Pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil acaba de alçar nova posição, no ranking dos países que mais recebem eventos internacionais no mundo, aferido pela ICCA - International Congress & Convention Association - entidade que acolhe entre seus associados os principais destinos de turismo de eventos no mundo. Com 254 eventos realizados em 2008, o Brasil subiu uma posição e ocupa agora a 7ª colocação, atrás da Itália (com 296 eventos), na frente do Japão (247 eventos) e do Canadá (231 eventos). Isso quer dizer que a cada dia e meio temos aqui um evento internacional. Outra informação importante é que São Paulo trocou a 23ª pela 12ª posição no ranking das cidades no mundo com maior número de eventos: em 2008 catalogou 75 deles. Aliás, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Foz do Iguaçu e Salvador são outras das nossas 42 cidades listadas entre os destinos que mais recebem eventos internacionais.
O ranking da ICCA cresce de importância devido às rígidas normas estabelecidas para catalogar os eventos informados pelos países associados. Os Estados Unidos, com 507 eventos é o primeiro da lista, seguido pela Alemanha, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Brasil, Japão, Canadá e Holanda. Tais informações, que têm a ver com a importância do segmento de eventos e negócios para o turismo, foram divulgadas durante o 9º Fórum Mundial de Turismo do WTTC, realizado em Florianópolis na semana passada e que trouxe ao Brasil os 100 maiores executivos de negócios de viagens do mundo. Contou ainda com um total de 800 participantes numa cimeira que, pela primeira vez, teve como cenário um país da América Latina.
Pois bem, à exceção de registro salpicado aqui e acolá em veículos da grande imprensa, uma matéria numa emissora de televisão gerada a partir de Florianópolis, um texto curto, com foto, numa revista semanal, além de noticiário dando conta da presença do presidente Lula, na abertura oficial do Fórum, pouco ou quase nada foi divulgado - à exceção, obviamente, da chamada imprensa especializada, dirigida a um outro tipo de público. Essa omissão ganha vulto se levarmos em conta que o WTTC investiu significativas importâncias na promoção do evento em todo o mundo e para cá trouxe, como convidados, jornalistas e profissionais da imprensa internacional. A organização desse encontro consumiu igualmente uma soma expressiva de recursos públicos, o que é normal tratando-se de reunião desse porte. O 9º Fórum levou ao Costão do Santinho o CEO do WTTC, Jean-Claude Baumgarten, e o secretário-geral da Organização Mundial do Turismo, Taleb Rifai, entre outras figuras de ponta do setor.
Os exemplos não param. O secretário-geral da OMT chegou ao Brasil procedente de outro importante evento realizado na cidade de Mendonza, na Argentina, no qual apenas dois brasileiros foram convidados pela Organização a participarem nos painéis como debatedores. Outra vez algo que encorpa o valor do turismo nacional deixou de receber atenção e ser valorizado pela nossa imprensa. Fato curioso é que alguns veículos da mídia internacional chegaram a publicar extensas matérias tratando da reunião em Santa Catarina. Na prática, deram uma visibilidade para o turismo brasileiro que o nosso mercado interno praticamente ignorou.
Ao prestigiar o Fórum WTTC o presidente Luiz Ignácio Lula da Silva reafirmou que o turismo é prioridade para o Brasil, reconheceu a importância do setor tanto para atrair investimentos como gerador de empregos, renda, desenvolvimento cultural e econômico. Concordou, portanto, com a receita do secretário-geral da OMT, Taleb Rifai, numa de suas intervenções: "deveríamos discutir como vamos preparar o amanhã. E não como voltar para o ontem."
Eventos dessa natureza, no meu entender, projetam o turismo brasileiro e poderiam ser alvo de maior atenção da grande mídia, que tem o poder de registrar números e feitos a cada dia mais significativos no segmento de viagens. Seria bom informar à massa da população o que acontece nesse mercado que, em última análise, gera oportunidades de emprego, desenvolvimento social e econômico. Basta dizer que, dos 898 milhões de pessoas que viajam por ano em todo o mundo, cerca de 5,5 milhões têm como destino o Brasil, o que corresponde a 0,5% do volume total. E desse grupo, 35% vêm participar de eventos no ramo de turismo de negócios, que é o mais rentável. Portanto, romper a barreira dos 6 milhões de visitantes estrangeiros continua a ser nosso desafio.
Em toda parte do mundo o turismo gera riqueza. Emprega 230 milhões de pessoas, o que corresponde a 8,3% do total de postos de trabalho e um impacto direto de aproximadamente 10% do PIB mundial. Trocando em miúdos, quer dizer que uma, em cada grupo de 12 pessoas, trabalha no ramo.
Não consigo entender como, diante de um cenário tão favorável como esse, os veículos de comunicação deixam de voltar seus olhares para as múltiplas competências que o turismo abraça. A intervenção pública e privada é cada dia mais profissional, distanciada de amadorismos, voltada para confirmar o diagnóstico do WTTC, que aponta o Brasil como a 14ª economia de turismo do mundo, com tendência de crescimento rápido e estável a curto e médio prazos, à razão de 5,3% até 2017, portanto, um país potencialmente emergente
É um cenário promissor o mercado de turismo brasileiro. Todavia, como ensina o professor Paulo Nassar, doutor em comunicação corporativa, comunicação e relacionamento são pressupostos para competir nos negócios. Saber se comunicar é um grande diferencial num mercado onde a boa reputação corresponde a um alinhamento de identidade e imagem corporativa. O que é publicado pela imprensa interfere no dia a dia das organizações, influencia no valor do negócio, agrega ou reduz valor à sua imagem e reputação - ensina. Eis alguns bons itens de reflexão para os gestores do turismo visando quebrar a indiferença dos grandes veículos da imprensa brasileira.
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* João Luiz dos Santos Moreira é economista, presidente da Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux (CBC&VB).

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