Sustentabilidade deixa de ser diferencial para integrar estratégia dos eventos

Debates sobre ESG, economia circular e certificações mostram que mercado já começa a tratar sustentabilidade como critério competitivo e exigência de clientes
Fórum Eventos 2026 Como ESG, economia circular, governança e responsabilidade social estão impactando toda a cadeia de eventos

A sustentabilidade no setor de eventos deixou de ser um discurso institucional para ocupar espaço nas decisões estratégicas e financeiras das empresas. Essa foi uma das principais reflexões do painel 4 do Fórum Eventos 2026, realizado em São Paulo, que reuniu especialistas para discutir os impactos das práticas ESG na cadeia de eventos.

Com o tema “Sustentabilidade como Prioridade Estratégica e Financeira (ESG)”, o painel contou com a participação de Daniel Costa, Paulo Passos e Rose Nogueira. O debate trouxe à tona temas como redução de resíduos, eficiência energética, responsabilidade social, certificações e a crescente pressão do mercado por práticas sustentáveis.

Para Daniel Costa, conselheiro e curador ESG em Eventos e também coordenador ABNT/ISO 20121, ainda existe um desafio importante de conscientização dentro das empresas. Segundo ele, sustentabilidade não deve ser vista como custo, mas como consequência de planejamento eficiente. “Tudo que é mal planejado vira custo. A sustentabilidade pode começar pequena, criando cultura e direcionamento dentro da empresa. Aos poucos, vai ganhando força e também orçamento”, afirmou durante o painel.

O executivo também destacou que o setor vive uma mudança de mentalidade em relação ao valor das organizações. “Hoje, o valor de uma empresa não está apenas no balanço financeiro, mas no rastro que ela deixa no mundo”, disse.

Outro ponto debatido foi a necessidade de o setor enxergar o ESG de forma integrada, indo além da pauta ambiental. Para Paulo Passos, diretor executivo da Abrace (Associação Brasileira de Cenografia e Estandes), consultor e embaixador da MPI Brasil, o aspecto social ainda precisa avançar na cadeia produtiva dos eventos.

O ESG pode agradar ou não, mas quem não incorporar esses conceitos vai perder mercado”, afirmou. Ele citou exemplos práticos de economia circular e redução de impacto ambiental em feiras de negócios, como a diminuição da altura máxima dos estandes para reduzir a geração de resíduos.

Passos também chamou atenção para questões trabalhistas e operacionais do setor. “A construção de eventos ainda é muito artesanal. Precisamos discutir o social com mais profundidade, porque onde existe problema também existe oportunidade de transformação”, destacou.

Na visão de Rose Nogueira, CEO da Update Business Consulting ESG, a governança e a responsabilidade social precisam entrar definitivamente na engenharia de custos e na relação entre fornecedores, organizadores e clientes. A especialista ressaltou que práticas sustentáveis ajudam a tornar as empresas mais competitivas e protegem a reputação das marcas. “Uma empresa não pode correr o risco de ter sua reputação afetada por fornecedores que não estejam alinhados às boas práticas”, afirmou.

Durante o debate, os especialistas também abordaram o avanço das normas técnicas voltadas ao setor de eventos. Daniel Costa comentou a revisão das normas ISO e destacou que o movimento internacional busca reunir as normas de sustentabilidade do setor de eventos sob um mesmo guarda-chuva.

Já Paulo Passos lembrou que o setor também avança na criação de normas brasileiras específicas para eventos e feiras de negócios, incluindo parâmetros técnicos para montagem, segurança e operação.

Outro aspecto destacado foi o aumento da exigência de certificações por parte de clientes corporativos. Segundo os participantes, cada vez mais empresas têm solicitado comprovações de práticas ESG e auditorias em fornecedores antes da contratação.

Para Rose Nogueira, sustentabilidade e ESG ainda são conceitos confundidos pelo mercado, embora tenham diferenças importantes na prática empresarial. “Sustentabilidade é o negócio percorrer todas as áreas e entender onde pode melhorar sem deixar um lastro de destruição. É olhar para infraestrutura, pessoas, resíduos e toda a operação, da construção ao pós-evento”, afirmou.

Segundo ela, o ESG amplia essa visão ao incorporar gestão de riscos e governança. “O ESG olha para como o negócio afeta as pessoas e também para como ele pode ser afetado. É uma visão de impacto e de risco sobre toda a cadeia”, completou.

O Fórum Eventos 2026 segue até o dia 12 de maio, no Villa Blue Tree, reunindo profissionais e empresas do setor para debater tendências, inovação e os desafios da indústria de eventos. Mais informações podem ser acessadas em Fórum Eventos.