Bondinho do Pão de Açúcar completa 100 anos neste sábado (27)

Um dos cartões postais mais famosos do Brasil palco de diversos eventos onde ja se protagonizou cenas de filmes e encanta a todos com a mais que perfeita visão da Cidade Maravilhosa. No passeio entre os paredões de pedra e o mar, a névoa se dissipa e descortina a paisagem. O que se vê do alto sempre surpreende. Há cem anos, quando foi inaugurado, o bondinho era bem mais modesto. Mas era necessária uma certa dose de ousadia para atravessar o caminho aéreo em 1912.


Com capacidade para transportar até 65 pessoas por viagem, em um percurso que leva em torno de 3 minutos em cada trecho, o bondinho chega a transportar uma média de 6 mil pessoas por dia na alta temporada. Nos períodos de menor movimento, a circulação fica em torno de 2 mil pessoas por dia. Em 2 de janeiro de 2010, 9.849 pessoas utilizaram o transporte. Foi o recorde de movimentação do bondinho, em um só dia, na história centenária do veículo.

Dos passageiros transportados, 53% são brasileiros, com os 47% restantes cabendo aos estrangeiros que passam pelo Rio. 

Ao chegar no alto dos morros, os usuários do bondinho têm, além da magnífica vista do Rio de Janeiro, especialmente da Baía de Guanabara, opções de bares, restaurantes e lazer. Ainda há a Praça dos Bondes, espaço inaugurado em 2009, onde bondinhos utilizados em outras épocas são expostos ao público junto com esculturas de bronze do idealizador do teleférico, Augusto Ferreira Ramos.

Neste sábado, para marcar a data festiva, serão distribuídas 2 mil fatias de bolo aos visitantes do Bondinho. Na bilheteria, a cada 100 pessoas que entrarem, será ofertada uma lembrança pelo centenário do transporte para o Pão de Açúcar. No domingo, será aberta, no local, a exposição "Bondinho 100 anos". A mostra irá até 31 de março de 2013 e apresentará um panorama das transformações ocorridas no Rio de Janeiro no período de 1908 até hoje. Contemplará, também, a história do Bondinho, desde o centenário da Abertura dos Portos no Brasil, passando por curiosidades e eventos do Morro da Urca.

A exposição será a primeira de muitas comemorações. Em janeiro, para homenagear a instalação do segundo trecho do Bondinho (ligando o Morro da Urca ao Pão de Açúcar) realizada em 1913, acontecerá um grande show com diversas atrações.

Descrença marcou projeto do Bondinho

O teleférico foi inaugurado no dia 27 de outubro de 1912. Na época, era um projeto pra lá de ousado. Tratava-se apenas do terceiro do tipo construído no mundo. O bondinho foi idealizado pelo engenheiro Augusto Ferreira Ramos, e teve as obras iniciadas em 1910, em meio a um clima de zombaria e incredulidade. Quase ninguém acreditava na viabilidade do projeto, e Ramos foi visto como um autêntico lunático. Com sarcasmo, colegas dele do Clube de Engenharia sugeriram que a linha do teleférico ligasse o Pão de Açúcar diretamente ao hospício nacional.

A obra consumiu 4 t de materiais, que, em boa parte, eram transportadas por 400 homens por meio de sucessivas escaladas no morro, formado há mais de 500 milhões de anos, e de onde Estácio de Sá, fundador do Rio, lançou as bases para a formação da cidade, em 1565. Os equipamentos do sistema do teleférico foram importados da Alemanha. O primeiro modelo, feito de madeira, lembrava um dos bondes que circulavam pela cidade. Daí, veio o apelido "bondinho".

Depois de mais de dois anos de obras, o primeiro trecho do teleférico, com 538 m de extensão, foi inaugurado, ligado a Praia vermelha ao Morro da Urca. Para fazer o passeio, era preciso desembolsar 2 mil réis. Na época, cada viagem levava até 22 pessoas, e o percurso demorava 6 minutos. A segunda linha, entre o Morro da Urca e o Pão de Açúcar, foi lançada um pouco depois, em 18 de janeiro de 1913, com 749 m de extensão.

De 1909, data de criação da empresa, a 1934, Augusto Ramos dirigiu a Companhia Caminho Aéreo do Pão de Açúcar, responsável pela operação e manutenção do bondinho. Posteriormente, assumiu Carlos Pinto Monteiro, que pegou um período conturbado, no qual o bondinho chegou a ser alvejado por tiros, trocados no levante de militares ligados ao comunismo contra o governo Getúlio Vargas, que teve como cenário o 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha, próximo à estação do teleférico.

Foi no início dos anos 70 que o bonde passou pelo primeiro projeto de modernização, com a instalação de novas estações e a compra de novos veículos. Depois de dois anos de obras, os bondes foram trocados, em 1972, por novos modelos, mais amplos e totalmente transparentes, que permitiam que o usuário pudesse ver o lado de fora de qualquer ponto do teleférico. O modelo, com algumas adequações, permanece sendo usado até hoje.

De 007 a Einstein, famosos sempre marcaram presença no Bondinho

No fim dos anos 70, o Morro da Urca passou a receber shows de diversos artistas. Era o projeto Noites Cariocas, idealizado pelo jornalista e produtor Nélson Motta, que foi sucesso de público nas noites de sexta e sábado no lugar durantes anos. Dali o morro descobriu também sua vocação para receber eventos. Hoje, diversas festas e encontros empresariais são realizados à noite, no anfiteatro construído no local.


Fonte: Da Redação