Turismo de negócios como economia criativa, segundo Rubens Ricupero

O Ministro Rubens Ricupero acaba de realizar a Palestra Magna do Seminário Eventos 2007. Com o tema “Um novo cenário internacional para a indústria de Eventos”, o experiente Diplomata compartilhou sua experiência sobre o mercado de eventos, que segundo ele está constituído em um novo ramo da economia, o da economia criativa.

Segundo Ricupero, “a economia criativa é um ramo da economia que não depende dos fatores tradicionais de produção e sim da criatividade do ser humano, englobando as indústrias culturais e de entretenimento, com forte ligação com as artes.” Um ramo que, por estar baseado na capacidade de criar e da contratação de talentos individuais oferece grandiosas perspectivas para a geração de empregos e tem capacidade de crescimento quase que ilimitada.

O ex-ministro prosseguiu comentando que esse setor ocupa lugar de destaque, figurando em primeiro lugar no Reino Unido e segundo nos Estados Unidos, na economia dos países desenvolvidos. A indústria de eventos está inserida nessa atividade e portanto, “mesmo nos tempos mais difíceis é um dos ramos que mais cresce”.

O crescimento da Índia e da China, de acordo com Ricupero, representa uma boa oportunidade para o setor, já que os dois países podem ser encarados como grandes mercados excedentes de turismo e sua sociedade se comporta, em sua maioria, seguindo os modos da classe média, que possui grande desejo de viajar.

Por outro lado, o diplomata alerta para a condição ainda tardia em que o país se encontra para receber eventos de porte internacional, “Estamos muito atrasados em relação a eventos de porte internacional, quando comparados a outros países”. “Nossas instalações são muito modestas em comparação ao nível mundial”, completou Ricupero.

Como exemplo, o palestrante utilizou a Conferência UNCTAD, das Nações Unidas, para ilustrar as dificuldades, “quando estava me aposentando queria muito realizar a conferência no Brasil. Primeiramente imaginei que o local ideal fosse o Rio de Janeiro por ter um atrativo a estrangeiros, mas percebi que o único local que podia receber o evento era o Anhembi em São Paulo, que teve que ser quase que completamente reformada para receber o evento”.

O presidente da Ubrafe, Jorge Alves Souza, acrescentou ao comentário dizendo que 80% da estrutura montada no Anhembi para receber a Conferência foi derrubada após o evento. Fato que espelha a seca de investimentos sustentáveis no Brasil.

“Nós não temos a compreensão dessa necessidade (infra-estrutura e investimentos gigantescos para centros de convenções). Ainda estamos muito atrás”, completou o ex-ministro, que prosseguiu, “Temos que perceber que turismo é business”.

Usando o exemplo de países árabes, Ricupero comentou que é triste para o Brasil saber que existem muitos lugares que começaram depois e hoje, já estão em condição melhor graças a investimentos na área do turismo, “os árabes estão investindo para se transformar em centros de turismo e de convenções ou centros de serviços”. Outro exemplo utilizado foi o de Genebra, cidade onde Ricupero morou por mais de 20 anos, “lá não existe alta ou baixa estação devido à alta demanda por eventos”.

Para concluir, o diplomata revelou, “a lição a ser tirada é de que é preciso fazer planejamento. Para o país se qualificar nessa área, é preciso uma ação integrada, com administração privada garantindo uma gestão rentável”. A promessa de Ricupero é de enorme crescimento no setor. Deixando os presentes com um bom conselho, “talvez a Academia Brasileira de Eventos possa tentar organizar um esforço conjunto para termos infra-estrutura e estrutura qualificada e principalmente uma mudança de mentalidade, o que é fundamental”.

Nascido em São Paulo, Rubens Ricupero é jurista formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Diplomata de carreira, Ricupero teve proeminente atividade como economista, com destaque para sua nomeação para Ministro da Fazenda, durante o período de implantação do Plano Real.

Em sua carreira, Rubens Ricupero ocupou as funções de assessor internacional do presidente eleito Tancredo Neves (1984/1985); assessor especial do Presidente da República (governo José Sarney) (1985/1987); representante permanente do Brasil junto aos órgãos da ONU sediados em Genebra (1987-1991); embaixador nos Estados Unidos (1991-1993) e embaixador do Brasil em Roma 1995).

Eleito secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) (mandatos de 1995 a 1999 e de 1999 a 2004) e  subsecretário geral da ONU no mesmo período, deixou o cargo em setembro de 2004, quando se aposentou como diplomata.

Atualmente é diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado, e presidente do Instituto Ferdinand Braudel, que promove pesquisas, debates e publicações sobre problemas institucionais como educação e segurança, política econômica, política energética, desenvolvimento econômico e relações internacionais.