Atleta Consciente e Organização Responsável

As corridas de rua são uma das atividades esportivas que mais crescem no Brasil. Com milhares de participantes por evento, garantir a segurança é essencial para preservar vidas, promover bem-estar e fortalecer a confiança do público. Incidentes como o mal súbito sofrido por atletas em provas recentes reforçam a importância de protocolos modernos, equipes treinadas e conscientização dos corredores.

O risco de mal súbito em corridas de rua é real, embora raro, e ganhou atenção renovada após o episódio recente em São Paulo envolvendo o corredor Júlio Barreto, de 50 anos, que sofreu parada cardiorrespiratória durante a finalização da a SP City Marathon. O evento estava em sua 10ª edição, com provas de 42,2 km e 21,1 km. Júlio havia completado a meia maratona (21 km).

Ele era um corredor amador experiente e havia terminado a prova aparentemente bem, mas perdeu a consciência logo após cruzar a linha de chegada e não respondeu aos estímulos. A equipe médica do evento realizou manobras de reanimação e o encaminhou a um hospital, onde ele não resistiu.

A corrida de rua é uma das atividades esportivas mais populares do Brasil. Democrática, acessível e vibrante, ela reúne milhares de pessoas em eventos que celebram saúde, superação e comunidade. Mas, como qualquer prática esportiva de grande esforço, exige atenção especial à segurança, tanto por parte dos corredores quanto dos organizadores.

O mal súbito em provas de rua geralmente está associado a condições cardíacas pré-existentes, esforço acima do limite individual, desidratação, calor excessivo ou falta de avaliação médica adequada. Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, sintomas como dor no peito, falta de ar fora do normal, tontura, palpitações ou mal-estar são sinais de alerta que não devem ser ignorados por corredores amadores ou profissionais.

Embora a corrida seja uma atividade democrática e saudável, ela exige que o atleta esteja com a saúde em dia. Exames simples — como eletrocardiograma, teste ergométrico e avaliação clínica — podem identificar problemas cardíacos que, sob esforço intenso, evoluem para quadros críticos.

Seria o ideal solicitar uma espécie de atestado médico no momento da inscrição para uma prova esportiva, mas sabemos o quanto isso está longe da realidade nacional.

É notório, que a própria literatura esportiva e as entidades médicas reforçam que a responsabilidade primária pela condição de saúde é do próprio atleta, que deve se preparar adequadamente e seguir orientações médicas pessoais.

Porém organizadores e promotores, cientes, que em diversos casos essa orientação é utópica, há a necessidade de um plano de segurança reativo, sem esquecer a prevenção, é claro!

Após anos de discussão entre entidades como CBAt, ABRACEO, federações estaduais e a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, o setor estruturou diretrizes nacionais para aumentar a segurança das provas. Entre as principais medidas estão:

✔️ 1. Plano de Segurança e Emergência

A Confederação Brasileira de Atletismo publicou o Plano de Segurança e Emergência em Corridas de Rua, que estabelece diretrizes operacionais e preventivas para garantir a integridade física dos participantes. O documento integra práticas da World Athletics, COI e American Heart Association, e orienta organizadores a prever e mitigar riscos com planejamento detalhado da prova.

✔️ 2. Diretor Médico obrigatório

Provas com certificações Bronze, Prata e Ouro devem contar com um Diretor Médico, responsável por coordenar equipes de saúde, ambulâncias, pontos de atendimento e protocolos de emergência. Para eventos que buscam selo internacional, essa exigência é obrigatória

✔️ 3. Estrutura de atendimento emergencial

Organizadores precisam garantir:

• Ambulâncias distribuídas ao longo do percurso

• Equipes treinadas em suporte avançado de vida

• Comunicação integrada entre staff, segurança e equipes médicas

• Pontos de hidratação adequados e monitoramento climático

Essas medidas visam reduzir o tempo de resposta em casos críticos, aumentando a chance de reversão de quadros graves.

✔️ 4. Campanhas de conscientização

A campanha Corrida Segura, lançada pela ABRACEO, reforça a importância do check-up anual, do respeito aos limites individuais e da identificação precoce de sintomas. A iniciativa busca profissionalizar o setor e educar corredores sobre autocuidado, reduzindo a incidência de eventos graves.

Eventos bem-preparados conseguem reduzir drasticamente o tempo entre o colapso e o atendimento — fator decisivo para salvar vidas. A segurança em corridas de rua depende de três pilares que não podem ser desprezados de forma alguma:

1. Atletas conscientes e bem avaliados

2. Organizadores preparados e estruturados

3. Protocolos modernos e integrados de emergência

Cada vez mais é importante sensibilizar toda a cadeia que a segurança em eventos é compartilhada. Juntos a segurança é mais evidente, cada um fazendo a sua parte, o todo é completo!