ESG: três letras que estão mudando o jeito de fazer eventos

ESG deixou de ser apenas um conceito da moda e passou a influenciar diretamente a forma de planejar, contratar e executar eventos. Muito além de ações ambientais, o tema envolve relações de trabalho dignas, contratos equilibrados, planejamento responsável e escolhas conscientes de parceiros e fornecedores. Neste artigo, a reflexão é clara: não existe sustentabilidade real sem respeito às pessoas, à cadeia produtiva e aos prazos viáveis de operação. A recente norma brasileira de montagem de eventos reforça esse movimento e aponta para um setor mais maduro, onde ESG deixa de ser discurso e se consolida como prática essencial para quem deseja permanecer competitivo nos próximos anos.

**ESG: três letras que estão mudando o jeito de fazer eventos**

Tenho ouvido falar de ESG em praticamente todas as reuniões e conversas do nosso setor. Virou assunto obrigatório. Parece até que, se essas três letras não estiverem em algum slide, o projeto nem sai do papel.

Por outro lado e costumo repetir que: ESG você pode gostar ou não gostar. Mas, se não adotar, estará fora do mercado em poucos anos.

O problema é que, muitas vezes, tenho a sensação de que estamos usando o termo sem entender exatamente o que ele significa na prática.

Fala-se muito em estandes sustentáveis, materiais recicláveis, redução de plástico, reaproveitamento de estruturas. Tudo isso é ótimo e necessário. Sou totalmente a favor.

Só que ESG não é apenas o “E”.

São três letras e precisam caminhar juntas.

O fato é que ESG (E – Environmental, ambiental; S – Social; G – Governance, governança) não pode se resumir à sustentabilidade ambiental.

Sustentabilidade em eventos não começa no tipo de madeira do estande. Começa muito antes: no planejamento, nas relações e na forma como tratamos as pessoas, os contratos e, claro, o meio ambiente.

Dá para chamar de sustentável um evento em que as equipes são obrigadas a virar noites porque o prazo de montagem foi mal dimensionado?

Dá para falar em responsabilidade social quando desmontagens acontecem de forma apressada, em ambientes insalubres e com risco para quem está trabalhando?

Também não existe ESG quando o fornecedor é tratado como financiador do cliente. Quando se empurra pagamento para 30, 60, 90 dias, como se empresas de eventos ou fornecedores finais fossem bancos. Isso não é parceria. Isso é transferir o problema para o elo mais fraco da cadeia.

Se a relação comercial não é sustentável, nada ao redor dela será.

O “S” de Social passa por respeito às pessoas e condições dignas de trabalho.

O “G” de Governança passa por contratos justos, processos claros e planejamento responsável.

Sem isso, qualquer discurso ambiental vira apenas maquiagem verde, o conhecido *greenwashing*.

Um passo muito importante nessa direção aconteceu no final de 2025, com a conclusão dos trabalhos da Comissão Especial de Eventos da ABNT, que elaborou a primeira norma brasileira de montagem de eventos – capítulo feiras. Neste momento, o texto está em fase final de revisão pela ABNT.

Pode parecer apenas um detalhe técnico, mas, para mim, é algo histórico.

Pela primeira vez o setor passa a ter um referencial oficial sobre prazos, responsabilidades e procedimentos. E, dentro dessa norma, criamos algo inédito: a primeira tabela de prazos de montagem com foco no sistema expositor. É perfeita? Seguramente não, existem muitas variáveis. Mas já é um começo.

A verdade é simples: o prazo precisa ser compatível com o que se quer montar.

Quer um balcão simples? Talvez meia hora resolva.

Quer construir algo equivalente à Torre Eiffel? Então estamos falando de anos.

Parece óbvio.

Mas durante décadas trabalhamos sem esse óbvio formalizado. E o resultado todos nós conhecemos: cronogramas inconsistentes, correria, improviso e uma cadeia inteira pressionada a fazer milagres.

Para mim, isso está diretamente ligado ao ESG de verdade.

Quando definimos prazos coerentes, estamos cuidando das pessoas.

Quando planejamos melhor, evitamos desperdício.

Quando equilibramos contratos, fortalecemos toda a cadeia produtiva.

Isso é sustentabilidade real.

A política de ESG também começa na escolha dos parceiros e fornecedores. Ao selecionar, por exemplo, uma montadora de estandes ou empresa de cenografia estruturada,como são as associadas à ABRACE. Estamos falando de empresas em que o reaproveitamento de materiais não é apenas uma política moderna ou um discurso alinhado às tendências ambientais. É, antes de tudo, a própria base de sustentabilidade econômica do negócio.

Nessas empresas, reutilizar estruturas, componentes e acabamentos não é opção estética nem argumento de marketing: é condição essencial de sobrevivência e competitividade. é SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA.

Quando o organizador escolhe fornecedores com esse modelo operacional, está adotando ESG na prática, desde a origem do projeto, fortalecendo uma cadeia produtiva que já opera, por natureza, dentro de princípios reais de sustentabilidade.

ESG é atitude no dia a dia. É coerência entre o que se fala e o que se pratica.

O mercado de eventos está amadurecendo rapidamente. E ele vai separar, naturalmente, quem entendeu o conceito de quem apenas aprendeu a repeti-lo.

No fim das contas, ESG não é moda.

É um novo jeito de trabalhar.

E, gostando ou não, esse caminho não tem volta.