A gestão de pessoas e os desafios do novo perfil de liderança estiveram no centro das discussões do painel 9 do Fórum Eventos 2026. Com o tema “Gestão de Pessoas e o Novo Perfil do Gestor: Liderança Humanizada e Inovação”, as especialistas Soraya Santos e Raquel Borges, sócias da consultoria Senses Aprendizagem, provocaram o público a refletir sobre a necessidade de lideranças mais empáticas, adaptáveis e conscientes das diferenças humanas em um cenário marcado pela complexidade e pela transformação constante das relações de trabalho.
Durante o encontro, Soraya destacou que o mundo atual exige líderes capazes de lidar com ambiguidades e de compreender que pessoas processam o mundo de formas diferentes. Segundo ela, insistir em modelos iguais de liderança tende a gerar os mesmos resultados de sempre. Em sua opinião, o gestor contemporâneo precisa olhar para as particularidades individuais de maneira equânime — e não simplesmente igualitária — desenvolvendo escuta ativa, empatia e capacidade de adaptação.
A executiva também ressaltou que o autoconhecimento é uma das principais competências da liderança moderna. “Quando a pessoa se conhece, ela consegue fazer a ponte com o outro”, resumiu. Ela frisou, ainda, a importância de entender os próprios comportamentos antes de tentar desenvolver equipes mais integradas e inovadoras.
Na sequência, Raquel Borges conduziu uma dinâmica interativa com a plateia baseada na metodologia Human Dynamics, criada a partir de estudos desenvolvidos por dois neurocientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology). A atividade propôs que os participantes escolhessem frases com as quais mais se identificavam, permitindo mapear estilos predominantes de comportamento e liderança.
Segundo essa metodologia, os perfis são divididos em quatro grupos principais. Os chamados “azuis”, ligados à inovação, comunicação e movimento, representam cerca de 25% da população ocidental. Já os “vermelhos”, mais conectados às relações humanas, empatia e acolhimento, correspondem a aproximadamente 55%. Os “roxos”, orientados por organização, objetividade e estrutura, seriam 15%, enquanto os “verdes”, associados ao pensamento sistêmico, equilíbrio e visão ampla, representam cerca de 5%.
Ao longo da apresentação, elas reforçaram que liderar não significa tratar todos da mesma maneira, mas compreender como cada pessoa funciona para adaptar a comunicação, os estímulos e as expectativas. A ideia central foi resumida em uma provocação ao público: liderança humanizada não é esperar que o outro se adapte ao líder, mas que o líder seja capaz de adaptar seu estilo ao outro.
As especialistas também relacionaram o tema à realidade do setor de eventos, marcado pela atuação de equipes temporárias e freelancers. Para elas, a retenção de talentos passa diretamente pela construção de ambientes que respeitem diferenças individuais e criem relações mais saudáveis de trabalho.
A questão da saúde mental apareceu como outro ponto relevante da discussão. Segundo Soraya e Raquel, grande parte do estresse nas equipes nasce menos do excesso de trabalho e mais do desencontro de expectativas, da comunicação inadequada e da ausência de cuidado com os diferentes estilos de comportamento.
Como provocação final, o painel propôs à plateia uma reflexão prática: o que cada participante pode fazer, a partir do dia seguinte, para liderar equipes de maneira mais humana e consciente das diferenças individuais. A mensagem reforçou a ideia de que ambientes mais saudáveis e inovadores dependem diretamente da capacidade dos gestores de compreender diferentes perfis e formas de pensar.
O Fórum Eventos 2026 segue até o dia 12 de maio, no Villa Blue Tree. Mais informações em Fórum Eventos.

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