Neurociência, liderança e performance: Vânia Ferrari defende que o futuro das carreiras passa por consciência, adaptabilidade e aprendizado contínuo
Em um mercado pressionado por transformações tecnológicas, mudanças comportamentais e novas exigências emocionais, uma pergunta se impõe: o que diferencia os profissionais que evoluem daqueles que ficam para trás? Para Vânia Ferrari a resposta está menos no currículo e mais na capacidade de ampliar consciência, inteligência emocional e adaptabilidade.
Palestrante confirmada no Fórum Eventos 2026, que acontece nos dias 11 e 12 de maio no Villa Blue Tree, Vânia levará ao palco uma provocação essencial para líderes e liderados: a carreira não pode mais ser tratada como algo passivo.
“Esse novo patamar de consciência significa nós nos responsabilizarmos pela nossa carreira, nós nos responsabilizarmos pelo nosso resultado”.
Na entrevista ao Portal Eventos, Vânia detalha como a neurociência aplicada ao comportamento pode acelerar performance, fortalecer lideranças e transformar eventos em verdadeiros catalisadores de mudança.
Os três quocientes da nova carreira
A estrutura da palestra de Vânia parte de três pilares. Ela chama de três quocientes. O primeiro é intelectual, “como é que você fica mais inteligente para lidar com as adversidades”. O segundo é emocional, “como é que você usa suas emoções em seu favor” e o terceiro é adaptabilidade, “vamos ressignificar resiliência a partir de um estudo chamado antifrágil”.
A lógica é clara: não basta saber mais. É preciso reagir melhor. Adaptar-se melhor. Pensar melhor.
A transformação começa no evento, mas não termina nele
Ao contrário da ideia de que palestras geram apenas inspiração momentânea, Vânia sustenta que a mudança pode começar imediatamente. “Acontece no evento”.
E afirma isso com base em experiência prática, “essa sua fala mudou o meu jeito de pensar trabalho”.
Mas reconhece a importância do pós-evento. Porque a experiência presencial gera gatilho, mas o aprofundamento depende da continuidade. Ela fala de literatura, pesquisas e repertório. Ou seja: evento como disparador, não como ponto final.
O fim do profissional-crachá
Vânia faz uma crítica importante ao modelo tradicional de trabalho, “nós não somos o nosso crachá”. A frase sintetiza uma ruptura com a lógica rígida da descrição de cargo.
Para ela, o trabalho contemporâneo exige extensão de função, “fazer tudo que for necessário para a coisa dar certo”. Isso não significa precarização. Significa colaboração. Capacidade de transitar. Capacidade de contribuir além do formal.
É um conceito especialmente relevante no setor de eventos, onde o improviso estruturado faz parte da operação.
Bom humor não é superficialidade
Um dos pontos mais originais da entrevista está na defesa do bom humor como inteligência corporativa. Vânia critica o preconceito organizacional contra ambientes leves, “as empresas negligenciam o bom humor”.
E desmonta um equívoco clássico, “as pessoas confundem seriedade com chatice”. Para ela, bom humor melhora saúde emocional, colaboração, criatividade e produtividade. É um tema subestimado, mas estratégico.
Aprender a aprender: a competência central
Ao falar de futuro do trabalho, Vânia é taxativa. “Uma das principais competências é a flexibilidade cognitiva”. Ou seja: capacidade de rever crenças, absorver novas informações e mudar de rota.
O problema, segundo ela, é que muitos profissionais experientes confundem tempo de mercado com atualização “às vezes se recusam a ver que o mercado mudou”.
Sua defesa é clara: experiência e novidade precisam dialogar, “é a união dessas forças”. Aqui ela critica tanto a arrogância da experiência quanto o etarismo.
É um equilíbrio raro.
O método de aprender continua clássico
Apesar de toda tecnologia, Vânia surpreende ao defender uma prática antiga, “a técnica é bunda na cadeira, livro na mão, lápis e papel”.
Não é nostalgia. É neurociência. Ela reforça a importância da anotação manual como mecanismo de retenção e elaboração cognitiva.
“A principal técnica é anotar”. Em tempos de excesso de resumos e atalhos, sua posição é quase contracultural.
O caos não é exceção. É condição.
Ao falar sobre o cenário contemporâneo, Vânia rejeita a ideia de estabilidade. “O caos está posto”.
Mas propõe uma leitura menos dramática. Na filosofia, na física e na evolução, o caos antecede transformação, “o caos aparece como uma prerrogativa da evolução”.
A questão não é evitar o caos. É aprender a operar dentro dele.
A crise mundial das lideranças
Vânia é dura ao falar de liderança, “eu vejo muito líder despreparado”.
E identifica um problema grave: improvisação, “não pode improvisar”. Nem em feedback. Nem em gestão. Nem em projetos.
Sua visão de liderança é clara: o líder deve ser o primeiro a se desenvolver, “esse líder tem que cuidar de si em primeiro lugar”. Só depois pode cuidar do outro.
Autoconhecimento: a base negligenciada
Vânia critica a forma como empresas tratam autoconhecimento como algo periférico, “autoconhecimento é visto como algo extracurricular”. Quando, para ela, é base de performance.
Sem isso, o profissional não sabe: onde é forte, onde precisa de ajuda, onde pode evoluir. Ela cita ferramentas como o Enneagrama e mapas de competências.
Mas insiste: ferramenta sem continuidade é desperdício.
Resultado é o único critério
Vânia é explícita, “eu sou uma mulher de Six Sigma”, ou seja: acredita em indicadores. Seu raciocínio é direto. Treinamento sem impacto mensurável é vazio. “Eu só acredito em trabalho que possa transformar o resultado da companhia”.
E amplia o conceito de resultado: receita, custos, clima organizacional, fidelização, cross-selling. É uma visão madura de performance.
O QI ficou para trás
Vânia relativiza o velho fetiche do quociente intelectual. “QI já ficou para trás”. Para ela, inteligência emocional e caráter têm peso maior.
A crítica é forte. Prefere alguém ético e colaborativo a alguém tecnicamente brilhante, mas tóxico. É uma visão alinhada às novas demandas organizacionais.
A atenção está em colapso
Vânia identifica um dos grandes problemas do nosso tempo, “o uso inadequado da tecnologia”. Segundo ela, redes sociais e timelines fragmentaram nossa capacidade de foco. E isso afeta memória e raciocínio.
Mas ela rejeita demonizar a tecnologia. A mesma ferramenta que dispersa pode disciplinar. Ela própria usa bloqueadores de tempo em aplicativos. É uma abordagem pragmática.
Segurança psicológica: discurso ou prática?
Vânia reconhece que há avanço desigual, “é discurso em algumas empresas, é prática em outras”. E aponta um dado relevante: lideranças ainda são os maiores ofensores da saúde emocional, “botam pressão onde não precisa”.
A consequência? Turnover. Perda de talentos. Baixa retenção.
Diversidade real versus diversidade decorativa
Talvez um dos momentos mais contundentes da entrevista esteja na crítica à diversidade performática, “isso não é diversidade de verdade”. Ela se refere ao uso de imagens diversas em comunicação institucional sem correspondência na estrutura real da empresa.
Sua defesa é objetiva. Inclusão precisa existir na prática. Na contratação. Na promoção. Na liderança. Não no folder.
Comunicação: o gargalo silencioso
Vânia identifica comunicação como uma das grandes causas de fracasso em projetos, “projetos atrasam, orçamentos estouram, porque as pessoas se comunicam mal”.
Ela aponta três causas principais: uso errado das ferramentas, baixa interpretação de texto e fuga de conversas difíceis.
E reforça a importância da comunicação não violenta. Mas sem passividade. Comunicação não violenta não é evitar conflito. É tratar conflito com técnica.
Visão de dono? O conceito envelheceu
Vânia faz uma autocrítica interessante. Reconhece que o termo envelheceu, “visão de dono, acho que ficou velho”.
Mas preserva a essência. Responsabilidade. Protagonismo. Melhoria de processos. Inteligência operacional.
No fundo, o conceito não é sobre posse. É sobre compromisso.
Eventos aceleram transformação
Ao falar sobre eventos corporativos, Vânia faz uma defesa forte do setor, “evento é o grande acelerador de resultado da companhia”.
Sua visão converge diretamente com o próprio papel estratégico do Fórum Eventos. Eventos interrompem o automático. Criam pausa. Criam reflexão. Reposicionam pessoas. E isso gera salto de performance.
Se tivesse que mudar uma única coisa…
Na última pergunta, a resposta é objetiva.
“Eu investiria em capacitação, treinamento e desenvolvimento”. Sem hesitação.
Porque, no diagnóstico de Vânia Ferrari, palestrante no Fórum Eventos 2026, dias 11 e 12 de maio, na Villa Blue Tree, o futuro das empresas não depende apenas de tecnologia, processos ou estratégia.
Depende de gente melhor preparada para pensar, sentir, aprender e se adaptar. E, no cenário atual, isso deixou de ser diferencial. Passou a ser condição de sobrevivência.

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