Morre em São Paulo o arquiteto Miguel Juliano, 81

Membro da Academia Brasileira de Eventos foi responsável pelo projeto do Pavilhão de Exposições do Anhembi e do Auditório Elis Regina.

Muitas obras na cidade levam a assinatura deste famoso arquiteto que foi a revelação de uma geração. Nascido em Goiás em abril de 1928, Miguel Juliano e Silva era mestre em projeto arquitetônico pela FAU/USP, destacando-se como profissional autodidata, estagiando com Gregori Warchavchik e estudando desenho com Di Cavalcanti.

 

Foi autor de mais de uma dezena de planos diretores para cidades como Curitiba, Joinville, São José dos Campos e Goiânia. Iniciou sua vida profissional em São Paulo em 1950 e em 1955 seu escritório ganhou um concurso para o projeto do Edifício Quinta Avenida, na Avenida Paulista, o primeiro prédio em concreto protendido levantado na capital. Com apenas duas linhas de pilares, a construção apresentava uma solução ousada para a época, e mereceu a visita de profissionais e especialistas em engenharia de estruturas de diversos países.

 

Entre as mais de 500 obras que projetou em 50 anos de profissão, podemos destacar também o Edifício Faria Lima Premium, na capital paulista, com 96 metros de altura, que ocupa um terreno de apenas 350 metros quadrados, e a revitalização do tradicional Hotel Jaraguá, no coração da cidade.

 

Miguel Juliano aprendeu na prática, no dia-a-dia, discutindo com engenheiros e arquitetos, entre os quais Jorge Wilheim e venceu diversos concursos em parceria com outros profissionais, como Abrahão Sanovicz e Pedro Paulo Saraiva. Incomodado com a falta de diploma, dedicava-se com muito afinco aos estudos e pesquisas, sempre em busca de soluções inovadoras. O diploma universitário veio depois de já ter realizado projetos importantes, como o do Parque Anhembi, tendo se formado em 1973 pela Universidade Braz Cubas.

 

O pavilhão de exposições do Parque Anhembi, palco das feiras mais importantes do país, é uma gigantesca estrutura tubular de alumínio, com 67,5 mil metros quadrados. A solução veio importada do Canadá, mas foi adaptada aos padrões tecnológicos brasileiros. Montada no solo, a estrutura foi levantada por um exército de operários, cada um deles acionando guinchos movidos a manivela. Um poderoso sistema de som garantiu a sincronia dos movimentos, até que a cobertura atingisse seu ponto ideal de fixação nas colunas.

 

São de sua autoria também a unidade do SESC de Santana e em Pinheiros. Com 35 mil metros quadrados, espaço reservado para o teatro no subsolo, com vantagens acústicas indiscutíveis e uma torre destinada às atividades culturais e esportivas, separada do parque aquático, este projeto foi premiado, em dezembro de 2002, pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, na categoria edificação para fins culturais e esportivos.

 

Ao ser eleito para ocupar a cadeira 32 da Academia Brasileira de Eventos, Miguel Juliano homenageou outro grande arquiteto, João Batista Villanova Artigas, indicando-o como patrono da Cadeira.

 

Dono de uma vitalidade incomum para a idade, Juliano mantinha-se muito ativo, tendo recentemente proferido elogiada palestra na Academia Brasileira de Eventos, oportunidade em que traçou a trajetória de construção do Anhembi, apresentando um rico e raro acervo fotográfico e dados técnicos e curiosos inéditos.

 

Participante ativo das atividades da Academia fez-se presente no começo do mês na cerimônia de posse do Acadêmico Roland Bonadona.

 

A missa de 7º dia acontece nesta quarta-feira, dia 23 de dezembro, às 17 horas na Paróquia São José - Rua Dinamarca 32 – no Jardim Europa.

 

Informações:

Academia Brasileira de Eventos

Cristina Covo – Fone: (11) 3257-8570

São Paulo - SP