um índice global para se medir a sustentabilidade do turismo.

Por exemplo, através da análise fatorial pode-se determinar que a aptidão prevista de um aluno médio para a astronomia é de {10 × a inteligência verbal do aluno} + {6 × a inteligência matemática do aluno}. Nesse caso, os números 10 e 6 seriam as cargas fatoriais associadas à astronomia.

Para justificar a criação desse novo método, os autores alegam que desde a elaboração do conceito de desenvolvimento sustentável pela ONU no final dos anos 1980, foram propostos e colocados em prática um grande número de projetos, ferramentas e modelos de gestão. Porém, o processo está longe de atingir o estágio em que as mudanças possam ser implementadas no modelo vigente de desenvolvimento econômico. Consequentemente, as principais causas de insustentabilidade ainda permanecem, embora alguns de seus sintomas tenham sido tratados. Nem a real necessidade de ação firme sobre esses problemas foram aceitos por instituições governamentais, pelo mundo dos negócios, ou mesmo por indivíduos.

A aprovação dos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio no ano 2000, seguida pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em 2015 demonstraram a necessidade de indicadores que permitissem supervisionar o progresso em direção a esses objetivos, individual e coletivamente.

No turismo, o progresso em direção à sustentabilidade parece ser ainda mais lento, além do que houve um início tardio na aplicação de modelos de monitoramento. Não existe também um modelo de sistemas de indicadores específicos para o turismo, o que obriga a se utilizar modelos existentes projetados para o desenvolvimento sustentável em geral.

WTTC e ESI versus índice ST

As duas propostas mais aceitas de índices compostos no turismo ou em pesquisa de desenvolvimento sustentável são o monitor da competitividade do turismo do WTTC (Conselho Mundial de Viagens e Turismo) e o índice de sustentabilidade do meio ambiente (ESI) do Fórum Econômico Mundial. Ambos têm ganhado aceitação mundial.

Após explicar matematicamente os 3 métodos, os autores fazem um comparativo a partir do sistema espanhol de turismo ambiental, com 27 indicadores para 17 regiões diferentes. Os resultados não demonstraram diferenças significativas no uso dos métodos para se obter índices compostos de sustentabilidade do turismo. Porém, o novo método proposto confirmou a importância de se ponderar os diferentes indicadores que compõem um índice assim. O uso de pesos diferentes garante que o índice cumpra seu principal objetivo de classificar a sustentabilidade no turismo, para que o progresso dos destinos possa ser determinado e comparado. Esse ranking incentiva destinos a fazerem suas próprias escolhas em relação à sustentabilidade, definindo políticas e estabelecendo programas de apoio com metas bem definidas e procedimentos de monitoramento. Além disso, os tomadores de decisão envolvidos terão mais informações com as quais avaliar o desempenho desses programas.

No entanto, os autores deixam claro que ainda existem 4 questões não resolvidas:

1 - o método pressupõe a disponibilidade de dados para todos os indicadores e destinos turísticos analisados, quando em muitas ocasiões, no entanto, esse não é o caso;

2 - seria desejável aplicar o método a diferentes destinos turísticos destinos;

3 - o índice ST é um índice composto estático porque fornece um instantâneo da sustentabilidade do turismo referindo-se a um único período de tempo;

4 - há a questão sempre problemática das fontes de informações das quais o índice composto depende.

Em suma, o estudo demonstrou a validade da proposta de método e que seus resultados têm maior consistência do que aqueles que foram obtidos usando dois outros métodos que têm aceitação mundial. Em um futuro trabalho, o objetivo é enfrentar os desafios observados para se obter uma classificação mais consistente da sustentabilidade do turismo para todos os destinos turístico a serem analisados.