A apreensão de um veículo de transporte corporativo no Aeroporto de Congonhas, no dia 17 de março, durante uma operação para uma grande marca nacional, acendeu um alerta importante para o nosso setor. Sob a justificativa de “transporte irregular”, a ação dos agentes da Prefeitura de São Paulo mais uma vez penaliza, de forma indevida, uma atividade previamente contratada, com agendamento, rastreabilidade e padrões corporativos.
Não é a primeira vez que um caso assim expõe uma fragilidade recorrente na forma como o transporte executivo é interpretado e fiscalizado em São Paulo. Eu conheço de perto este cenário. Como CEO da tg.mob, já senti na pele o peso da falta de uma norma que regulamente o setor. Também sei o nível de exigência, organização e responsabilidade necessários para atender grandes empresas com qualidade, segurança e rastreabilidade. E, agora, como diretor institucional da Associação Brasileira das Empresas de Locação de Veículos Executivos e Mobilidade Corporativa (Ablovex), acompanho ainda mais de perto os principais desafios coletivos enfrentados pelas empresas do nosso mercado.
Tenho falado nos últimos meses sobre como vivemos um cenário de insegurança jurídica. A legislação vigente, baseada na Lei 15.676/2012, abre margem para interpretações divergentes que resultam em ações arbitrárias, com profissionais que atuam em total conformidade com a lei sendo equiparados a operações clandestinas.
É justamente por isso que a união das empresas do setor em prol da regulamentação do transporte executivo de passageiros se torna indispensável. Jamais conseguiremos avançar de forma consistente se não houver representatividade. Iniciativas coletivas, como a Ablovex, são fundamentais para garantir que as demandas sejam ouvidas pelo poder público e que as soluções construídas em cima de um diálogo coletivo reflitam a realidade da operação.
O momento pede engajamento das empresas do setor. Mais do que nunca, precisamos nos organizar para que a mobilidade corporativa se transforme em um segmento unido, com voz ativa. Se não o fizermos, vão continuar decidindo por nós.
* Leandro Pimenta é CEO da tg.mob e diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira das Empresasa de Locação de Veículos Executivos e Mobilidade Corporativa (Ablovex).

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