Nova norma de segurança para eventos exige qualificação, gestão estratégica e visão integrada de riscos

Camilo D'Ornellas debateu os impactos da Lei 14.967/24 no setor de eventos, destacando a necessidade de uma gestão estratégica e integrada da segurança.
Painel - Nova Norma do Governo de Segurança para Eventos, do Físico ao Mental Camilo D'Ornellas analisa os impactos da nova legislação

Painel no Fórum Eventos 2026 debateu os impactos da Lei 14.967/24 e as novas responsabilidades para organizadores e equipes especializadas

As transformações no setor de eventos e os novos desafios relacionados à segurança física, operacional e emocional do público foram o ponto central do painel “Nova Norma do Governo de Segurança para Eventos, do Físico ao Mental”, realizado durante o Fórum Eventos 2026. A apresentação foi conduzida por Camilo D'Ornellas, que analisou os impactos da nova legislação e a necessidade de uma atuação mais estratégica e integrada na gestão de riscos em eventos.

Segundo D’Ornellas, a segurança deixou de estar associada apenas ao controle e à vigilância para assumir um papel mais estratégico e humanizado dentro dos eventos. Ele destaca que transmitir confiança é parte central desse processo, que exige uma visão sistêmica integrada, capaz de antecipar cenários de risco e proteger não apenas a integridade física do público, mas também a reputação e a sustentabilidade do negócio.

Segurança não é uma soma matemática. No cenário atual, ela depende de uma visão sistêmica integrada, baseada em inteligência, planejamento, análise de dados e percepção de risco. É preciso entender quem pode gerar um risco, de que forma isso pode acontecer e quais impactos isso pode trazer para a operação e para a reputação do evento”, destaca.

Entre os principais pontos debatidos no painel esteve a regulamentação trazida pela Lei 14.967/24, que estabelece novas exigências para a realização de eventos no Brasil. A norma determina que os organizadores devem apresentar um projeto de segurança detalhado, contar com um responsável técnico qualificado e atender a critérios mais rigorosos de fiscalização por parte da Polícia Federal.

A nova legislação também redefine a estrutura operacional da segurança em eventos por meio de um modelo tridimensional. Nesse formato, o gestor de segurança do evento atua como arquiteto da operação, o gestor da empresa de segurança assume a execução tática e o crowd manager passa a exercer o papel de especialista em comportamento de multidões e fluxo de público.

Durante a apresentação, D'Ornellas conduziu um exercício prático de crowd safety com a plateia para demonstrar como a percepção coletiva influencia diretamente situações de risco. Na dinâmica, a maioria dos participantes escolheu automaticamente a mesma saída do espaço, ignorando rotas alternativas disponíveis. “O planejamento de fluxo e evacuação precisa considerar comportamento humano, percepção e tomada de decisão em situações de pressão”, ressalta.

As mudanças na regulamentação elevam o nível de profissionalização do setor ao exigir maior qualificação técnica dos responsáveis pela segurança dos eventos. As alterações na lei exigem formação adequada do gestor de segurança, cursos específicos e cadastro regular junto à Polícia Federal, e ampliam a responsabilização de profissionais e organizadores em caso de falhas, reforçando que a segurança em eventos não pode mais ser conduzida de forma improvisada.

O futuro dos eventos passa necessariamente pela construção de ambientes mais seguros, preparados e estrategicamente planejados, integrando tecnologia, análise de dados e gestão humana para minimizar riscos e garantir experiências mais confiáveis para o público”, finaliza D’Ornellas.

O Fórum Eventos 2026 segue até o dia 12 de maio, no Villa Blue Tree, em São Paulo. Mais informações em: Fórum Eventos