Sergio Junqueira leva ao Festuris os números e as transformações do setor de eventos

Palestra reunirá indicadores brasileiros e internacionais, projeções até 2035 e pesquisa sobre negócios, tecnologia e experiência dos participantes

A dimensão econômica dos eventos e as mudanças no comportamento do mercado estarão no centro da palestra de Sergio Junqueira Arantes, CEO do Grupo Conecta Eventos, no Festuris, em Gramado (RS). Com o tema “A força dos eventos: o R$ 1 trilhão que movimenta o PIB e o turismo”, a apresentação acontece em 14 de novembro, às 14h, no Palco G30 — Turismo é Negócio, no Espaço RS, Pavilhão 2 do Serra Park.

A palestra combinará três perspectivas: a evolução econômica do setor brasileiro, seu impacto internacional e as prioridades das organizações que realizam eventos. Para os profissionais do turismo, os dados ajudam a identificar oportunidades de negócios e as condições necessárias para tornar os destinos mais competitivos.

A dimensão brasileira e as perspectivas até 2035

A trajetória dos três dimensionamentos econômicos nacionais revela a expansão do setor. O primeiro levantamento, referente a 2001/2002, registrou R$ 37 bilhões em renda anual e 3 milhões de empregos. Em 2013, o segundo apontou R$ 209,2 bilhões em faturamento e 7,5 milhões de empregos.

No III Dimensionamento, realizado pelo Sebrae e pela ABEOC Brasil, os indicadores alcançam R$ 813,5 bilhões em faturamento e 12,7 milhões de empregos diretos, terceirizados e indiretos. O universo empresarial reúne aproximadamente 300 mil empresas, cerca de 90% delas de micro e pequeno porte.

A comparação apresentada na palestra, com valores corrigidos para preços de 2024, aponta crescimento real de 355,9% no faturamento entre o primeiro e o terceiro levantamento. As projeções reunidas no material indicam faturamento de aproximadamente R$ 1,56 trilhão e 15,6 milhões de empregos em 2035.

Para os destinos turísticos, essa expansão representa demanda por hospedagem, gastronomia, transporte e espaços, além de oportunidades para fornecedores locais. Também exige planejamento para captar eventos e atender às necessidades e expectativas de organizadores e participantes.

O impacto internacional dos eventos

A dimensão global reforça a importância dessa agenda. Segundo o 2026 Global Economic Significance of Business Events Study, do Events Industry Council, com dados de 2025, os eventos de negócios geraram mais de US$ 1,3 trilhão em gastos diretos de participantes, em mais de 180 países.

Quando incluídos os efeitos indiretos e induzidos, o impacto alcança US$ 3,1 trilhões em vendas totais de negócios, US$ 1,8 trilhão de contribuição para o PIB global e 24,2 milhões de empregos sustentados no mundo.

Outro recorte apresentado, da UFI/Oxford Economics, dimensiona as feiras na América Central e na América do Sul. Os dados referentes a 2025 indicam € 8,3 bilhões em vendas totais de negócios e € 5,1 bilhões de contribuição para o PIB, considerando impactos diretos, indiretos e induzidos. Esses valores decorrem dos gastos ligados à realização e à participação nas feiras, sem contabilizar os negócios comerciais fechados ou estimulados pelos encontros.

O que as organizações buscam nos eventos

A apresentação também abordará a pesquisa Panorama de Eventos, do Mundo do Marketing, que reúne respostas de 245 participantes e oferece uma leitura das práticas e expectativas das organizações consultadas.

Os eventos corporativos aparecem na atuação de 81,2% dos respondentes, seguidos por feiras e exposições, com 66,5%, e congressos e summits, com 64,9%. Quase seis em cada dez organizações trabalham exclusivamente com eventos B2B, evidenciando a força dos encontros de negócios entre empresas.

Essa orientação aparece na avaliação dos resultados: 63,3% utilizam leads ou contatos qualificados como métrica, enquanto 47,3% acompanham o público alcançado e 46,9% medem o NPS dos participantes.

O presencial mantém sua força. Entre os formatos apontados como tendência de crescimento, 63,3% citam eventos presenciais. Experiências imersivas e interativas e eventos segmentados recebem, cada um, 52,7% das indicações.

Experiência, tecnologia e infraestrutura

A experiência do participante lidera as prioridades de investimento, mencionada por 56,7% dos respondentes, seguida por comunicação e marketing, com 51,4%, e tecnologia, com 34,3%.

Há, porém, uma distância entre interesse e adoção tecnológica: 30,6% declaram utilizar pouca ou nenhuma tecnologia, enquanto 26,9% relatam uso intenso ou integração completa.

Na infraestrutura, os principais gargalos são conectividade e wi-fi instável, apontados por 49,8%, trânsito, por 43,7%, e alimentação, por 35,1%. Já os fatores que mais influenciam a experiência, na visão dos organizadores, são a qualidade do conteúdo e da programação, com 63,3%, e o conforto físico, com 60,8%.

Os resultados trazem uma mensagem concreta para o turismo: atrair eventos depende tanto da capacidade de gerar negócios quanto da qualidade da entrega. Conteúdo, conectividade, conforto e mobilidade influenciam a experiência e a competitividade dos destinos. É essa relação entre dimensão econômica e condições de realização que Sergio Junqueira colocará em debate no Festuris.

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