Apoiados pelo conceito de competitividade, integrantes da Fundação Getúlio Vargas apresentaram, na tarde de ontem, um estudo sobre os 65 principais destinos turísticos do Brasil. O evento, transmitido ao vivo para todo o país através de teleconferência, contou com as presenças da Ministra do Turismo, Marta Suplicy, do Coordenador de Turismo de São Paulo, Luiz Flaviano Furtado, do professor da Fundação Getúlio Vargas, Luiz Gustavo Barbosa, dentre outras autoridades.
Com perguntas objetivas para evitar qualquer juízo de valor, a pesquisa foi baseada em cinco macro-dimensões (economia, turismo, sustentabilidade, infra-etrutura e políticas públicas), que se ramificavam em 13 partes, subdivididas em 50 variáveis. Um trabalho árduo, gerador de resultados complexos, que segundo Luiz Gustavo, pode variar com o tempo. "Como fizemos perguntas objetivas, no estilo sim ou não, alguns projetos que estavam em desenvolvimento em certas regiões, provavelmente não foram contabilizados, o que pode mudar na nossa próxima pesquisa, caso as ações já tenham sido concluídas", ressalta.
A escolha dos 65 principais destinos turísticos do país faz parte do projeto de regionalização do turismo, calcado no plano de aceleração do crescimento, que vai investir, até 2010, mais de cinco bilhões de reais no setor. Segundo a ministra, a pesquisa representa um marco histórico para o segmento e vai priorizar o monitoramento dos investimentos públicos e privados reservados para cada destino. "Com a pesquisa ampliamos o nosso foco. Agora podemos trabalhar em cima de cada roteiro, em parceria com as prefeituras, e investir em divulgação para vender o produto", salienta.
Brasil para o Brasil
Dados da pesquisa revelam que o marketing foi o item com os piores resultados. Isso significa dizer, segundo a ministra, que muitos destinos, apesar do seu forte apelo turístico, pecam na divulgação. Para ela, potencialidade e promoção devem caminhar juntas. "Não adianta termos um bom produto se não sabemos como vendê-lo", enfatiza.
Além do marketing, outro ponto que ainda merece atenção é a disseminação dos destinos brasileiros para os próprios brasileiros. "Ficamos preocupados em nos mostrar apenas para estrangeiros, mas temos um grande potencial interno que merece destaque. O turismo tem que entrar na cesta básica de cada cidadão. Temos que aproveitar o boom da economia, que colocou ano passado 46% da população na classe média, e vender esses destinos", pontifica Marta Suplicy.
Turismo em Foco
Se cada visitante tem um perfil, o turismo tem que ter foco. Para atender às necessidades especificas de cada cliente é necessário que o destino escolhido ofereça as ferramentas necessárias para deixar o turista satisfeito. Baseada nesse nicho de mercado tão diferenciado, a pesquisa da FGV, além de demarcar os 65 destinos indutores, delimita o perfil de cada localidade.
"Se o foco é turismo de negócio, tomamos como base forte as novas tecnologias. Regiões que não possuem hotéis com internet wireless ou centro de convenções adequado, já estariam automaticamente descartadas", explica o professor da FGV, Luis Gustavo Barbosa.
Qualidade Internacional
Pouco mais de 2% do PIB brasileiro é oriundo do turismo. Número relativamente baixo, se compararmos com regiões como Austrália, Portugal e França, que excedem os 10%. Mas, para a ministra, os investimentos do PAC no setor, aliados ao programa de regionalização do turismo, vão colocar o segmento num patamar internacional dentro de quatro anos, "e aumentar consideravelmente a participação do setor no PIB".
Em 60 dias as equipe da Fundação Getúlio Vargas voltam à campo para refinar a pesquisa e passar para as prefeituras os resultados encontrados. A divulgação dos 65 principais destinos brasileiros, no entanto, só virá à público no final do ano, quando o projeto estiver totalmente concluído.

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