E a segurança, nesse caso, mais uma vez, foi algo deixado de lado

O episódio que marcou o Festival Zig no último fim de semana em São Paulo deixou uma ferida profunda na cena cultural da cidade. O evento, que deveria celebrar música, diversidade e encontro, acabou revelando falhas graves de produção que criaram um ambiente insalubre e perigoso, culminando na morte de um participante. A tragédia expôs a urgência de repensar práticas, protocolos e responsabilidades no setor, lembrando que nenhum espetáculo justifica riscos à vida — e que segurança não é detalhe, é princípio.

A edição mais recente do Festival Zig, realizada no último fim de semana em São Paulo, terminou marcada por uma sucessão de falhas graves de produção e pela morte do jovem Pedro Felipe Higa Felizatto, de 28 anos — um episódio que agora é investigado pela Polícia Civil como morte suspeita.

Ambiente insalubre e superlotação

Relatos de frequentadores descrevem um cenário de superlotação, calor extremo e falta de ventilação dentro da casa de shows Audio, na Barra Funda. Testemunhas afirmaram que a temperatura teria chegado a 40°C, dificultando a circulação e provocando desmaios antes mesmo do caso fatal.

Pessoas relataram que o espaço não comportava o número de ingressos vendidos, com áreas de passagem bloqueadas e até banheiros tomados por vapor devido ao calor. A demora na abertura de portas de emergência e a distribuição tardia de água agravaram a sensação de sufocamento.

Segundo a organização, Pedro passou mal por volta de 1h40 e foi levado ao posto médico interno por um bombeiro civil, recebendo atendimento antes de ser encaminhado em uma ambulância de UTI à Santa Casa de São Paulo. Ele não resistiu. A causa oficial da morte ainda não foi divulgada pelo Instituto Médico Legal.

Amigos que estavam no festival relataram nas redes sociais que Pedro desmaiou dentro do evento e que o atendimento inicial teria sido insuficiente, levantando dúvidas sobre os protocolos de emergência adotados.

Repercussão e investigação

A morte gerou forte indignação nas redes sociais e ampliou as críticas à produção do festival. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as circunstâncias do caso, incluindo possíveis responsabilidades da organização e das condições estruturais do evento.

Em nota, a produção do Zig Festival lamentou profundamente o ocorrido e afirmou estar colaborando integralmente com as autoridades.

O Zig Festival, conhecido por reunir artistas da cena alternativa e pela forte presença da comunidade LGBTQ+, terminou revelando problemas que vão além de uma tragédia isolada: superlotação, calor insuportável, ventilação inadequada, falhas de circulação e atendimento questionado. Elementos que, somados, configuram um ambiente de risco e levantam um debate urgente sobre segurança em eventos na capital paulista.

A investigação segue em andamento, enquanto familiares, amigos e participantes aguardam respostas — e cobram mudanças para que episódios como esse não se repitam, pois, infelizmente, estão se tornando recorrentes.

Fale Conosco