A transformação da NR 1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) marcou um novo capítulo na gestão de saúde e segurança no trabalho no Brasil.
O que antes era uma norma introdutória tornou-se o eixo central de toda a estrutura de prevenção, exigindo das empresas uma postura mais responsável, estratégica, integrada e contínua.
A NR 1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) é a norma que estabelece as bases de todo o sistema de saúde e segurança no trabalho no Brasil. Desde sua atualização, ela deixou de ser apenas uma norma introdutória e passou a ser o pilar central da gestão de riscos, exigindo que todas as empresas — inclusive as do setor de eventos — adotem uma abordagem estruturada, contínua e documentada para prevenir acidentes e doenças ocupacionais.
No mercado de eventos — um dos setores mais dinâmicos, complexos e multifacetados da economia — essa mudança tem impacto direto e profundo.
Nosso setor é dinâmico, temporário e envolve múltiplos fornecedores, estruturas provisórias e atividades simultâneas. Isso cria um ambiente naturalmente mais complexo para a gestão de riscos. A NR 1, ao exigir o GRO e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), obriga as empresas do setor a organizarem processos que antes eram tratados de forma fragmentada.
Eventos são, por natureza, ambientes temporários, intensos e altamente colaborativos. Em um mesmo espaço convivem montadores, técnicos de som e luz, cenógrafos, equipes de limpeza, segurança, fornecedores de alimentos, artistas e público. Cada fase — montagem, operação e desmontagem — apresenta riscos distintos e exige controles específicos.
É justamente nesse cenário que a NR 1 se torna indispensável. Ela estabelece que toda empresa deve implementar protocolos específicos e documentos que deixam de ser mera formalidade e passam a ser ferramentas essenciais para garantir segurança, continuidade operacional e conformidade legal.
Principais exigências da NR 1 aplicadas aos eventos
• PGR obrigatório: todo evento, independentemente do porte, precisa ter um PGR que identifique perigos, avalie riscos e defina medidas de controle.
• Inventário de riscos: deve contemplar montagem, operação e desmontagem — fases com riscos distintos.
• Plano de ação: medidas preventivas, responsáveis, prazos e formas de verificação.
• Gestão de terceiros: como eventos envolvem equipes terceirizadas (montadores, técnicos, segurança, limpeza), a NR 1 exige integração e comunicação clara entre contratante e contratados.
• Capacitação e treinamento: trabalhadores precisam ser treinados conforme os riscos das atividades, e a norma define critérios mínimos para isso.
• Resposta a emergências: o PGR deve prever cenários críticos, como quedas de estruturas, incêndios, choques elétricos e aglomerações.
• Documentação acessível: tudo deve estar disponível para consulta da fiscalização e das equipes envolvidas.
Desafios específicos do setor
• Prazos curtos: eventos são montados em poucos dias, o que exige um PGR ágil e bem planejado.
• Ambientes compartilhados: vários fornecedores atuam ao mesmo tempo, aumentando riscos de interferência.
• Estruturas temporárias: palcos, tendas, passarelas e equipamentos de iluminação demandam controle rigoroso.
• Rotatividade de equipes: dificulta padronização de treinamentos e integração de segurança.
Boas práticas para aplicar a NR 1 no dia a dia dos eventos
• Criar um PGR padrão adaptável a diferentes tipos de evento.
• Realizar briefings de segurança antes de cada etapa.
• Exigir documentação técnica de fornecedores (ART, laudos, certificados).
• Implementar checklists de montagem e desmontagem.
• Designar um responsável técnico de SST presente no local.
• Registrar tudo: fotos, listas de presença, inspeções, correções.
A aplicação consistente da NR 1 irá proporcionar elevado o nível de profissionalização do setor. Eventos que adotam o GRO e o PGR de forma séria reduzem acidentes, evitam interdições e fortalecem sua reputação. Além disso, grandes contratantes e espaços já exigem conformidade com a norma como condição para realização de eventos.
Armando Arruda Pereira de Campos Mello, Presidente Executivo do Sindiprom SP (Sindicato de Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos do Estado de São Paulo) e Membro da Academia Brasileira de Eventos e Turismo, acrescenta que “ é uma ação coletiva de cultura na empresa em que todos os colaboradores que lideram, ou trazem experiencia aos mais novos, terão que ser os agentes transformadores .Esse para mim é o ponto de partida, mas não é algo que acontece com um simples click, e sim um processo dentro das organizações.”
A NR 1 trouxe ao mercado de eventos uma oportunidade de amadurecimento. Mais do que cumprir uma obrigação legal, adotar o GRO e o PGR significa elevar o padrão de segurança, profissionalizar processos e proteger vidas. Em um setor que cresce, se reinventa e atrai cada vez mais público, a gestão de riscos deixa de ser um diferencial e se torna um requisito fundamental para a sustentabilidade do negócio.
Por tudo isso temos certeza que a NR1 não é mais um instrumento burocrático, mas sim uma aliada no bem-estar de toda a cadeia.

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