A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio e passou a ocupar um papel estratégico dentro das empresas. Essa foi a tônica do painel “O futuro das relações Homem & Máquina”, que reuniu especialistas para discutir como a IA autônoma está transformando processos, operações e modelos de negócios em diferentes setores.
Com mediação de Ney Neto, CEO da AtivMob, o encontro contou com participações de Maitê Faitarone, digital influencer especialista em tecnologia e inteligência artificial, Moa Vianna, fundador da Vimer, e Guilherme Mioto, CEO da Plugify. Durante o painel foram utilizados dois agentes de inteligência artificial ao vivo: O “Maitech”, agente autônomo criado por Maitê para traduzir o universo da tecnologia de forma acessível ao público, que ficou disponível para interação em tempo real; Já o “Yarvis” realizou a transcrição automática de todo o conteúdo debatido, consolidando resumos e destacando os principais tópicos da conversa.
Guilherme Mioto destacou a diferença entre plataformas generativas populares e os chamados agentes de IA. Segundo ele, ferramentas como ChatGPT e Gemini ainda atuam de forma mais passiva, respondendo a comandos específicos, enquanto os agentes autônomos já conseguem executar tarefas integradas aos fluxos operacionais das empresas. “A IA deixa de ser apenas um canal de pesquisa e passa a atuar diretamente nos processos corporativos, permitindo a otimização de recursos, aceleração de operações e geração eficiência, mas isso só funciona quando os processos estão bem definidos”, explica.
Moa provocou reflexões sobre os novos modelos empresariais impulsionados pela tecnologia, que impacta também no conceito tradicional de tamanho empresarial, que está mudando rapidamente. “Antigamente o tamanho de uma empresa era medido pela quantidade de funcionários. Hoje existem empresas de R$ 1 bilhão de uma pessoa só e isso demonstra enorme eficiência graças ao uso inteligente de IA”, comenta.
O debate também abordou o equilíbrio entre tecnologia e autenticidade humana na produção de conteúdo. Para Maitê Faitarone, a inteligência artificial pode ampliar a capacidade criativa e otimizar pesquisas, mas não substitui a sensibilidade humana. “A autenticidade continua sendo o grande diferencial. A tecnologia ajuda muito, mas não pode tornar tudo 100% robotizado. O uso consciente das ferramentas permite produzir conteúdos mais elaborados sem perder identidade e conexão com o público”, destaca.
Os especialistas apresentaram exemplos práticos de estruturas híbridas que já utilizam inteligência artificial no dia a dia das empresas. Nesse modelo, a IA assume tarefas operacionais e repetitivas, como prospectar clientes, iniciar conversas no WhatsApp, organizar informações e conduzir etapas iniciais do atendimento comercial. Quando o sistema identifica oportunidades mais estratégicas ou demandas que exigem sensibilidade e negociação, o contato passa a ser conduzido por profissionais humanos, formato que permite ganhar velocidade, aumentar a produtividade e otimizar o trabalho das equipes.
O mediador Ney Neto apresentou o “Junka”, assistente de IA criada por Sergio Junqueira, CEO do Grupo Conecta, desenvolvida para fornecer informações sobre as diferentes frentes de atuação da companhia. Durante o encontro também foi apresentado um robô humanoide controlado por um operador remoto e alimentado por sistemas de IA, ilustrando um cenário que, segundo os participantes, deve se tornar cada vez mais comum nos próximos anos.
Apesar do avanço acelerado da tecnologia, os especialistas alertaram para os desafios do setor. Um dos dados apresentados apontou que cerca de 95% das empresas de IA acabam ficando pelo caminho ou não conseguem gerar retorno financeiro por dificuldades na construção de modelos de negócio sustentáveis. “Estamos vivendo uma nova revolução industrial. A IA vai fazer parte de todos os processos, mas é preciso entender onde estão os gargalos e como ela pode realmente apoiar as equipes”, afirma Guilherme.
Para encerrar, Maitê destacou que a IA provoca mudanças culturais na sociedade e que ela veio para ficar. “As pessoas já usam IA diariamente, mas muitas ainda não entenderam a transformação cultural que ela provoca. Existe muita problematização, mas, quando bem utilizada, a tecnologia tem muito a agregar”, conclui.
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