Plinio Pacheco: Um Centenário de Pura Visão

Em 2027, se organize e prestigie esse espetáculo de muita emoção, que começou a pulsar a mente e o coração de um sonhador e hoje multiplicou-se como um verdadeiro patrimônio brasileiro, reunindo fé, talento e grandiosidade cênica, que a todos orgulha.

Em 2026, celebra-se o centenário de Plinio Pacheco, um homem visionário, com tino comercial e muita fé e que foi responsável pelo início de uma das mais belas e poderosas encenações cênicas do Brasil e já também reconhecidamente famosa no mundo.

É preciso enaltecer a vida e obra de Plínio Pacheco é revisitar a trajetória de um homem que transformou um sonho quase impossível em um dos maiores espetáculos a céu aberto do mundo: a Paixão de Cristo

Nascido em 30 de outubro de 1926, em Santa Maria (RS), Plínio Pacheco percorreu um caminho improvável até consolidar raízes no agreste pernambucano, precisamente na localidade Madre do Brejo de Deus e criar a monumental cidade teatro de Nova Jerusalém — hoje reconhecida internacionalmente como o maior teatro a céu aberto mundial - ocupando mais de 100 mil m2 , dividido em 09 cenários que contam os últimos momentos de Jesus Cristo.

A história de seu Plinio Pacheco é rica demais. Poeta, jornalista e inquieto por natureza, ele carregava uma imaginação fértil e uma fé inabalável na força transformadora da cultura. Foi essa combinação que o levou a Pernambuco, onde encontrou, além do amor, o cenário ideal para materializar seu projeto mais ousado: erguer uma Jerusalém brasileira em pleno semiárido.

A partir de 1968, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém começou a ganhar forma. Entre muralhas de pedra, lagos artificiais e palcos em um território grandioso, o espetáculo se consolidou como uma experiência imersiva que une teatro, religiosidade, turismo e identidade cultural.

Provavelmente é o único espetáculo da terra que a audiência não dorme, já que o público acompanha todos os atos, caminhando a cada troca de cenário, permitindo interação e dinamismo.

A cada Semana Santa, milhares de espectadores percorrem os cenários monumentais que recriam os últimos dias de Jesus, em uma encenação que emociona, educa e movimenta a economia regional.

Os números impressionam mesmo. Por cada sessão são contabilizadas cerca de 10 mil pessoas. E em toda a sua história mais de 3 milhões de participantes prestigiaram o evento, que tem 3 horas de duração.

Cerca de 450 pessoas participam da produção a cada ano, entre atores, figurantes e equipe técnica. E a Sociedade Teatral de Fazenda Nova é a responsável a cada edição convidar atores renomados para participar da encenação que se mesclam com a trupe de artistas locais, ofertando assim uma integração e intercâmbio cênico, que também impulsiona a reverberação midiática do espetáculo.

Em 2026, a temporada aconteceu de 28 de março a 5 de abril, tendo Dudu Azevedo retornando ao papel de Jesus, personagem que já interpretou em produções televisivas e que consolidou sua presença em obras de temática bíblica. Beth Goulart, uma das atrizes mais respeitadas do país, assume o papel de Maria, trazendo ao espetáculo sua experiência de mais de cinco décadas dedicadas ao teatro e à televisão. O elenco principal se completa com Marcelo Serrado, que interpreta Pilatos, e Carlo Porto, escalado para viver Herodes.

Plínio Pacheco não foi apenas o criador de um evento monumental. Foi um articulador cultural que transformou o Brejo da Madre de Deus em destino de peregrinação, turismo e memória afetiva. Sua obra gerou empregos, impulsionou o desenvolvimento local e projetou Pernambuco como referência mundial em espetáculos religiosos.

A 57ª edição da Paixão de Cristo reforça a força de um sonho que se tornou um dos mais impactantes eventos do Brasil. A temporada homenageia o idealizador que, mesmo após sua morte em 2002, permanece como a alma do espetáculo. A organização investiu em novos efeitos especiais e inovações cênicas, ampliando ainda mais a grandiosidade da montagem — um gesto que simboliza a continuidade da visão de Pacheco: unir tradição e modernidade para manter viva a experiência de fé e arte que ele concebeu.

Em 2027, se organize e prestigie esse espetáculo de muita emoção, que começou a pulsar a mente e o coração de um sonhador e hoje multiplicou-se como um verdadeiro patrimônio brasileiro, reunindo fé, talento e grandiosidade cênica, que a todos orgulha.

E que até lá possamos despertar o Plínio Pacheco que está adormecido em nós e caminhemos unidos na mensagem da Páscoa.