Os Centros Culturais BNB – Fortaleza, Cariri e Sousa, como centros formadores de platéias, de incentivo à produção cultural e de democratização do acesso à arte e à cultura, homenageiam, com uma programação especial em novembro, os 40 anos da criação do movimento Tropicália.
A programação evoca a atmosfera revolucionária dos anos 1960, época onde a radicalização política teve sua contraface nas manifestações artísticas e culturais. No cinema, com o filme Terra em Transe de Glauber Rocha, nas participações de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé no Festival da TV Record, na estréia da peça O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, com direção de José Celso Martinez Corrêa e cenografia de Hélio Eichbauer, ou ainda nas instalações e objetos de Helio Oiticica, a arte não era mais feita apenas para ser vista, mas para ser tocada, vestida ou vivida com o corpo, no teste dos seus limites.
Integram essa diversificada programação no CCBNB-Fortaleza: a exposição com expressivas obras do artista Hélio Oiticica, pela primeira vez no Nordeste, como a instalação “Tropicália”, que deu nome ao movimento; a bandeira “Seja marginal, seja herói” e réplicas de seus “Parangolés”; fotografias documentais utilizadas em capas e encartes de discos, realizadas pelo artista Ivan Cardoso e imagens do cenário da peça O Rei da Vela; jornais, cartazes, capas de discos e livros; o monólogo Antônio Conselheiro com Zé Celso Martinez; mostra de cinema; shows de música; reedição e lançamento de livros.
Tudo isso aliado a palestras e debates que trazem o calor das manifestações artísticas que propunham inquietar e estimular a ação, desconstruindo as situações habituais de recepção da arte e os limites convencionais entre elas e o espectador.

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