De acordo com Tatiana, o Centro SAVE propõe o desenvolvimento de uma instituição para atuar como agente de identificação, desenvolvimento e promoção das atividades de Turismo Científico, Acadêmico, Voluntário e Educacional no Estado, bem como o estabelecimento de benefícios sustentáveis sociais e econômicos a longo prazo. “Na prática vamos capacitar a região adequando o destino turístico com as características necessárias para desenvolver a estratégia SAVE, identificando as lacunas destes destinos para melhor atrair o mercado de viagens SAVE”, resumiu ela.
Realizada em parceria com o governo de Honduras, a National Geographic, International Institute of Tourism Studies da Universidade de Washington e Vega Advoca, o estudo tem previsão de ser concluído em oito meses. Entre as atividades de destaque, o Centro SAVE visa proporcionar a conscientização das atividades turísticas de todos os envolvidos; acompanhar o desenvolvimento sustentável dos programas de turismo; estabelecer um mercado de Volunturismo de longa permanência e sempre buscar o desenvolvimento e fortalecimento de produtos e destinos, mantendo e preservando o patrimônio local, seja cultural, histórico ou ambiental.
Mineira de Belo Horizonte, a pesquisadora justificou a escolha de Minas Gerais por já conhecer o trabalho que é aqui é realizado, como o trabalho de Regionalização do Turismo, que é adotado pela Secretaria de Estado de Turismo e Esportes (SETES). “A despeito de sua beleza natural, hospitalidade, diversidade histórica e cultural Minas Gerais não atrai um número significante de visitantes, como também possui localização geográfica desprestigiada em relação a outros destinos turísticos internacionais. Neste ponto o estado impõe-se como um potencial mercado de viajantes SAVE”, explicou Tatiana que também ressaltou a importância dos Circuitos Turísticos nesse projeto.
Ela participou efetivamente da criação dos Circuitos Turísticos em Minas e um dos motivos pelos quais acredita ser viável a implementação do Centro SAVE é a existência dos mesmos. “Os Circuitos nos mostram organização e são facilitadores do nosso trabalho, permitindo de uma maneira mais objetiva integrar nossos interesses. E isso, só Minas Gerais tem”, acrescentou.
Na oportunidade, ao ser questionada sobre a Federação dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais (FECITUR), Tatiana declarou que houve uma evolução enquanto instituição, mas quanto as demandas não houveram muitas mudanças, permanecem as mesmas. “O trabalho é devagar, paulatino. Falta formação, educação de base e conscientização da população para entender o movimento 'Turismo', entender a comunidade que recebe e entender o turista que chega. É preciso entender, respeitar e acompanhar o desenvolvimento daquela sociedade. Porque existem comunidades que praticam o turismo e não sabem”, finalizou a pesquisadora, que também é especialista no Código Mundial de Ética do Turismo.
O Código Mundial de Ética do Turismo
Também especialista no Código Mundial de Ética do Turismo, Tatiana Buzatti, fez um pronunciamento preocupada com a aplicação dos 'Princípios' que regem o Código. “Este documento enuncia as regras para os destinos, governos, operadores turísticos, promotores, agentes de viagens, empregadores e para os próprios turistas. O que vemos é que pouco é aplicado, e muito menos divulgado”, resumiu Tatiana.
Em síntese, o Código Mundial de Ética do Turismo exige:
- Compreensão e promoção dos valores éticos comuns à humanidade, respeitando a diversidade de crenças, tradições sociais, culturais, etc. Conduzindo as atividades turísticas em harmonia com as regiões receptoras, observando suas leis, usos e costumes;
- O turismo como instrumento de desenvolvimento individual e coletivo;
- O turismo como fator de desenvolvimento sustentável, salvaguardando o ambiente e os recursos ambientais, na perspectiva de um crescimento econômico sadio;
- Fortalecimento do patrimônio cultural da humanidade, que são os recursos turísticos;
- A integração das populações e comunidades locais junto com os turistas;
- O fornecimento de informações objetivas e sinceras por parte dos agentes profissionais de turismo;
- O Direito ao Turismo por qualquer pessoa;
- A liberdade de deslocamento turístico;
- O respeito aos trabalhadores e aos empresários do setor de turismo e
- A aplicação dos princípios acima listados.

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