Painel Evento Seguro traz à discussão o incêndio na Boate Kiss e é destaque

De um lado, os grandes eventos que o Brasil receberá nos próximos anos. De outro, a recente tragédia em Santa Maria-RS. O sexto painel do Fórum Eventos 2013 trouxe para o debate a necessidade e as melhores maneiras de se fazer um evento seguro.

Prevenção, consciência e responsabilidade formaram a pirâmide que deu base ao sexto painel do Fórum Eventos 2013, o primeiro realizado no segundo dia do evento. Em debate estavam as formas de segurança em eventos, focando na prevenção de acidentes e tendo como gancho a tragédia recente na boate Kiss, em Santa Maria-RS.

O painel "Evento Seguro - Esperando monitoramento e gestão de risco" trouxe, primeiramente, as considerações do português Antônio Manuel Brito, diretor da New Events Global. Segundo ele, a segurança é um dado adquirido, portanto, é preciso gerir todos os riscos de um evento, avaliando e gerenciando-os. "Com determinação e vontade, devemos entender que não existem eventos com risco zero, mas é possível, sim, minimizá-los, e essa é a função a empresa".

Na discussão também esteve Igor de Mesquita Pipolo, sócio-diretor da Núcleo Inteligência e assessor de segurança da vice-presidência da Fiesp. O painelista preferiu tocar nas raízes do problema e comentou o conceito de segurança privada, que nasceu no Brasil em 1967. No entanto, ele considera que o conceito de segurança patrimonial já está ultrapassado, uma vez que hoje ela precisa ser baseada em estratégias. "Segurança não pode ser só a figura de um homem vestido de preto na porta do evento, ela precisa abranger todas as esferas. A inteligência supera a força".

Igor de Mesquita também comentou sobre os tipos de riscos que um evento pode sofrer. Em contrapartida, reforçou a ideia de Antonio Manuel de que os riscos pensados podem ser minimizados com um evento baseado em decisões estratégicas, prevenção e reação.

O terceiro palestrante a comentar o assunto foi o advogado Otávio Novo, que atua na área de Segurança e Riscos da Hotelaria Accor. Segundo ele, para que um evento seja seguro é preciso contar com as autoridades públicas, local, organização e participantes. Outro ponto apontado por Otávio foi a comparação do conceito de evento seguro no passado, presente e uma projeção do futuro. "Antes, as autoridades eram mais responsabilizadas por riscos. No futuro, cada vez mais os setores da sociedade vão se equiparar a elas".


Dando sequência ao debate, a professora e dona da cadeira de Segurança em Eventos da Universidade Anhembi Morumbi, Andrea Nakane, destacou que o principal problema que gera os riscos é a falta de conhecimento das ações. Para ela, o amadorismo ainda prevalece em percentuais elevados quando o assunto é segurança. "Cada evento é único. Falta de mapeamento, de prevenção e o famoso 'jeitinho brasileiro' acabam corrompendo uma legislação que deveria ser adequada".


Finalizando o painel, a palavra foi de Sérgio Pasqualin, diretor da Expo Center Norte, que acredita que a segurança passou a ser destacada a partir da necessidade de fazer eventos de grandes proporções. "Infelizmente ainda não é um tema muito respeitado. O que se espera é que os mega eventos que virão tenham uma boa infraestrutura".

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