E a região que mais lucra com este ciclo virtuoso é a Barra, sede dos principais centros de convenções da cidade e onde ainda há espaços livres para a construção de hotéis. O bairro, hoje, é o que concentra o maior número de congressos, palestras e feiras nacionais e internacionais. Ponto para a economia local.
Segundo Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ), a Barra já é considerada a capital de eventos da cidade e tende a atrair outros tantos com as melhorias em transportes e o crescimento da rede hoteleira.
A maior parte dos eventos é aqui, principalmente por causa do Riocentro e dos centros de convenções dos hotéis. No Centro e na Zona Sul, o centro de convenções da Cidade Nova é muito usado, mas, para receber a Rio+20, não havia espaço; foi necessário montar um pavilhão no Forte de Copacabana - relembra Lopes.
Com 53 grandes eventos na agenda de 2012 e cerca de 200 ao todo, a grade do Riocentro não para de ser atualizada, diz Arthur Repsold, presidente da GL Events Brasil, responsável pelo espaço desde 2006. Em 2013, a projeção é dobrar os números registrados em 2008:
Temos um crescimento médio de 10% a 15% todo ano. E o número de visitantes dos eventos já sediados aqui também vem crescendo. Isso é importante em termos de potencial para concretização de negócios. Hoje estamos trazendo eventos que vinham ocorrendo em São Paulo, por exemplo. E a renovação da rede hoteleira resolve o problema que era o grande gargalo do Rio - diz.
Palco de eventos que já fazem parte do calendário carioca, como a Bienal do Livro, a Rio Oil & Gas e a Rio Franchising Business, o Riocentro está em busca de outros: conquistou, por exemplo, o Futurecom, o maior no setor de comunicações da América Latina, que acaba nesta quinta e acontecia em São Paulo. Para se adequar às mudanças ao seu redor, como a chegada dos pontos dos BRTs Transolímpico e Transoeste, o local passa por obras. No total, serão investidos R$ 150 milhões em dois anos.
Estamos reformando o pavilhão 1, o único que falta. É um investimento grande. Dos 12 mil metros quadrados, 8.100 serão utilizados como escritório do Comitê Organizador da Copa 2014 - diz Repsold.
Espaços de todos os tamanhos - De olho no futuro, o Riocentro começa ainda esta semana a obra do hotel Mercure, que ficará dentro do complexo, para atender a expositores e congressistas. Além disso, a HSBC Arena, ali perto, tem sediado festas de encerramento de eventos realizados no local. Em setembro, o espaço, que recebe diversos shows internacionais e será palco das competições de ginásticas rítmica, artística e de trampolim nas Olimpíadas de 2016, abrigou a festa de encerramento do 67º Congresso de Dermatologia, quando Ivete Sangalo se apresentou para sete mil pessoas.
Quando o Riocentro é grande demais para o evento, os organizadores recorrem aos centros de convenções dos hotéis Windsor e Sheraton e do centro empresarial O2 Corporate Office. Os três ajudam a manter a Barra no posto de bairro líder em eventos no Rio.
Com nove salas e capacidade para receber até 1.100 pessoas simultaneamente, o Sheraton vem abrigando dezenas de eventos corporativos e de negócios. Para Ana Claudia Nery, diretora de venda e marketing do Sheraton Barra Hotel & Suites, a expectativa é que a procura aumente cada vez mais.
- O segmento de mice (sigla em inglês para meetings, incentive, conferences and exhibitions) é um dos que mais crescem no setor, e, certamente, o Rio já ocupa uma posição de destaque como destino, em função dos investimentos planejados para a cidade nos próximos anos. Este ano, tivemos um incremento de 10% em relação a 2011 (na demanda) - diz.
Já no Windsor, com capacidade para até 1.800 pessoas em seus 60 salões, a chegada de novos eventos é vista com otimismo.
Estamos preparados para receber todos os tipos de eventos, sejam de pequeno, médio ou grande porte, um diferencial nosso - diz Joatan Queros, gerente de alimentos e bebidas do hotel.
Confiança no futuro da cidade - Após 18 anos no ramo imobiliário, Romário Fonseca ganhou a experiência necessária para notar que o Rio não tinha centros de convenções suficientes para suprir toda a demanda que a chegada dos grandes eventos esportivos e os investimento em infraestrutura gerariam. Ao conhecer o centro empresarial O2 Corporate Offices, não pensou duas vezes: sugeriu à mulher, Raquel Souto, experiente na produção de eventos, que arrendassem um espaço no local e o arranjassem de forma a servir a empresas de diferentes segmentos.
- Temos cinco salas interligadas, mas que são separadas por divisórias acústicas. Podemos receber até mil pessoas de cada vez - explica Raquel.
Se o panorama hoje já é bom, Fonseca, que fez um investimento de R$ 1,2 milhão no espaço, projeta um 2013 ainda melhor.
- A nossa taxa de ocupação, hoje, é de 50%. No ano que vem, nós esperamos que chegue a 70%. Não dá para ir muito além disso por causa dos fins de semana, quando há menos demanda - observa.

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