Conformidade Hipoteticamente Ética

Uma vez me perguntaram sobre minhas experiências no trade nacional com reservas individuais ou de grupos em hotéis e as lembranças vieram a tona como um flash lento de situações engraçadas, tristes e até mesmo sérias demais para se acreditar: Numa reserva de um cliente vip solicitei a um hotel 5 estrelas uma Tarifa Corporate, inclusive mencionando o nome da empresa do cliente e recebi prontamente o valor, taxas, que o Breakfast não estava incluso e que era a "melhor tarifa corporativa" disponível. Acreditei, é claro! Enviei o e-mail para o cliente e este replicou assim: "Querido, tenho uma tarifa mais barata em 30% com a operadora da empresa e incluindo o café da manhã...". Puxa!

É claro que liguei para o hotel, afinal, era a melhor tarifa corporativa deles!

Numa próxima situação eram vários apartamentos FIT de outra empresa e, com o mesmo procedimento padrão, pedi a tarifa para outro hotel e após recebê-la e enviar para o cliente, o mesmo me replicou dizendo que sua agência de turismo tinha uma tarifa em dólares mais barata, apesar de informá-lo que tarifas de receptivo não serviam para o corporativo nacional, o mesmo agradeceu e despediu-se. Ao ligar para o mesmo hotel, informaram que havia um engano, mas isto não evitou a vinda do grupo pela agência de turismo naquela tarifa.

 

Finalmente, o mesmo se repetiu muitas vezes com os eventos que realizamos ou aqueles em que estávamos em concorrência no mercado. Perdemos, é claro!

 

Afinal, existem regras!? Se existem por que os hotéis, apart-hotéis e afins não se esmeram em fazer com que o mercado seja "limpo" das tramóias ambiciosas de alguns que simplesmente fazem com que uma empresa séria e regrada não tenha vez, já que existe um "jogo" de cartas marcadas!?

 

Não seria melhor que as Agências de Turismo e Operadoras fizessem as passagens e hospedagens e, no caso de eventos, contratassem um Meeting Planner Profissional com sua equipe!?

 

Não seria certo que somente empresas que tivessem um responsável técnico e aprovadas pela Embratur, ABEOC etc, pudessem atuar no trade? Perdemos o controle? Vocês já viram as páginas amarelas? Ninguém sabe a diferença entre um Promoter de ocasião e uma empresa com tradição, qualidade e segurança que gastou muito tempo e dinheiro para treinar seu staff a atender aos mínimos detalhes de um cliente, seja numa mera hospedagem, seja num complexo evento ou uma simples festa?

 

Se criamos o sistema de regras, devemos controlá-lo. Afinal, gerar uma "Matrix" maluca é fácil quando a conformidade é a bola da vez para qualquer um.

 

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Isac Liberman* é Consultor Técnico em Hotelaria, Eventos, Logistica Geral & Gastronomia.