Turismo étnico pela primeira vez no nordeste

A Bahia, cuja capital Salvador tem quase 80% por cento da população afro-descendente, é o primeiro Estado brasileiro a estruturar o segmento do turismo étnico. A informação foi prestada pela Ministra Marta Suplicy durante audiência pública promovida pela Comissão de Turismo e Desporto, a pedido da deputada Lídice da Mata,no último dia 15 de maio.
 
Segundo o secretário de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli, o projeto de turismo étnico foi apresentado no ano passado ao Ministério do Turismo por iniciativa do Governador Jaques Wagner e da Secretaria de Turismo. "Nossa intenção é tornar o Estado mais atraente para os turistas afrodescendentes norte-americanos, um público interessado em reatar suas raízes com a África", disse.

Além do secretário Leonelli e da ministra do Turismo, Marta Suplicy, também participaram da audiência Alexandro Reis, subsecretário de Comunidades Tradicionais da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Antonio Pompeu, diretor de Promoção de Estudos da Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura, João Bosco Borba, presidente da Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros e Núbia Macedo, diretora do Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasilia. Segundo dados apresentados por João Bosco Borba, os afro-americanos respondem atualmente por cerca de 12% do PIB dos Estados Unidos, embora, representem aproximadamente 13% da população do país, o que indica condições favoráveis para o desenvolvimento do turismo étnico, principalmente entre os afro-americanos, que querem buscar sua identidade.

O projeto foi lançado durante a festa da Irmandade da Boa Morte, principal manifestação cultural da cidade de Cachoeira, a 110 km de Salvador e que todo ano recebe um grande número de turistas afro-americanos. Na capital, bairros como Curuzu, Liberdade, Pelourinho, Engenho Velho da Federação e Itapuã fazem parte do corredor turístico.
De acordo com o coordenador da Secretaria de Turismo da Bahia, Billy Arquimimo, o projeto tem como meta não só aumentar o fluxo de turistas afro-americanos no estado como desenvolver a economia local com a atração de um maior número de investidores. "A criação de novos negócios tem como consequência o aumento de número de empregos, o que desenvolve nossa economia e promove a inclusão social", disse Arquimimo.

Para incrementar essa modalidade de turismo, o secretário Leonelli disse que é preciso aumentar o número de vôos dos EUA para a Bahia. A ministra Marta Suplicy informou que o Ministério já está negociando com algumas companhias aéreas e que durante sua visita ao Brasil, a secretária norte-americana Condolleza Rice se comprometeu em ajudar para viabilizar um maior número de vôos entre os Estados Unidos e a Bahia. (VB)