Óbito reforça o cuidado com as equipes de montagem e desmontagem

Acidente como o que ocorreu em Copacabana reforça a necessidade de protocolos rigorosos de segurança do trabalho em eventos de grande porte.

A montagem para o show gratuito da cantora colombiana Shakira, marcado para o próximo sábado, 2 de maio, na Praia de Copacabana, na altura do Posto 3. foi marcada por uma tragédia na tarde de domingo, 26 de abril.

Um trabalhador de 28 anos, Gabriel de Jesus Firmino, funcionário da empresa MG Coutinho Serviços Cenográficos, morreu após sofrer um grave acidente enquanto atuava na montagem da estrutura do palco.

Segundo informações confirmadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Militar, o funcionário, que era serralheiro, trabalhava na instalação de quatro elevadores cenográficos quando ficou imprensado entre dois elevadores que faziam a composição do sistema de elevação — ponto em que os relatos convergem entre as diferentes fontes.

Colegas de trabalho tentaram o resgate imediatamente, utilizando inclusive um equipamento hidráulico, como mostram vídeos que circularam nas redes sociais. Antes da chegada das equipes de emergência, o trabalhador já havia sido retirado das ferragens por outros funcionários.

A brigada de incêndio do local e, posteriormente, o Corpo de Bombeiros prestaram os primeiros atendimentos. Gabriel foi encaminhado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos, que incluíam esmagamento dos membros inferiores

O caso foi registrado na 12ª DP (Copacabana) como lesão corporal culposa decorrente de acidente de trabalho. A perícia foi acionada e a Polícia Civil abriu investigação para apurar as circunstâncias do acidente, incluindo possíveis falhas estruturais ou operacionais.

Se nenhuma irregularidade for encontrada, a ocorrência será tratada como um acidente de trabalho sem responsabilidade criminal.

A produtora Bonus Track, responsável pelo evento, divulgou nota lamentando profundamente o ocorrido e afirmando prestar apoio à família da vítima, à equipe e à empresa contratada.

O palco em construção é o maior já montado nas três edições do Todo Mundo no Rio, ampliado a pedido da equipe de Shakira. A estrutura chega a 1.500 m², com expansão significativa dos painéis de LED e instalação de múltiplas torres de som e vídeo ao longo da praia.

Acidente como o que ocorreu em Copacabana reforça a necessidade de protocolos rigorosos de segurança do trabalho em eventos de grande porte. A montagem de palcos envolve estruturas pesadas, sistemas de elevação, eletricidade, trabalho em altura e operação simultânea de múltiplas equipes — um ambiente onde qualquer falha de comunicação, supervisão ou equipamento pode resultar em consequências graves. Por isso, normas como as NR-18 e NR-35, além de treinamentos específicos, são fundamentais para reduzir riscos e garantir que cada profissional atue em condições adequadas.

Além das exigências legais, como profissional que há décadas labuta por sensibilizar ainda mais o mercado, destaco que a cultura de segurança precisa ser contínua e integrada ao planejamento de cada etapa da produção. Isso inclui desde a checagem de equipamentos e certificações técnicas até a definição de responsáveis por monitorar procedimentos críticos. Em eventos internacionais, como o show de Shakira, onde estruturas são ampliadas e adaptadas para atender demandas artísticas específicas, a atenção deve ser redobrada para evitar sobrecarga de sistemas, improvisações e pressões por prazos que possam comprometer a integridade dos trabalhadores.

E não estamos apenas falando dos megaeventos, todos os portes e tipos precisam ampliar sua responsabilidade na fase de montagem e desmontagem, já que são ocorrências que independente do porte e tamanho, ampliando os riscos para as grandes produções.

Nossa solidariedade à família do Gabriel, esperando que a tristeza do seu óbito reforce os cuidados do setor com seus funcionários, diretos e indiretos, afinal Sem Segurança, Não dá para termos eventos de sucesso.