Confexpo: Portugal debate internacionalização através das feiras

Após um lapso de dois anos, a Confexpo, realizada no último dia 23, em Lisboa, volta a fazer parte do calendário de eventos português.

António Brito, diretor da News Events e organizador da Confexpo
Após um lapso de dois anos, a Confexpo, realizada no último dia 23 de junho, no Double Tree by Hilton - Fontana Park, em Lisboa, volta a fazer parte do calendário de eventos português. A iniciativa ressurgiu com um novo conceito dirigido aos expositores. Numa época em que as empresas portuguesas procuram sair de suas fronteiras e afirmar-se em outros países e mercados, a Confexpo decidiu investir no tema das feiras como veículo de internacionalização e oferecer aos participantes ferramentas determinantes para esta abordagem.

O objetivo, segundo António Brito, da New Events, organizador da Confexpo, “foi trazer empresas que têm em curso projetos de internacionalização, dando-lhes conteúdos do ponto de vista do conhecimento sobre como participar em feiras, entender a cultura e respeitar a diversidade na negociação”. A par disto, o organizador afirmou ainda que o certame permitiu também o relacionamento entre os participantes e o estabelecimento de uma rede de networking. “Apenas a apresentação de conteúdo já não é o suficiente para tornar um evento como este eficiente. É fundamental viabilizar o relacionamento e o contato entre os participantes.”

Um ponto abordado durante a Confexpo foi o das mudanças registadas nas feiras. Todos reconhecem que elas estão mudando, embora a sua existência continue a fazer sentido pois potencializam o relacionamento. E a primeira mudança está relacionada com a alteração do tipo de visitantes. Hoje quem vai a uma feira sabe o que procura, marca reuniões com os players do seu mercado e organiza minuciosamente a sua visita. É por isto que empresas que vão a feiras, querem um evento dirigido ao seu ramo de negócio e, é igualmente por isso, que os expositores e organizadores devem responder com novas dinâmicas e mecanismos que vão de encontro ao que os visitantes procuram. Um das tendências são, justamente, feiras mais focadas, segmentadas e de nicho que respondem concretamente às necessidades dos visitantes.

Assim, durante os vários painéis da Confexpo foi possível concluir que as oportunidades não deixaram de existir, pelo contrário, estão mudando e que, por isso mesmo, cabe aos promotores dos eventos perceber que são cada vez menos vendedores de metros quadrados e cada vez mais geradores de oportunidades de negócio. António Brito reforçou isto, afirmando que, “atualmente as empresas procuram visibilidade, e isso já não se consegue apenas com um stand de maior dimensão, mas sim com elementos que marquem a diferença face aos seus concorrentes.”

Questionado sobre se os portugueses têm capacidade de exportar formatos inovadores em matéria de realização de feiras e eventos, nomeadamente para países com influência portuguesa e espanhola, Brito considerou que “sim, que há formatos que podem, e devem ser exportados para outros mercados”, sublinhando, no entanto, que “é preciso dar atenção às diferenças culturais entre os países e, sobretudo, perceber bem qual o mercado em que se pretende entrar e, se for preciso, adaptar o conceito dessa feira ou evento ao país em questão.”

No final do evento, algumas empresas portuguesas falaram sobre a sua experiência em feiras internacionais e dos cuidados que devem ter para que o investimento seja um sucesso e se traduza em retorno efetivo.

A Confexpo terminou com a cerimónia de entrega dos diplomas do CEM – Certified in Exhibition Management, certificados que reconhecem e atestam a capacidade dos profissionais em exercer e desenvolver atividades de gestão na realização de eventos a nível internacional.

Sobre o balanço da Confexpo, António Brito definiu o resultado final como “extremamente positivo, tendo correspondido às expectativas, sobretudo porque o público se mostrou muito interessado e satisfeito com o conteúdo e os oradores. O objetivo maior foi cumprido, e esse passou por fornecer informação e conhecimento às empresas que estão, ou vão iniciar, um processo de internacionalização e que querem faze-lo com absoluto sucesso”.

Fonte: Event Point