A tão aguardada convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, conseguiu transformar um momento que deveria ser simples, objetivo e simbólico em um evento arrastado, artificial e desconectado do torcedor.
O atraso no início — que já virou tradição indesejada no Brasil — foi apenas o primeiro sinal de que a CBF ainda não entendeu o básico: respeito ao público começa pela pontualidade. O torcedor brasileiro, que para assistir, que organiza o horário, que cria expectativa, foi novamente colocado em segundo plano.
E quando finalmente começou, o problema só mudou de forma. A overdose de inteligência artificial transformou a convocação em um show de efeitos vazios, com vídeos gerados artificialmente, narrações engessadas e gráficos que pareciam mais preocupados em impressionar patrocinadores do que informar o público. A tecnologia virou protagonista, mas sem propósito — um verniz futurista que só afastou o torcedor. A tentativa de “modernizar” a apresentação com o uso ostensivo de ferramentas de inteligência artificial acabou criando um clima de espetáculo vazio, mais preocupado em parecer inovador do que em comunicar algo relevante. A IA foi usada como maquiagem tecnológica: vídeos gerados artificialmente, narrações robotizadas, gráficos que mais distraíam do que informavam. Tudo isso para anunciar uma lista de nomes que poderia ter sido apresentada em dez minutos, com clareza e sem firulas.
A dupla de apresentadores, Érika Januza e Tino Marcos, que deveria equilibrar o clima e dar ritmo ao evento, acabou reforçando a sensação de artificialidade. Entre piadas forçadas, comentários ensaiados e uma tentativa constante de “encher linguiça” enquanto o evento se arrastava, ficou claro que faltou naturalidade e sobrou roteiro mal costurado. Em vez de conduzir a convocação com leveza e objetividade, os apresentadores pareciam presos a um teleprompter que não dialogava com o momento — e muito menos com o público.
O resultado foi um evento que não emocionou, não informou com clareza e não criou conexão. A convocação virou um híbrido estranho: parte show corporativo, parte demonstração de tecnologia, parte improviso desconfortável. Tudo, menos o que deveria ser — um anúncio direto, respeitoso e centrado no futebol.
O excesso de IA não agregou profundidade, emoção ou transparência — apenas distanciou ainda mais o torcedor de um evento que deveria ser humano, direto e carregado de significado esportivo. A convocação virou um show de efeitos, mas sem alma. E quando a forma engole o conteúdo, o resultado é inevitável: frustração.
No fim, a sensação é de que a CBF confundiu tecnologia com espetáculo e espetáculo com relevância. O torcedor não quer uma convocação futurista; quer uma convocação respeitosa, objetiva e feita para ele — não para impressionar patrocinadores ou alimentar a ilusão de modernidade.
Se a intenção era mostrar evolução, o efeito foi o contrário. A convocação de 2026 ficará marcada não pelos jogadores escolhidos, apesar de toda a euforia com o midiático Neymar, mas pela demora e pelo artificialismo que dominaram o evento.
Uma demonstração que dinheiro e entusiasmo precisam ser orquestrados de forma majestosa... pois o efeito contrário pode ser exatamente, o que vimos no evento do
Ah... vejam como foi a convocação da seleção francesa... um benchmarking para 2030!

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