Mais de 120 representantes de 45 organizações de Conventions e Visitors Bureaus (CVBs) marcaram presença no primeiro dia da 10ª edição do UneCongresso, realizado pela Unedestinos (União Nacional de CVBs e Entidades de Destinos), no Costão do Santinho, em Florianópolis (SC). O evento, exclusivo para associados, começou nesta terça-feira, 28, e segue nesta quarta-feira, 29, com uma programação extensa de palestras, debates e trocas de experiências, networking e boas práticas entre os CVBs, reforçando a integração e promoção de ações que fortaleçam a cooperação dos destinos brasileiros e o protagonismo da Unedestinos no cenário nacional do turismo.
Para abrir esta edição, Rubens Augusto Régis, presidente do Destino Floripa & Região, celebrou a volta do evento para a cidade. “É uma grande alegria abrir as portas de Florianópolis para receber, mais uma vez, o UneCongresso. Depois de dez anos, esse retorno à cidade acontece em um momento simbólico para a Unedestinos, celebrando uma trajetória de união, fortalecimento dos Conventions e Visitors Bureaus e promoção dos destinos brasileiros. Que estes dias sejam de muito aprendizado, troca de experiências e construção de novas parcerias”.
Para Toni Sando, presidente da Unedestinos, o retorno ao Costão do Santinho marca não apenas a celebração da 10ª edição do UneCongresso, mas também uma década de fortalecimento da atuação dos Convention & Visitors Bureaus em todo o país. “É uma grande satisfação retornar ao Costão do Santinho para a realização do nosso 10º UneCongresso. Foi aqui que realizamos a primeira edição deste encontro e, dez edições depois, voltamos ao mesmo local, celebrando uma trajetória de crescimento, fortalecimento e união dos Convention & Visitors Bureaus de todo o Brasil. Retornar ao ponto de partida tem um significado muito especial. É uma oportunidade de reconhecer nossa história, valorizar tudo o que construímos juntos e renovar nosso compromisso com o futuro. Também quero destacar o Costão do Santinho, um resort que sempre nos recebe com excelência. Além de uma infraestrutura extraordinária, conta com uma equipe fantástica, preparada para proporcionar a todos nós uma experiência memorável”, completou.
Na sequência, o painel "O Novo Protagonismo dos CVBs" reuniu Giorgio Souza, do Joinville CVB; Suemy Vasconcelos, do Visite Ceará; e Luis Felipe Campos Almeida, do Visite Campinas; com mediação do consultor técnico da Unedestinos, Aristides De La Plata Cury. O debate abordou a evolução do papel dos Convention & Visitors Bureaus e sua atuação cada vez mais estratégica na promoção dos destinos, no relacionamento com diferentes setores e na geração de resultados para o turismo. Durante o painel, Suemy destacou que os CVBs desempenham um papel fundamental ao executar ações que muitas vezes o poder público não consegue realizar com a mesma agilidade, contribuindo para desburocratizar processos, fortalecer o associativismo e impulsionar o desenvolvimento dos destinos. Já Luis Felipe apresentou a experiência de Campinas, ressaltando a união entre associações para construir uma visão de longo prazo para a cidade, planejando o desenvolvimento do turismo para os próximos 20 anos.
O Pitch Estratégico "Sustentabilidade que Gera Competitividade" foi apresentado por Helio Brito Jr., fundador da ESG Pulse, e Tatiana Pacheco, CEO da ESG Pulse. A apresentação destacou o ESG como um critério de competitividade para as organizações de Conventions e Visitors Bureaus, evidenciando a sustentabilidade como um diferencial para fortalecer a atuação das entidades e ampliar sua relevância no mercado turístico.
O painel "Competitividade e Desenvolvimento dos Destinos: Como os CVBs podem atuar na atração de investimentos?", mediado por Andrezza Negrini (Visite BC e Região), reuniu Elaine Tenerello (Visit Iguassu), Brenda Silveira (Porto de Galinhas CVB), Kalliny Gomes (Natal CVB) e Fábio Zelenski (Visite São Paulo) para discutir estratégias de fortalecimento dos destinos por meio da articulação entre iniciativa privada e poder público. O debate evidenciou o papel dos Convention & Visitors Bureaus como agentes capazes de impulsionar investimentos, fomentar novos negócios e ampliar a competitividade dos destinos.
Durante o painel, Brenda Silveira destacou que mais de 80% dos recursos do Porto de Galinhas CVB são provenientes da iniciativa privada, ressaltando que muitos dos empreendimentos que hoje são grandes resorts começaram como pequenas pousadas que investiram recursos próprios no desenvolvimento do destino. Elaine Tenerello reforçou que, em muitos casos, é a iniciativa privada que dá os primeiros passos, gera resultados e fortalece o setor a ponto de mobilizar o poder público. Segundo ela, essa atuação passa por quatro eixos estratégicos: promoção e marketing, infraestrutura, qualificação profissional, inovação e tecnologia.
Kalliny Gomes apresentou a experiência do Natal CVB e destacou que, embora fundações tenham maior facilidade para captar recursos públicos por seu interesse coletivo, o principal desafio dos Convention & Visitors Bureaus é criar um círculo virtuoso de desenvolvimento, gerando novos negócios, aumentando a visibilidade do destino e atraindo investimentos capazes de fortalecer toda a cadeia do turismo. Já Fábio Zelenski enfatizou que o trabalho dos CVBs deve estar voltado ao fortalecimento do destino como um todo, e não apenas à geração de contrapartidas individuais para os associados. Segundo ele, cabe às empresas associadas atuar de forma colaborativa, compreendendo que o desenvolvimento coletivo do destino gera benefícios para toda a cadeia do turismo.
Parceria entre hotelaria e short term rental
Outro destaque da programação foi o painel "Destinos Competitivos: Integração, Diversidade e Inovação", que reuniu Ammar Aziz (Airbnb), Jurema Monteiro (Comitê Travel Tech/Câmara-e.net) e Rubens Régis (Destino Floripa), com mediação de Toni Sando, presidente da Unedestinos. O debate abordou como a integração entre hotelaria, locação por temporada e plataformas digitais pode ampliar a oferta turística, qualificar a experiência dos visitantes e fortalecer toda a cadeia do setor, reforçando o papel das organizações de Conventions e Visitors Bureaus na mediação entre diferentes atores do mercado.
Durante a discussão, Rubens Régis destacou que toda inovação disruptiva provoca debates e comparou a chegada das plataformas de locação por temporada a outras transformações já vividas pelo turismo e pela economia, como os cruzeiros marítimos e os aplicativos de transporte. Segundo ele, em Florianópolis há atualmente cerca de 12 mil quartos de hotel e 31 mil imóveis disponíveis em plataformas de locação, sendo que parte desse crescimento ocorreu pela formalização de imóveis que antes atuavam na informalidade. Para o presidente do Destino Floripa, o principal desafio é garantir isonomia regulatória entre os modelos de hospedagem, especialmente diante da reforma tributária, preservando um ambiente competitivo e sustentável para todo o setor.
Jurema Monteiro ressaltou que a tecnologia vem transformando o comportamento do viajante e ampliando as possibilidades de escolha. Ela destacou que a reputação dos empreendimentos é construída pelos próprios clientes nas plataformas digitais e que os destinos precisam estar preparados para atender diferentes perfis de turistas. Nesse contexto, a locação por temporada deve ser vista como uma alternativa complementar à hotelaria tradicional, contribuindo para diversificar a oferta turística.
Já Ammar Aziz reforçou que o Airbnb se posiciona como uma plataforma complementar à hotelaria e destacou os impactos positivos da locação por temporada para a economia local. Segundo ele, estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que, para cada R$ 100 gastos na hospedagem pela plataforma, outros R$ 500 são movimentados na economia do destino, beneficiando diferentes segmentos. Ammar também ressaltou que o mercado brasileiro é predominantemente doméstico, característica que evidencia o potencial do turismo interno e a importância de ampliar as opções de hospedagem para atender à forma como os brasileiros viajam.

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