O banco Itaú lançou na manhã desta quinta-feira o Itaúbrasil, plataforma de eventos que tem como objetivo enaltecer e difundir o que o país tem de melhor. Esse ano, o Itaúbrasil presta uma homenagem aos 50 anos da Bossa Nova. A âncora do projeto será uma mega exposição tecnológica na Oca do Ibirapuera, a maior e mais moderna já realizada no mundo sobre o tema, que transportará o público para o momento da criação do estilo que projetou a música brasileira internacionalmente.
A exposição terá as assinaturas de Marcello Dantas, artista que ajudou a criar o Museu da Língua Portuguesa, e do videomaker e ensaísta Carlos Nader. A programação, com início em julho, inclui ainda dois shows concebidos especialmente para a ocasião – a união inédita de Roberto Carlos e Caetano Veloso em homenagem a Tom Jobim e o encontro de jovens artistas para celebrar João Donato -, além dos quatro shows históricos e exclusivos que marcam a volta de João Gilberto aos palcos brasileiros após cinco anos. O início da venda de ingressos será anunciado em breve.
O Itaúbrasil terá programação anual com formato e tema variáveis a cada edição. O evento tem caráter múltiplo e pode abraçar uma disciplina diferenciada, seja música, artes plásticas, esportes, artes cênicas, cinema ou qualquer outra forma significativa de manifestação cultural do Brasil.
Na realidade, o Itaúbrasil 2008 começou a ser implantado com o concerto dedicado à bossa nova realizado na Praia de Ipanema (RJ), no dia 01 de março, reunindo 60.000 pessoas, seguido pelo show ‘Novas Bossas’, de Milton Nascimento e Jobim Trio, que, em abril e maio, percorreu as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.
O time de curadores do Itaúbrasil é formado por renomados profissionais ligados a cultura: o escritor e produtor musical Nelson Motta, o musicólogo e crítico musical Zuza Homem de Mello, o antropólogo Hermano Vianna, o músico Zé Nogueira, o jornalista Hugo Sukman, o designer e documentarista Marcello Dantas, o videomaker e ensaísta Carlos Nader e o produtor musical Pedro Albuquerque. A cineasta Susana de Moraes atuou como consultora. Completa o grupo a cineasta e produtora cultural Monique Gardenberg, cuja empresa, Dueto, assina a produção do evento. A realização é do próprio Banco Itaú.
“Ao longo de mais de seis décadas de existência, o Itaú cresceu e se consolidou a partir de objetivos empresariais precisos e firmes princípios éticos. Acreditamos que a responsabilidade das empresas é realizar resultados econômicos e sociais atuando em favor do progresso material e do bem-estar da sociedade, com visão de cidadania empresarial”, afirma Antonio Matias, vice-presidente do Banco Itaú. “Desejamos difundir cada vez mais os aspectos nos quais o país se destaca e é referência. Com o Itaúbrasil, queremos que a sociedade brasileira conheça e se orgulhe dos nossos diferenciais como nação”, complementa.
Este ano, o Banco Itaú deu continuidade ao apoio a importantes manifestações populares em todo o Brasil, com o propósito de valorizar as iniciativas das comunidades onde atua e incentivar o desenvolvimento social e cultural dessas localidades. Por exemplo, em fevereiro, dois importantes e tradicionais eventos contaram com o apoio do banco: a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, no Rio Grande do Sul, terceira maior festividade religiosa do País, que contou com a participação do Itaú pelo 28º ano consecutivo; e o Carnaval de Salvador, a maior manifestação popular do mundo, de acordo com registro no Guiness Book.. Em março, foi a vez da 17ª edição do Festival Internacional de Teatro de Curitiba. Pelo oitavo ano consecutivo, o Itaú foi o patrocinador oficial desse que é o maior evento das artes cênicas do País.
Exposição tecnológica promoverá uma experiência sensorial
O evento-âncora do Itaúbrasil é a mega exposição tecnológica que ocupará por dois meses a Oca do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a partir de 07 de julho. Com direção de Marcello Dantas, artista responsável pelo Museu da Língua Portuguesa, e do premiado videomaker Carlos Nader, a exposição tem como objetivo não apenas contar a história da bossa nova, mas apresentar ao espectador uma vivência do universo em que o gênero musical foi criado, através de acervos audiovisuais, depoimentos e performances musicais históricas, muitas delas inéditas. O público poderá interagir com muitos dos recursos tecnológicos de última geração. “Será uma experiência sensorial”, promete Dantas.
“O Itaúbrasil apresenta uma exposição que comemora os 50 anos de um movimento cultural que criou um ritmo e uma idéia. O ritmo lida com as raízes sonoras mais profundas do país e as transforma numa música moderna, rica, sofisticada e feliz, que alcançou sucesso sem precedentes na história da música brasileira. A idéia é que o Brasil pode ser esta música”, define Nader.
A interatividade surgirá em diversos momentos da exposição, como os jukeboxes, nos quais o visitante pode ouvir uma seleção de composições da bossa nova, incluindo várias versões de uma mesma música ou canções menos conhecidas criadas no auge do movimento.
Na visão dos curadores, a própria Oca traduz e incorpora muito da linguagem da bossa nova, graças à arquitetura de Oscar Niemeyer, cujas linhas leves e sinuosas lembram a musicalidade do gênero. Ao invés de paredes, cordas de violão (nylon) delimitarão os espaços e os fluxos. Recriações livres de locais fundamentais da bossa nova estarão ali presentes.
A exposição traz também uma linha do tempo, que relembra os fatos históricos mais marcantes do período em que a bossa nova nasceu, além de apresentar uma seleção de obras do próprio acervo de artes visuais do Itaú relacionadas ao contexto da época.
Roberto Carlos & Caetano Veloso cantam a obra de Tom Jobim
O Itaúbrasil promove o encontro inédito entre Roberto Carlos e Caetano Veloso, em homenagem a Tom Jobim. Serão três únicas apresentações: dia 15 de agosto, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e nos dias 25 e 26 de agosto, no Auditório Ibirapuera. “Pela primeira vez na história, dois cantores e ídolos da música popular brasileira se reúnem em tributo ao maestro soberano. Roberto Carlos e Caetano Veloso dividem o palco por conta da música de Antonio Carlos Jobim”, celebra Zuza Homem de Mello.
A bossa nova é um dos pilares da formação musical de Caetano Veloso, que declara ter optado definitivamente pela carreira após ouvir a gravação de João Gilberto de ‘Chega de Saudade’. Roberto Carlos começou a carreira cantando bossa nova e já dividiu o palco com Tom Jobim na histórica gravação de ‘Lígia’.
O concerto inédito terá direção geral de Monique Gardenberg e Felipe Hirsch, cenografia de Daniela Thomas e iluminação de Beto Bruel. Jaques Morelenbaum assina a direção musical e arranjos e comandará uma orquestra de 21 músicos e uma banda formada por Daniel Jobim (piano), Lula Galvão (violão), Jorge Helder (contrabaixo), Paulo Braga (bateria) e Carlos Malta (sopros).
Miúcha & Os Cariocas
O projeto Itaúbrasil prevê ainda um show com Miúcha & Os Cariocas, cuja turnê percorrerá sete capitais brasileiras, fora do eixo Rio e São Paulo. Datas e locais serão anunciados em breve. Homenagem a João Donato - Além de reverenciar os dois principais expoentes da bossa nova, João Gilberto e Tom Jobim, o Itaúbrasil quer recuperar a importância de João Donato dentro do cinqüentenário do gênero. “João Donato é um dos fundadores da moderna música brasileira que nasce com a bossa nova. Criador de um originalíssimo estilo de compositor, tornou-se um culto entre os melhores músicos e criadores de diversas gerações”, sintetiza Nelson Motta, autor do roteiro do tributo.
A homenagem a João Donato reunirá novos intérpretes da música brasileira, com direção musical e arranjos de Mario Adnet. Os concertos acontecem nos dias 08 e 09 de julho no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, e no dia 11 de julho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O elenco inclui Adriana Calcanhotto, Bebel Gilberto, Fernanda Takai, Marcelo Camelo, Marcelo D2 e Roberta Sá, que apresentarão novas versões para clássicos de João Donato, acompanhados pela Orquestra Ouro Negro.
João Gilberto retorna aos palcos brasileiros
A volta de João Gilberto aos palcos brasileiros, depois de cinco anos, em shows exclusivos, é uma das atrações do Itaúbrasil. Serão apenas quatro apresentações de um dos maiores ícones da Bossa Nova: dias 14 e 15 de agosto, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo; dia 24 de agosto, no Theatro Municipal carioca; e dia 5 de setembro, no Teatro Castro Alves, em Salvador.
“O desenvolvimento sustentável de uma nação não pode prescindir da valorização de sua cultura, do mesmo modo que a celebração dos 50 anos da bossa nova não pode prescindir da presença de João Gilberto. Dessa forma, o Itaú presta sua homenagem tanto à música que ajudou a projetar a arte brasileira no exterior quanto ao gênio deste artista único”, destaca Antonio Matias, vice-presidente do Banco.
Este ano, estão previstos apenas oito shows de João Gilberto, incluindo os quatro concertos que serão realizados no Brasil. No dia 22 de junho, ele faz show único no Carnegie Hall, em Nova Iorque, e, em novembro, três apresentações no Japão. “João cria uma sensação de levitação com a voz e o violão. Assim, ele tornou possível o samba brasileiro no mundo”, afirma Zuza Homem de Mello. “João Gilberto é a bossa nova em pessoa”, arremata Nelson Motta.
Curadores
Monique Gardenberg - A Dueto Produções foi fundada em 1982, pelas irmãs Sylvia e Monique Gardenberg, com o objetivo de organizar e administrar carreiras de artistas como Djavan e Marina Lima. Em 1985, a Dueto criou o Free Jazz Festival, tornando-se umas das principais produtoras culturais do país. Dois anos depois, passou a realizar o Carlton Dance Festival. A partir de 1993, investiu nos grandes shows internacionais, sendo responsável pela vinda de Madonna, Rolling Stones, Elton John, Bob Dylan, Lou Reed e Oasis, entre outros. Em 2001, nasceu o Tim Festival, dando seqüência ao evento musical mais duradouro e importante do Brasil.
Zuza Homem de Mello - Zuza Homem de Mello é musicólogo, jornalista, radialista e produtor musical. Em 1954, ingressou na Faculdade de Engenharia da PUC-SP, não chegando a completar o curso. Estudou na Juilliard School of Music de Nova York (musicologia), na School of Jazz de Tanglewood, Massachussets e na New York University (literatura inglesa), nos Estados Unidos, em 1957 e 1958. São mais 40 anos dedicados ao garimpo e estímulo do que há de melhor na produção nacional. É também um dos curadores do Tim Festival.
Nelson Motta
Nelson Motta se autodefine como um falso carioca, nascido em São Paulo, em 1944. É jornalista, compositor, escritor, roteirista e produtor musical. Autor de canções de sucesso como Dancing Days (com Ruben Barra) e Como uma onda (com Lulu Santos), Nelsinho integrou durante oito anos a mesa do programa Manhattam Connection, da GNT/Globosat. É dele o best-seller Noites Tropicais, que vendeu mais de 75 mil cópias. Escreveu também O som e a fúria de Tim Maia, O canto da sereia, Nova York é aqui, entre outros.
Carlos Nader - Carlos Nader nasceu em São Paulo, em 1964. Desde 1992, vem dirigindo vídeos que já foram premiados e exibidos por museus, centros culturais e veiculados nos principais canais de TV do planeta. Entretecendo linguagens que vão do documentário clássico à videoarte, Carlos Nader é acima de tudo um ensaísta. Entre seus temas principais estão a questão da identidade, a sensação do tempo e a relação do homem com a câmera.
Marcello Dantas - Marcello Dantas é reconhecido designer e curador de exposições e diretor de documentários desde 1986. Formado em Cinema e Televisão pela New York University, e pós-graduado em Telecomunicações Interativas pela mesma universidade. Seus trabalhos se concentram na potencialização de conteúdos históricos com uma gramática altamente imersiva onde a sensorialidade e a percepção são enfatizadas. Sua atividade é amplamente multidisciplinar onde os trabalhos artísticos, curadoria, a direção e a produção se convergem em áreas diversas, mas norteadas pelo encontro da Arte com a Tecnologia. Assinou a curadoria de exposições de Bill Viola, Gary Hill, Jenny Holzer, Shirin Neshat, Laura Vinci, Tunga, Peter Greenaway, Ângelo Venosa, Arthur Omar e Anish Kapoor. Em 2006, Dantas inaugurou o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo.
Hugo Sukman - Hugo Sukman é jornalista e crítico de música. Foi durante cinco anos crítico do Jornal do Brasil e, por dez anos, repórter, editor e crítico do jornal O Globo. Atualmente colabora para diversas publicações e dirige a comunicação da Fundação Roberto Marinho e do Canal Futura. Autor de Heranças do samba (2003) e da biografia de Moacir Santos (in Cancioneiro Moacir Santos, 2004).
Hermano Vianna - Hermano Vianna é doutor em antropologia pelo Museu Nacional da UFRJ. Publicou os livros ‘O Mundo Funk Carioca’ e ‘O Mistério do Samba’ (este já traduzido para inglês, italiano e japonês), além de ter sido organizador da coletânea Galeras Cariocas. Já colaborou com inúmeros jornais e revistas regionais, nacionais e internacionais. Foi curador nacional do projeto Rumos Música, do Itaú Cultural. Foi criador dos seguintes programas já exibidos na televisão: Programa Legal (TV Globo), Brasil Legal (TV Globo), African Pop (TV Manchete), Além-Mar (GNT e TVE), dentre vários outros. Atualmente cria o Central da Periferia , da TV Globo. Fez/faz curadoria para os festivais de música Carlton Artes, Percpan e Tim Festival e coordena o website Overmundo.
Zé Nogueira - É constantemente citado como o único brasileiro que toca exclusivamente o sax soprano. Mas domina também teclado e flauta, que começou estudando aos 15 anos. Passou pelos bancos do Conservatório Brasileiro de Música, da Escola Nacional de Música da UFRJ e da Berklee College of Music, em Boston (EUA). Estreou em 1975, tocando sax na peça ‘Gota d’Água’, de Chico Buarque. Durante anos, tocou em discos e shows de figuras do primeiro time da música brasileira. Como produtor musical, esteve à frente de trabalhos de Djavan, Victor Biglione, Leny Andrade e Ney Matogrosso. Nos bastidores do Tim Festival, participa desde seu início como assessor artístico.
Pedro Albuquerque - Pedro Albuquerque cresceu ouvindo música. Filho do saudoso produtor e diretor musical Paulo Albuquerque, ele herdou a curiosidade e o rigor artístico do pai. Adquiriu sua experiência profissional com montagem de acervos musicais de importantes livrarias cariocas. Através deste trabalho, Pedro Albuquerque aprofundou seu conhecimento, mantendo-se atualizado das principais tendências musicais ao redor do mundo. Desde 2007 integra a equipe de curadores do Tim Festival.

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