Diretor do Prêmio Caio modera painel sobre atuação dos jornalistas de eventos

Pela primeira vez realizada fora da cidade de São Paulo, a Semana Nacional de Eventos levou à Belo Horizonte na última semana representantes das principais lideranças do turismo brasileiro.

Com uma programação rica em painéis, o encontro contou com a presença do ministro de Turismo, Luiz Barreto e reuniu todos os secretários de Estado de Turismo do País, além de diretores dos Convention & Visitors Bureaux do Brasil e da América Latina.

O II Encontro Latino-Americano de Convention e Visitors Bureaux que aconteceu durante o evento contou com um painel voltado para a Imprensa, que trouxe à tona o papel dos jornalistas no mundo dos Eventos.

Moderado pelo diretor e editor das revistas Eventos, Mix Hotel e Eventos Making Of e fundador do Prêmio Caio, Sergio Junqueira Arantes, a mesa também teve a participação dos jornalistas Luiz Marcos Fernandes, da Folha do Turismo, de Adrian Alexandri, sócio-diretor da Público.Com e ex-assessor da Embratur, e Fabio Steinberg, consultor de comunicação, escritor e jornalista colaborador para matérias sobre negócios e turismo.

Sergio Junqueira abriu o evento com uma citação do ex-ministro Mares Guia: “em todos os meus anos de experiência, nunca vi uma imprensa tão solidária, tão partícipe, tão parceira” e questionou se esta é a real função da imprensa.

Após uma viva discussão sobre o tema, tendo Fabio Steinberg salientado que o verdadeiro jornalismo deve manter o devido distanciamento, deixando aflorar o senso crítico, permitindo que o destino, hotel ou serviço sejam apresentados com suas qualidades e problemas. Luiz Marcos discordou, ressaltando a importância do contexto comercial na viabilidade das publicações e que o jornalista não pode ignorar os aspectos comerciais em seu trabalho.

Dando sequência aos trabalhos, Sergio Junqueira colocou uma segunda questão: a prioridade que os cadernos de turismo dos grandes diários brasileiros dedicam aos destinos internacionais em detrimento dos nacionais, mais próximos e mais freqüentados pelos seus leitores. A titulo de exemplo, citou a semana em que se realizou o primeiro Salão de Turismo em São Paulo, quando a cidade foi inundado com outdoors, busdoors e outras promoções que levaram mais de 100 mil pessoas ao Anhembi, destacando que os cadernos de turismo dos principais jornais paulistas naquela semana dedicaram mais de 80% de seu conteúdo editorial a destinos internacionais, ignorando os destinos nacionais que estavam sendo promovidos pelo Salão. 

Enfático em extrair dos convidados posições contundentes sobre a situação dos veículos que cobrem o trade de negócios e turismo, Sergio Junqueira colocou em discussão a questão dos presstrips que reúnem jornalistas para apresentar um determinado destino. Na opinião de Adrian Alexandri, estes eventos precisam ser formatados com uma programação que permita que os jornalistas tenham tempo de conhecer os principais pontos turísticos mas, também, possam desenvolver uma agenda própria e encontrar diferenciais para suas matérias.  

Encerrando o painel, Junqueira colocou em discussão o jornalismo 2.0 questionando o futuro da imprensa escrita e o impacto das novas tecnologias na difusão da informação tendo os debatedores ressaltado a importância das novas mídias, acreditando que da mesma forma que a televisão não aposentou o rádio, a imprensa escrita vai sobreviver ao aparecimento dos novos canais de informação.