A cidade de Rivera, no Uruguai, costuma ser o paraíso de compras dos brasileiros por conta dos importados vendidos nos freeshops com preços acessíveis. Mas a alta do dólar e o aumento na alíquota do IOF de 0,38% para 6,38% em operações no exterior fizeram os turistas controlarem o consumo. Não é só o país vizinho que sofre com a falta de consumidores, a hotelaria do lado brasileiro, mais precisamente gaúcho, também. A ocupação nos meses de janeiro e fevereiro, em especial nos dias de semana, caiu cerca de 30% em relação ao ano passado. “O Carnaval costuma ser bom para os negócios, pois atrai visitantes com a presença de trios elétricos na cidade”, afirma o empresário Dionísio Becker Colvara, do Hotel Fronteira, em Jaguarão.
Segundo o hoteleiro, uma saída é oferecer meios de hospedagem com preços competitivos e mais interessantes. “Estamos com tarifas de 2011, em torno de R$ 140 a R$ 190. A nossa grande clientela é o pessoal de Porto Alegre, que dorme apenas uma noite, pois somos a fronteira mais próxima de Livramento”. Dionísio disse ter participado de reuniões com os proprietários de freeshops de Rio Branco e ressaltou que eles estavam diminuindo as margens de lucro e fazendo promoções. “Isto ajuda a nos manter, caso contrário o prejuízo seria maior ainda”, revela. “A oscilação no câmbio é normal, mas a atual valorização do dólar não acontecia há dois anos”, diz ele.
Proprietário do Hotel Py, Ricardo Silva de Andrade, também de Jaguarão, aponta o período de férias como outro fator determinante para o sumiço dos hóspedes. Em Santana do Livramento, a queda na ocupação fica em torno de 40%. Presidente do CDL da cidade, Mozart Hillal diz que a região não possui outros atrativos, logo os turistas de compras – público equivalente a 65% do movimento – não vão viajar mais de 1 mil quilômetros ida e volta. “Nossa distância é ainda maior da capital. Recentemente foi inaugurado em Rivera um autódromo internacional, porém são somente cinco eventos por ano”, finaliza.

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