O setor de eventos no Brasil tornou-se cada vez mais estratégico

O setor de eventos no Brasil tornou-se cada vez mais estratégico: empresas o utilizam para posicionamento de marca, geração de demanda e relacionamento — e a régua de avaliação passou da execução para o impacto em negócio e comunidade.

O setor de eventos no Brasil tornou-se cada vez mais estratégico: empresas o utilizam para posicionamento de marca, geração de demanda e relacionamento — e a régua de avaliação passou da execução para o impacto em negócio e comunidade.

Este material produzido pela Yazo reúne profissionais de diferentes frentes — associações, consultorias, educação e operação — com trajetórias consistentes e contribuição ativa para o setor. Os depoimentos revelam padrões comuns: a entrada raramente foi planejada, mas a permanência está ligada à capacidade de conectar, resolver e se adaptar. Pandemia, tecnologia e a crescente exigência estratégica ampliaram o escopo da profissão — e elevaram o nível de quem nela atua.

Publicamos este material no dia 30 de abril — o Dia do Profissional de Eventos. A data nasceu de uma iniciativa da Academia Brasileira de Eventos e Turismo, durante a presidência de Marisa Canton, com apoio do ForEventos, e foi oficializada no Estado de São Paulo por lei da deputada Célia Leão, sendo comemorada nacionalmente desde 2014. O dia 30 de abril foi escolhido em homenagem a Caio de Alcantara Machado — publicitário brasileiro e criador das feiras industriais de negócios no país.

Cada profissional aborda três pontos:

1. Por que eventos?

2. Um momento marcante da trajetória

3. Uma mensagem para profissionais de eventos

MARISA CANTON

Primeira doutora em eventos do Brasil

- 1. Trajetória

Não houve uma escolha inicial por eventos. Após casar cedo e ter formação como normalista pelo Instituto de Educação Caetano de Campos, decidi retomar os estudos e ingressei na então Faculdade Morumbi de Turismo, atraída pela abordagem em arte, cultura, história e pelo turismo como fenômeno relevante do ponto de vista econômico, social e para o país.

Durante a formação, tive contato com áreas como agenciamento, hotelaria, eventos, folclore e cultura popular. Inicialmente, direcionei meu interesse para hotelaria e, dentro dela, identifiquei eventos e convenções como um campo que reúne logística, produção, gestão, criatividade e inovação, além de gerar resultados específicos conforme o objetivo de cada evento. Esse conjunto direcionou meu foco para o setor.

Segui para a ECA-USP, onde realizei mestrado em turismo com foco em informática aplicada ao setor de agentes de viagem, sob orientação de Osvaldo Sanjorge, referência na matemática no Brasil. Posteriormente, retornei para o doutorado, orientada por Mário Carlos Beni, momento em que já havia estruturado uma empresa de eventos com atuação relevante, principalmente em congressos médicos.

A partir dessa base prática e acadêmica, desenvolvi pesquisa aprofundada em eventos, resultando no primeiro doutorado na área realizado no Brasil, convalidado e registrado pela Universidade de São Paulo.

Posteriormente, atuei na Fundação Getulio Vargas, junto à Escola de Administração, ministrando a disciplina de eventos, negócios e oportunidades empresariais. Permaneci na área até 2017, quando ocorreu meu desligamento por aposentadoria compulsória, motivada por critérios institucionais de idade e momento de carreira.

- 2. Momento marcante

Ao longo da trajetória, houve diversos momentos relevantes, tanto por resultados positivos quanto por desafios operacionais. Eventos envolvem variáveis não lineares — como local, tempo e pessoas — o que exige flexibilidade durante a execução e capacidade de adaptação em tempo real. Essa dinâmica demanda do organizador inteligência emocional, equilíbrio, empatia com as equipes e presença ativa em todas as frentes, atuando como coordenação central da operação.

O caso mais marcante foi o evento “Forense”, realizado em parceria com a Faculdade de Medicina e a Faculdade de Direito da USP, na área de medicina legal. Parte da operação envolvia encontros no Instituto Médico Legal, frequentemente à noite ou madrugada, devido à disponibilidade dos profissionais envolvidos.

O evento, inicialmente planejado para cerca de 200 participantes, ocorreu em um contexto de grande repercussão nacional, incluindo os casos dos Mamonas e de PC Farias, o que ampliou significativamente o interesse. A escala passou para aproximadamente 5 mil participantes.

Foi necessário reestruturar toda a operação: ocupação integral de centro de convenções, expansão da rede hoteleira para mais de dez hotéis, aumento da logística de transporte, gestão ampliada de credenciamento e fluxos, além da contratação de equipes adicionais, incluindo cerimonialistas para condução por ordem de precedência entre países, já que houve participação internacional com múltiplos idiomas e delegações.

O evento partiu de uma previsão inicial reduzida e se transformou, ao longo do processo, em uma operação de grande escala, exigindo replanejamento contínuo. Foi o projeto mais complexo, de maior dimensão e que demandou maior nível de envolvimento ao longo da minha trajetória.

- 3. Mensagem

A atuação em eventos exige critérios claros: ética, dedicação e educação continuada. A evolução constante do mercado, impulsionada por tecnologia, inovação e mudanças nas relações profissionais, demanda atualização permanente e atenção às novas dinâmicas de mercado.

Eventos são estruturados por processos, mas dependem da experiência entregue. Para gerar resultado, precisam promover interação, engajamento e oferecer experiências relevantes ao participante, com potencial de permanência na memória.

A tecnologia, incluindo inteligência artificial, amplia capacidade operacional, mas não substitui decisões humanas, gestão de equipes e leitura de contexto. A execução envolve múltiplos públicos — equipes internas, promotores, realizadores e patrocinadores — e exige integração entre todos os envolvidos.

Eventos impactam comportamento, disseminam conhecimento e geram novas perspectivas para os participantes. Isso define o nível de responsabilidade na sua construção e execução.

SERGIO JUNQUEIRA

CEO do Grupo Conecta e Diretor do Prêmio Caio

- 1. Trajetória

Minha trajetória sempre esteve ligada à comunicação, ao jornalismo, à edição de publicações e à produção cultural. Foi nesse caminho que identifiquei a força dos eventos como ambiente de encontro, troca e construção de conhecimento.

O que me atraiu foi a capacidade de reunir pessoas em torno de ideias, negócios e causas. O que me faz continuar é a visão de que o setor tem papel direto no desenvolvimento econômico, social e cultural, gerando negócios, fortalecendo relações e promovendo transformação.

- 2. Momento marcante

Um dos momentos mais relevantes foi a criação do Prêmio Caio, com o objetivo de reconhecer profissionais que atuam nos bastidores e dar visibilidade à excelência do setor.

Outro marco foi a consolidação da Revista Eventos, em um período em que o mercado ainda não tinha identidade editorial estruturada.

Também destaco a realização do Fórum Eventos durante a pandemia, com adaptação para o formato online e posterior retorno ao presencial, reforçando o papel complementar da tecnologia e a relevância da interação humana.

- 3. Mensagem

O trabalho em eventos envolve atuação estratégica e execução detalhada, muitas vezes nos bastidores.

A relevância do setor está na capacidade de gerar encontros, estimular reflexões, viabilizar negócios e construir experiências com impacto.

Valorizar a trajetória, investir em conhecimento e fortalecer conexões são fatores que sustentam o desenvolvimento profissional e a evolução do setor.


ELZA TSUMORI

Membra do Conselho Deliberativo da AMPRO e diretora da Academia Brasileira de Eventos e Turismo

- 1. Trajetória

Eu não escolhi trabalhar com eventos. No início dos anos setenta, minha paixão era desenhar. Comecei estagiando em uma agência de propaganda e depois atuei como diretora de arte. Fiz Desenho Industrial na FAAP e, desde o início dos anos oitenta, tive agências de propaganda e marketing, atuando principalmente com atendimento a clientes e planejamento de campanhas e marketing promocional — hoje chamado de live marketing.

Foi nesse contexto que comecei a me envolver com eventos, no início dos anos noventa, coordenando eventos corporativos, educativos, científicos, institucionais e comemorativos. Naquela década, os eventos cresceram como parte do mix de comunicação, com projetos de lançamentos, convenções, seminários e ações de incentivo, relacionamento e fidelização — muitos criados e operados pela agência.

Desde 2011, não tenho mais agência de live marketing, mas sigo, por meio da minha empresa, criando, planejando e coordenando produções em marketing cultural. Atuo em projetos de médio e longo prazo, como exposições, livros de arte e ações educativas, onde continuo aplicando minha experiência em eventos. Também sigo aprendendo e integrando tecnologia e criatividade no trabalho, com uma abordagem de inteligência artificial e humana.

- 2. Momento marcante

Guardo uma lembrança especial da época em que lançamentos de produtos passaram a ser grandes celebrações, reunindo diretorias, clientes e convidados em locais marcantes. Realizamos muitos eventos desse tipo para grandes marcas.

O período atendendo a Revista Caras, nos anos noventa e início dos anos dois mil, foi especialmente marcante. Um exemplo foi o lançamento dos cartões co-branded Visa e Mastercard — Revista Caras, que representou um marco no marketing de relacionamento no Brasil.

O conceito unia a força da marca Caras às bandeiras Visa e Mastercard, com foco na fidelização de um público de alto perfil, em um momento de crescimento desse tipo de produto. O primeiro evento aconteceu na Sala São Paulo, recém-inaugurada, sendo o primeiro evento privado no local, com show acústico. A escolha exigiu negociação para alinhar o posicionamento das marcas ao espaço.

Nosso direcionamento era criar eventos propícios para negócios, mas sem “cara de negócios”, antecipando o que hoje se entende como eventos experienciais.

- 3. Mensagem

Devemos ter orgulho de sermos profissionais de eventos. Somos multidisciplinares e fazemos parte de uma cadeia que envolve mais de cinquenta segmentos, com milhões de profissionais e impacto relevante no PIB brasileiro.

Esse impacto será atualizado no 3º Dimensionamento do Setor de Eventos, previsto para maio de 2026. O evento está presente em áreas como negócios, arte, cultura, educação e ciência, além de impulsionar o turismo.

O Dia do Profissional de Eventos foi criado pela Academia Brasileira de Eventos e Turismo, com apoio do ForEventos, oficializado em São Paulo por lei da deputada Célia Leão e adotado nacionalmente desde 2014.

Participei da coordenação da campanha pela criação da data, como coordenadora do ForEventos, que reunia entidades nacionais do setor. Viva o Dia do Profissional de Eventos.

HELOISA SANTANA

Presidente Executiva na AMPRO

- 1. Trajetória

Eu não escolhi eventos de forma planejada, foi um caminho que foi se abrindo. Quando percebi, já estava completamente envolvida. O que me fez continuar foi algo maior que a entrega: as conexões, o contato com pessoas relevantes, o aprendizado constante e as experiências que ampliam o olhar.

Esse caminho me levou até a AMPRO, onde atuo em um ambiente de construção coletiva, com pessoas que trabalham para desenvolver a entidade e o setor.

- 2. Momento marcante

Um dos momentos mais marcantes é o AMPRO Awards. Antes de entrar na AMPRO, eu já via a relevância do evento. Desde 2022, acompanhando de dentro, percebo o crescimento ano a ano, tanto em estrutura quanto em conexão entre as pessoas.

A apresentação e discussão dos cases pela própria comunidade gera reconhecimento entre pares, e alguns desses trabalhos alcançam projeção internacional, o que reforça a consistência do que é produzido.

É um evento com orçamento desafiador, o que exige priorização e comprometimento das equipes. A entrega depende diretamente do envolvimento das pessoas, especialmente do time da AMPRO, que sustenta a execução.

- 3. Mensagem

Trabalhar com eventos envolve lidar com o imprevisível e tomar decisões em tempo real. Isso exige preparo, adaptação e gestão de pessoas.

O retorno está nas conexões, no aprendizado e na construção de experiências que ficam com o público. A entrega depende de trabalho coletivo e da capacidade de transformar estratégia em algo vivido pelos participantes.

VANESSA MARTIN

Professora, autora, cofundadora da DEE e sócia-diretora da VM Consultoria

- 1. Trajetória

Comecei a trabalhar com eventos na década de 1980, com congressos médicos, a partir de convite de amigos, enquanto atuava em uma operadora turística em São Paulo.

Assim como acontece com muitos profissionais da área, me envolvi com o setor e passei a investir em qualidade de entrega e capacitação contínua. Naquele momento, o aprendizado era essencialmente prático, já que não existiam cursos superiores ou pós-graduações específicas.

A partir da orientação da minha mentora no mestrado pela ECA, publiquei o Manual Prático de Eventos e fui convidada para lecionar em curso de extensão na USP. Atualmente, estou trabalhando no meu 14º livro e sigo me atualizando em tendências, tecnologia e estratégia aplicada ao setor, com foco também em contribuir para o desenvolvimento de outros profissionais.

- 2. Momento marcante

Além do Oasis Connection, realizado em 2025, um evento dedicado ao setor e que teve retorno positivo já na primeira edição, destaco experiências relacionadas ao meu trabalho de conteúdo, capacitação e mentoria.

Esse trabalho acontece muitas vezes nos bastidores. Um momento relevante foi durante o RD Summit de 2024, quando um ex-aluno de pós-graduação, mais de dez anos depois, me reconheceu no evento para agradecer o conteúdo aplicado na época, relatando que ainda utiliza o conhecimento no dia a dia profissional.

- 3. Mensagem

Para quem atua no desenvolvimento de conteúdo e na formação de profissionais, retornos concretos como esse reforçam a relevância do trabalho e sustentam a continuidade da atuação.

Registro minha gratidão a esse aluno e a todos que contribuíram e contribuem para que eu siga atuando e evoluindo no setor.

LUCÉLIA GONÇALVES

Gerente de eventos na ABRH-Brasil

- 1. Trajetória

Escolhi a área de eventos pela dinâmica, pelos desafios constantes e pela possibilidade de conectar pessoas, gerar conhecimento e impactar quem participa. A atuação exige sensibilidade, estratégia e envolvimento contínuo, fatores que sustentam minha permanência no setor há quase 27 anos.

- 2. Momento marcante

O período da pandemia foi o mais marcante da minha trajetória. O setor foi diretamente impactado e exigiu adaptação rápida, sem referências consolidadas e com alto nível de incerteza.

Nesse contexto, houve colaboração entre profissionais, troca de conhecimento e desenvolvimento conjunto de soluções, especialmente na transição para eventos virtuais e híbridos. Esse momento evidenciou a capacidade de adaptação, a criatividade e a resiliência do setor.

- 3. Mensagem

Eventos têm um papel que vai além da execução operacional. A atividade envolve criação de experiências e fortalecimento de relações, com impacto direto na circulação de conhecimento.

Manter consistência na atuação e reconhecer a relevância desse trabalho contribui para a evolução do setor e para a entrega de valor aos participantes.

FERNANDA CASTRO

Coordenadora de estratégia de comunicação e branding na tm1 Brand Experience

- 1. Trajetória

O que me atraiu em eventos foi a versatilidade. Cada projeto permite conectar posicionamento, mensagem, criatividade e tecnologia em experiências tangíveis.

O que me faz continuar é entender que experiências permanecem: ampliam repertório, constroem memória cultural e geram vivências que impactam o público.

- 2. Momento marcante

Um dos momentos mais marcantes é ver uma ideia ganhar forma. Quando as ativações entram em operação, o público percorre jornadas planejadas e interage com narrativas construídas para comunicar um conceito.

Acompanhar o projeto desde o briefing até a execução e observar a resposta das pessoas em tempo real evidencia se a estratégia está funcionando.

- 3. Mensagem

Busque repertório criativo e explore diferentes formas de comunicação além do visual e do verbal, considerando a experiência como um todo.

A execução exige eficiência: muitas vezes, o resultado depende mais de como o projeto é realizado do que dos recursos disponíveis.

PAULO OCTAVIO

Diretor Executivo na UBRAFE e Managing Partner na Live Marketing Consultoria

- 1. Trajetória

Eu não escolhi eventos, os eventos me escolheram.

Sou formado em Administração e meu objetivo inicial era trabalhar com marketing, o que fiz por quase 10 anos na Unilever. Nesse período, tive contato com o que, na época, era chamado de BTL (below the line), que incluía todas as ações fora da publicidade tradicional.

A partir dessa experiência, identifiquei que meu perfil — voltado a planejamento, atenção a detalhes, persistência e curiosidade — estava alinhado à organização de eventos. Esse reconhecimento também veio de colegas da época, que apontavam essa aptidão, o que contribuiu para minha permanência na área.

- 2. Momento marcante

Um dos momentos mais marcantes foi a EXPO RETOMADA, realizada em 2021. O evento foi organizado sem fins lucrativos, com o objetivo de demonstrar a relevância dos eventos presenciais na conexão entre pessoas, inovação e colaboração.

A EXPO RETOMADA foi o primeiro evento presencial a obter alvará na fase final da pandemia de COVID-19 no Brasil, evidenciando que, com protocolos adequados, era possível retomar atividades presenciais com segurança.

- 3. Mensagem

É necessário ampliar o papel do profissional de eventos, saindo de uma atuação focada apenas na execução para uma atuação estratégica.

O direcionamento é atuar como catalisador de comunidades e propósitos, estruturando eventos que gerem conexão, continuidade e valor além da entrega operacional.

DENIS BEVACQUA

Advisor de Brand Experience, Events & Marketing Strategy

- 1. Trajetória

Eventos me escolheram antes de eu entender exatamente o que isso significava. No início, era sobre transformar um espaço em uma experiência. Com o tempo, entendi a profundidade da indústria e o papel estratégico que ela pode ter nos negócios.

Hoje, continuo porque eventos bem estruturados influenciam percepção, aceleram relações e ajudam na tomada de decisão. No contexto corporativo, onde confiança e relacionamento são determinantes, poucos formatos geram tanto valor em pouco tempo.

Isso fica mais evidente com empresas digitais, inclusive de tecnologia e IA, direcionando parte relevante de suas estratégias para experiências presenciais. O foco deixou de ser físico ou digital e passou a ser integração entre os dois.

Atuo nessa interseção entre estratégia, branding e experiência, com projetos que tratam evento como alavanca de negócio.

- 2. Momento marcante

Um momento marcante foi quando percebi que um evento pode ir além da própria execução e influenciar o mercado. As conversas, decisões e posicionamentos de empresas passaram a refletir o que acontecia dentro daquele ambiente.

Isso mostrou que um evento bem estruturado não apenas reflete o mercado, mas contribui para moldá-lo.

Outro ponto foi entender que, em um cenário de excesso de informação, as pessoas buscam conexão, pertencimento e contexto. Eventos bem desenhados conseguem entregar isso de forma mais completa do que o digital isolado.

A partir disso, passei a tratar eventos como extensão da estratégia da empresa, com impacto direto em posicionamento, geração de demanda e relacionamento de longo prazo.

- 3. Mensagem

O nível de exigência do mercado aumentou. Entregar uma boa experiência passou a ser o básico.

Eventos têm impacto direto em posicionamento, geração de demanda, retenção e construção de comunidade. No presencial, a relação evolui de contato para pertencimento, o que altera a forma como marcas se conectam com seu público.

Os projetos mais relevantes hoje são estruturados como sistemas contínuos de relacionamento e não como ações isoladas. Isso exige uma atuação mais estratégica.

O evento continua após sua execução, nos relacionamentos gerados, na percepção construída e nas decisões influenciadas.

FELIPE SILVA

Diretor de operações na Union Mind Eventos & Comunicação

- 1. Trajetória

O mercado de eventos é desafiador, com projetos variados que exigem adaptação rápida, soluções criativas e planejamento operacional.

O que me faz continuar é a velocidade das entregas e a possibilidade de impactar a experiência de milhares de pessoas em cada projeto.

- 2. Momento marcante

Todo evento tem seu peso, independentemente da complexidade. Destaco dois momentos em cada entrega: a abertura de portas e o encerramento.

São fases de alta tensão operacional, que concentram validação de tudo que foi planejado e execução final do projeto.

- 3. Mensagem

O setor movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano no Brasil, resultado direto do trabalho de profissionais e fornecedores que operam sob pressão e mantêm consistência na entrega.

A execução depende de estratégia, alinhamento e parceria entre todos os envolvidos. Estar na linha de frente dessa operação é parte central da construção de resultados no setor.

FABIA TANABE

Presidente da MPI BRAZIL | Coordenadora de Marketing HUESKER BRASIL

- 1. Trajetória

Escolhi trabalhar com eventos pela capacidade de conectar pessoas e gerar trocas que constroem relações. Sempre me motivou participar da criação de experiências que aproximam e engajam.

Hoje, na atuação em marketing, vejo eventos como ferramenta estratégica: posicionam marca, atraem o público certo, fortalecem networking e contribuem para construção de autoridade. Essa combinação entre conexão, estratégia e resultado sustenta minha continuidade no setor.

- 2. Momento marcante

Não é um único evento, mas as pessoas que influenciaram minha trajetória.

Comecei nos anos 90, em Londrina, com Mity Shiroma, na MityEventos, dentro do Grupo Sansey Cultural, atuando em produções de shows e festivais da comunidade nipo-brasileira. Esse início estruturou minha entrada no setor e consolidou a possibilidade de carreira em eventos.

Ao longo do tempo, tive como mentora Vanessa Martin, que contribuiu com direcionamento estratégico e desenvolvimento profissional, ampliando minha visão sobre o impacto dos eventos.

Essas referências foram determinantes na minha formação e evolução dentro do mercado.

- 3. Mensagem

Minha mensagem é um convite ao protagonismo.

Precisamos nos posicionar como profissionais estratégicos dentro das empresas, ampliando a atuação para além da execução. Eventos são ferramentas de negócio, com impacto direto em posicionamento, relacionamento, autoridade e resultados.

Cada projeto exige intencionalidade clara: objetivo, público, contexto, timing e impacto esperado. Quando esses critérios estão definidos, o evento deixa de ser uma ação isolada e passa a integrar a estratégia.

Assumir esse papel fortalece a área e amplia a relevância dos eventos na geração de valor.

JUAN PABLO

CEO na DIEX MIDIA e XPLATINA

- 1. Trajetória

Comecei minha jornada no setor de eventos como uma continuidade no mercado publicitário. Me motivou a possibilidade de atuar em uma indústria que cria experiências, conecta pessoas, gera engajamento e compartilha conhecimento.

Também pesa o impacto direto: eventos contribuem para transformar comunidades, atrair investimentos e movimentar o desenvolvimento econômico de cidades e países.

- 2. Momento marcante

Foram vários momentos, mas destaco a satisfação de ver pessoas atingindo seus objetivos dentro dos eventos.

Quando um expositor ou participante se emociona ao participar ou ao ver sua empresa em destaque, isso valida todo o processo. Ver o público aproveitando algo que levou meses ou anos de preparação é um dos retornos mais concretos do trabalho.

- 3. Mensagem

Para os profissionais mais experientes, o foco deve ser compartilhar conhecimento e formar quem está chegando ao setor.

Para quem está começando, é necessário persistência e disposição para aprender continuamente, já que o mercado evolui de forma constante.

A consistência na atuação, com ética, responsabilidade, dedicação e compromisso, é o que sustenta crescimento e resultado ao longo do tempo.

LUANA NOGUEIRA

Diretora executiva da ALAGEV e membro do conselho de turismo da FECOMERCIOSP

- 1. Trajetória

Eu fui escolhida pelo universo dos eventos. Recebi a responsabilidade de fazer acontecer e encontrei aderência com a crença no poder dos encontros.

Eventos conectam pessoas, histórias e propósitos que dificilmente se encontrariam em outros contextos. Essa capacidade de gerar impacto, movimentar negócios e criar experiências relevantes foi o que me trouxe para o setor.

O que me mantém é a dinâmica da entrega: a resposta do público, a execução sob pressão e a necessidade constante de adaptação. Esses fatores tornam cada projeto único e mantêm a evolução contínua na área.

- 2. Momento marcante

Um momento marcante foi a entrega do LACTE, considerado um dos principais encontros do setor.

Nesse contexto, observei profissionais de diferentes perfis se conectando, gerando negócios e criando oportunidades dentro de um ambiente planejado para isso.

A execução mostrou que eventos não se limitam à operação logística. Quando bem estruturados, criam pertencimento e influenciam trajetórias profissionais.

- 3. Mensagem

A atuação em eventos envolve trabalho técnico e execução sob pressão, muitas vezes com entregas que não são visíveis para o público final, mas são determinantes para o resultado.

Manter consistência, criatividade e clareza de propósito contribui para a evolução profissional e para a qualidade das entregas.

Cada projeto traz aprendizado e exige adaptação, o que sustenta o desenvolvimento contínuo no setor.

JULIA MARCHIORO

Coordenadora de Eventos e Logística na Dagaz Convention & Incentive Travel

- 1. Trajetória

Comecei em eventos sem planejar, bem nova, logo aos 18 anos, no meu primeiro emprego CLT, por indicação de família — minha tia trabalhava em uma agência de viagens com foco corporativo e eventos. E, a partir daí, nunca mais saí.

Hoje, depois de 10 anos nesse mercado intenso, dinâmico e cheio de energia, posso dizer com certeza que eventos é a minha profissão.

- 2. Momento marcante

O que mais me marca é a parceria entre as pessoas. Eventos são feitos de gente, e sigo me surpreendendo com profissionais que aparecem prontos para resolver problemas e fazer acontecer.

Em um dos eventos mais desafiadores que já fiz, no meio de imprevistos, pressão e exaustão, houve um momento em que pensei em desistir. Foi quando um dos staffs — que hoje é um grande amigo — se colocou à disposição e estendeu a mão para ajudar.

Essa atitude mudou o rumo da situação e reforçou algo importante: mesmo nos momentos mais difíceis, alguém pode contribuir diretamente para que o evento aconteça.

- 3. Mensagem

Busquem equilíbrio. A rotina envolve pressão, mudanças constantes e necessidade de adaptação, o que exige atenção à saúde mental.

Criar formas de lidar com esse nível de exigência e manter por perto pessoas que apoiam e contribuem faz diferença na continuidade da atuação no setor.

TATIANE FIGUEIREDO

Professora e coordenadora de pós-graduação na ESPM, professora e orientadora acadêmica no MBA ECA USP e Head de eventos globais & experiência do cliente na Seven.E

- 1. Trajetória

Foram os eventos que me escolheram. Quando comecei a organizar meus primeiros projetos, me chamou atenção a possibilidade de transformar estratégia em experiência e encontros em conexões com impacto.

Ao longo da trajetória, entendi que eventos não se limitam à logística e operação. Eles constroem significado, reputação, geram negócios e conectam pessoas.

Cada projeto traz aprendizado, inovação e a responsabilidade de entregar valor real. É uma área que exige excelência técnica e sensibilidade na mesma medida, e isso sustenta minha permanência no setor.

- 2. Momento marcante

É difícil apontar um único momento, especialmente após experiências em eventos internacionais. Um dos mais marcantes é o instante anterior ao início do evento, quando a operação é finalizada e o ambiente entra em silêncio.

Esse momento concentra todo o processo anterior — negociação, estratégia, alinhamento de equipes — e evidencia o papel do gestor como responsável por transformar esse planejamento em experiência para o público.

Mesmo em projetos de grande escala, esse ponto revela que, por trás da complexidade, existe uma entrega centrada em pessoas.

- 3. Mensagem

Trabalhar com eventos exige foco em pessoas. Antes da execução, existe a relação humana que sustenta o projeto.

A atuação combina estratégia, operação e capacidade de escuta. Manter sensibilidade, cuidado com as relações e consistência na entrega impacta diretamente o resultado.

O diferencial do profissional está na capacidade de conectar, entender o contexto e executar com qualidade, mantendo o foco na experiência do público.

EDUARDO FREZARIN

CEO da Yazo

- 1. Trajetória

O que me levou para eventos foi a possibilidade de conectar pessoas, ideias e oportunidades. Evento é o ambiente onde relações se formam, confiança se constrói, decisões são tomadas e negócios acontecem.

O que me faz continuar é acompanhar o impacto direto que um evento gera na vida das pessoas e nas empresas.

- 2. Momento marcante

Dois momentos marcaram minha trajetória. O primeiro foi durante o VTEX DAY 2022, na palestra de Lewis Hamilton, ao ver milhares de pessoas utilizando soluções desenvolvidas pela Yazo.

O segundo foi na abertura do RD Summit 2022, ao perceber que, por meio da mobLee, participamos da construção de um dos eventos que influenciaram o desenvolvimento do setor no Brasil.

Esses momentos evidenciam o impacto de uma ideia quando executada em escala.

- 3. Mensagem

Eventos geram impacto direto em pessoas, empresas e mercados, além de contribuírem para o crescimento econômico.

A atuação exige dedicação, adaptação e entendimento de contexto. A qualidade da entrega depende da capacidade de criar conexões reais e reconhecer que cada projeto envolve a confiança de quem participa.

MAYARA ANGELI

Presidente do IDESTUR e diretora administrativa da Angeli Feiras e Eventos

- 1. Trajetória

Eu entrei no setor em 2006, quando meu pai idealizou o FITCataratas. Comecei como estagiária, sem dimensão do tamanho do projeto.

Com o tempo, fui assumindo mais responsabilidades, principalmente pela facilidade em resolver problemas e pensar ações, especialmente no marketing. Isso me fez permanecer e entender que evento vai além da operação.

O que me mantém hoje é perceber que eventos atendem a uma necessidade direta das pessoas: estar junto, encontrar quem busca os mesmos objetivos e, a partir disso, gerar movimento e resultado.

- 2. Momento marcante

Um momento marcante foi quando um jovem que participou do Hackatour Cataratas me procurou para agradecer. Ele contou que, após o evento, decidiu desenvolver soluções tecnológicas, criou aplicativos, abriu a própria empresa e passou a atuar no mercado.

Isso evidencia que o impacto do evento continua após a sua realização.

Outro momento foi durante a pandemia. Mesmo com a paralisação do setor, participantes passaram a solicitar a realização do evento, ainda que em outro formato ou com público reduzido.

O evento foi realizado seguindo protocolos de biossegurança e sem registro de casos de COVID relacionados. Esse contexto mostrou que o evento atende a uma necessidade concreta de conexão e continuidade de negócios.

- 3. Mensagem

A atuação exige coragem para testar novas ideias e resiliência para lidar com limitações de recurso e cenários adversos.

A continuidade no setor está diretamente ligada à capacidade de sustentar a entrega mesmo em contextos difíceis.

O principal critério de valor está no impacto gerado, especialmente quando o evento contribui para mudanças reais na trajetória das pessoas.

ENID CAMARA

CEO da Prática Eventos e Presidente da ABEOC Brasil

- 1. Trajetória

Escolhi os eventos há 32 anos pela capacidade de conectar pessoas e transformar realidades.

O que me faz continuar, após mais de 1.600 eventos realizados com a Prática Eventos, é a possibilidade de inovar continuamente e acompanhar a evolução e profissionalização do setor.

A atuação na ABEOC Brasil reforça esse propósito, ao contribuir diretamente para o desenvolvimento do ecossistema de eventos.

- 2. Momento marcante

Um momento relevante é a atual liderança da ABEOC Brasil, entidade que completará 50 anos em 2027. A presidência marca também a representatividade como primeira mulher nordestina no cargo.

Outro marco é a realização do Congresso COCAL 2026, que volta ao Brasil após 11 anos e a Fortaleza após 34 anos.

O evento reunirá profissionais latino-americanos nos dias 1, 2 e 3 de julho de 2026, no Centro de Eventos do Ceará, posicionando o país no debate internacional do setor MICE.

- 3. Mensagem

A evolução do setor depende de qualificação contínua, visão estratégica, ética e atuação coletiva por meio do associativismo.

Eventos exigem profissionais preparados para viabilizar negócios e gerar conhecimento, com foco em excelência e desenvolvimento constante das empresas e da própria indústria.


GIOVANA BRIANTI

Co-founder & Head de Relacionamentos e Canais na Yazo

- 1. Trajetória

Fui “picada pelo bichinho dos eventos” aos 19 anos. Comecei no entretenimento, gerenciando bares em festas e eventos, atuando diretamente na operação e como bartender.

Foi nesse contexto que me envolvi com a criação e execução de experiências, entendendo como reunir pessoas, gerar engajamento e conexões a partir de uma ideia.

O que me faz continuar é contribuir com um setor que impacta diferentes áreas e gera efeitos diretos e indiretos na vida das pessoas.

- 2. Momento marcante

Um momento marcante foi ver milhares de pessoas utilizando a tecnologia da Yazo no RD Summit pela primeira vez.

Esse cenário validou a utilidade da solução dentro de um evento reconhecido pela qualidade de execução no setor corporativo.

- 3. Mensagem

Manter o foco em servir orienta a qualidade da entrega.

A execução de eventos depende diretamente da capacidade de entender as pessoas envolvidas e atender às suas necessidades dentro do contexto do projeto.

VANESSA CHIARELLI

Diretora Executiva na Bop Comunicação Integrada

- 1. Trajetória

Eu escolhi eventos desde pequenininha, porque sempre gostei de organizar tudo. Era a pessoa que arrumava as coisas das festinhas, dos encontros de família, de qualquer coisa.

Com o tempo, fui prestando atenção em quem estava trabalhando nos eventos, via os rádios, a operação acontecendo, e aquilo foi ficando cada vez mais claro pra mim. Eu sabia que queria trabalhar organizando encontros, organizando experiências.

O que me faz continuar é saber que somos nós que entregamos experiências, muitas vezes inesquecíveis. Sem os profissionais de eventos, muita coisa que as pessoas vivem simplesmente não aconteceria.

- 2. Momento marcante

Um momento muito marcante foi a entrega do Oasis Connection.

Foi um projeto com muitas variáveis, muito planejamento, busca por parceiros e construção de um evento proprietário daquela magnitude. Nem é sobre o tamanho, mas sobre o nível de detalhe, a agenda, o cuidado com cada ponto.

Foi uma entrega que marcou todo o time.

- 3. Mensagem

Não é fácil. Quanto mais o tempo passa, mais eventos surgem e mais o nível de exigência aumenta. A demanda por experiência só cresce.

Ainda é uma profissão que nem sempre é valorizada como deveria, mas tem algo que diferencia quem está aqui: a paixão. A vontade de entregar algo que faça sentido para as pessoas.

A gente trabalha muito, enfrenta pressão, mas quer ver o público feliz, satisfeito.

Então, a mensagem é seguir. Não desistir. Porque é uma área que exige muito, mas também constrói coisas que realmente importam — e esse reconhecimento tende a crescer.

FERNANDO RUAS

CEO da Francal e vice-presidente da UBRAFE

- 1. Trajetória

Eu vim da indústria, trabalhei muitos anos participando de feiras e eventos de negócios como cliente. Isso sempre fez parte da minha rotina.

A virada foi a possibilidade de estar do outro lado, atuando na organização. E o que me conectou de verdade foi entender o impacto disso tudo.

No caso dos eventos de negócios, estamos falando de algo que movimenta a economia, gera emprego, impulsiona empresas e cadeias produtivas. Isso é o que mais me faz continuar: trabalhar com algo que tem propósito e gera resultado concreto, para além da própria entrega do evento.

- 2. Momento marcante

Sem dúvida, a retomada pós-pandemia.

Foi um período muito difícil, porque ficamos impedidos de realizar eventos e, quando voltamos, tivemos que entregar projetos com custo alto, sem o faturamento correspondente naquele momento — já que muitos contratos tinham sido pagos antes da pandemia.

Foi uma operação complexa, que envolveu decisões estratégicas, financeiras e execução sob pressão. E, ainda assim, conseguimos entregar com alto nível.

O mais marcante foi ouvir dos clientes que os eventos estavam ajudando a retomar negócios, gerar vendas e trazer perspectiva de crescimento depois de um período tão crítico.

- 3. Mensagem

Não sejam apenas profissionais de eventos.

Busquem entender profundamente os clientes, os setores em que atuam e como funcionam suas cadeias produtivas. Participar desse ecossistema permite tomar decisões mais alinhadas às necessidades reais.

O evento não é o fim, é um meio. O protagonismo está no cliente e no resultado que ele precisa alcançar. A função do profissional de eventos é estruturar essa entrega de forma estratégica.

RAFAEL SABOIA

CEO da Frezarin Eventos

- 1. Trajetória

Entrei no setor há 17 anos com a vontade de fazer algo diferente. Comecei, me envolvi e segui na área desde então.

O que me faz continuar é o desafio constante de cada projeto e a necessidade de inovar todos os dias para alcançar melhores resultados.

- 2. Momento marcante

Um dos momentos mais marcantes foi o início da pandemia.

Em cerca de 15 dias, a empresa precisou se reinventar completamente e sair da zona de conforto para continuar operando. Foi um período de incerteza, que exigiu adaptação rápida e tomada de decisão sob pressão.

Essa capacidade de reação foi determinante para a continuidade do negócio.

- 3. Mensagem

Para quem está na linha de frente ou nos bastidores, planejando e executando cada detalhe: o trabalho realizado é essencial para que tudo aconteça.

O desenvolvimento do setor está diretamente ligado às pessoas envolvidas. Investir em equipes e reconhecer esse papel faz diferença no resultado das operações.