O setor de eventos de cultura e entretenimento registrou uma desaceleração na geração de empregos formais ao longo do primeiro semestre de 2026, após o forte ciclo de expansão observado nos anos que sucederam a pandemia. Dados do Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), elaborado com base em informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Receita Federal, mostram que o core business do setor gerou 4.150 empregos formais entre janeiro e junho, resultado inferior ao saldo de 12.931 vagas registrado no mesmo período de 2025.
O desempenho ocorre em um contexto de acomodação do mercado de trabalho e de mudanças no ambiente econômico enfrentado pelas empresas do setor, após o encerramento do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE), que contribuiu para a recuperação financeira e operacional da cadeia produtiva nos últimos anos.
Apesar do ritmo mais moderado no acumulado do ano, junho apresentou um sinal de recuperação. O setor registrou saldo positivo de 1.942 empregos formais no mês, revertendo os resultados negativos observados em abril e maio, quando houve fechamento líquido de postos de trabalho.
A comparação evidencia uma mudança de ciclo em relação aos últimos anos. Entre os segmentos que compõem o núcleo da atividade, a organização de eventos segue sendo o principal destaque, com saldo superior a 4 mil empregos gerados no acumulado de 2026. Por outro lado, atividades ligadas à recreação e lazer e ao patrimônio cultural e ambiental apresentaram saldo negativo no período.
O core business abrange atividades como organização de eventos, atividades artísticas e culturais, espetáculos, recreação e lazer e a produção e promoção de eventos esportivos.
Pandemia
Mesmo com a desaceleração observada em 2026, o estoque de empregos (total de vagas disponíveis em um mercado de trabalho) segue em nível historicamente elevado. Em junho, o setor contabilizou 208,1 mil empregos formais, volume 86,8% superior ao registrado em 2019, o equivalente a quase 97 mil postos de trabalho adicionais em relação ao período pré-pandemia.
Todos os segmentos do core business permanecem acima dos níveis de 2019. O maior avanço continua sendo observado nas atividades de organização de eventos, que apresentam estoque de empregos 153,5% superior ao período pré-pandemia.
O impacto também continua sendo percebido no chamado hub setorial, que reúne atividades como hospedagem, alimentação, publicidade, infraestrutura para eventos, segurança privada e serviços gerais. Em junho, esse ecossistema acumulava 4,36 milhões de empregos formais, volume 26,5% superior ao registrado em 2019.
Consumo Enquanto o mercado de trabalho avança em ritmo mais moderado, os indicadores de consumo continuam apresentando crescimento. A estimativa ligada às atividades de recreação atingiu R$ 76,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior valor da série histórica para janeiro a junho. Somente em junho, a movimentação alcançou R$ 12,6 bilhões.
A projeção é calculada pela ABRAPE com base no peso do item Recreação no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, combinado à massa de rendimento real dos trabalhadores medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
"Os dados mostram que a demanda por lazer, entretenimento e experiências presenciais permanece forte. O desafio agora é transformar esse movimento em um ambiente de maior previsibilidade para investimentos, permitindo que a cadeia produtiva continue gerando oportunidades e ampliando sua contribuição para a economia brasileira", salienta Doreni Caramori Júnior, empresário e presidente da ABRAPE.
O Radar Econômico acompanha mensalmente indicadores de consumo, emprego e atividade econômica, oferecendo uma visão contínua sobre a evolução do setor de eventos e seus impactos sobre turismo, serviços e geração de renda no país.
Acesse o estudo completo neste link.
Sobre a ABRAPE
Criada em 1992 com o propósito de promover o desenvolvimento e a valorização das empresas produtoras e promotoras de eventos culturais e de entretenimento no Brasil, a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos - ABRAPE, tem, atualmente, mais de 850 associados, sediados em todos os Estados da Federação, que representam o PIB dos eventos do Brasil. Foi a entidade que liderou o setor na pandemia, protagonizando a criação e a manutenção do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos PERSE: o maior programa de transação fiscal da história do Brasil e o principal Programa de desoneração fiscal após do Simples Nacional. Com importante representatividade, é referência em associativismo de classe.

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