O avanço das discussões sobre saúde mental no ambiente corporativo e mudanças regulatórias pautaram a palestra “Mapeamento de riscos psicossociais e da nova NR-1”, conduzida por Marina Pechlivanis, da plataforma Educação para Gentileza e Generosidade. A especialista abordou como empresas e lideranças precisam olhar com mais atenção para relações humanas, cultura organizacional e comportamentos dentro das equipes, especialmente diante da inclusão oficial dos riscos psicossociais no gerenciamento corporativo.
Para ela, situações antes naturalizadas dentro das empresas passaram a ganhar novos significados diante das atualizações regulatórias e das transformações sociais dos últimos anos. “Criamos um mundo em que todo mundo está sobrecarregado, hiperestimulado e emocionalmente exausto. E muitas vezes seguimos tratando isso como algo normal”, afirma.
A nova NR-1 amplia o olhar sobre saúde ocupacional ao incluir oficialmente os riscos psicossociais dentro do gerenciamento de riscos corporativos. A atualização da norma reforça a necessidade de as organizações desenvolverem mecanismos preventivos, monitoramento contínuo e ações estruturadas voltadas ao bem-estar dos colaboradores, considerando fatores como assédio, burnout, excesso de pressão, comunicação agressiva, sobrecarga de informação, desgaste emocional, conflitos interpessoais e relações improdutivas dentro das empresas.
Marina também chamou atenção para os impactos do excesso de estímulos e da hiperconectividade na saúde emocional das pessoas. Segundo ela, o fluxo constante de informações digitais, somado à chamada “economia da atenção”, tem provocado sobrecarga mental, dificuldade de concentração e um cenário de “infoxicação”, caracterizado pelo excesso de informação consumida diariamente. “O mundo nos conecta o tempo todo, mas também nos desconecta das relações humanas”, comenta.
Como contraponto aos riscos psicossociais, ela destacou os chamados comportamentos pró-sociais, associados a práticas que fortalecem vínculos, ampliam a colaboração e reduzem conflitos dentro das organizações. Nesse contexto, foram apresentados os indicadores Pró-Sociais 7PEGG, metodologia desenvolvida para medir aspectos comportamentais e relacionais dentro das empresas a partir de sete pilares: gentileza, generosidade, solidariedade, sustentabilidade, diversidade, respeito e cidadania. O objetivo da ferramenta é transformar aspectos subjetivos das relações humanas em indicadores capazes de apoiar diagnósticos organizacionais, estratégias de gestão e ações preventivas.
A metodologia considera quatro dimensões de avaliação: autoavaliação, percepção dos colegas de trabalho, liderança e organização. O cruzamento dessas informações permite mapear padrões de relacionamento, identificar pontos críticos e criar estratégias preventivas para ambientes corporativos mais saudáveis e colaborativos. Os primeiros diagnósticos obtidos a partir da aplicação da ferramenta mostram que muitas pessoas tendem a superestimar a própria percepção de gentileza, generosidade e respeito, enquanto avaliam colegas e ambientes de trabalho de forma mais crítica.
O encontro também marcou a apresentação da primeira empresa do setor de eventos certificada pela metodologia 7PEGG, a Bueno Arquitetura Cenográfica. Leila Bueno, sócia-diretora comercial da empresa, participou da apresentação e destacou a importância de investir em práticas relacionadas à retenção de talentos, fortalecimento de equipes e construção de ambientes corporativos mais equilibrados.
Para encerrar a apresentação, Marina reforçou que a nova NR-1 não deve ser vista apenas como obrigação regulatória, mas como oportunidade para repensar culturas organizacionais e promover ambientes mais humanos, respeitosos e sustentáveis. “Não existe uma ferramenta única que resolva tudo. Mas existem caminhos para transformar relações, melhorar ambientes e construir empresas mais humanas”, conclui.

Comentários