As dores das marcas
Parece meio poesia, tipo: “eu vou esquecer de tudo, das dores do mundo. Não quero saber quem fui, mas sim o que sou.”
E o que somos nós, hoje?
Acho que voltamos a ser o público das arenas dos leões, sequiosos pela dor em jogo.
Queria entender como marcas poderosas se deixam seduzir pelas provas de dor e exploração humana para tentar ser líder
E o grande irmão queria estender o tempo da dor em recordes tolos, associados a um carro, cujo nome significa tempo. Mas a dor mata e as marcas podem morrer com elas. Aí, o lance é parar em nome da saúde.
Como caras de marketing de uma grande marca quiseram ser espertos ao invés de expertos e jogaram no lixo os atributos e valores de conforto e espaço de um carro em troca da dor e desconforto pela falta de espaço?
Quem explica isso?
Há explicação?
Enquanto isso, forjam-se heróis da resistência em troca de lideranças torturosas e torturantes.
Enquanto isso, Cazuzei tranquilo, porque meus heróis morreram de overdose.
No entanto, os nossos inimigos, os inimigos do bom Marketing, estão no poder.
Que ideologia essa gente quer pra viver?
Se sempre são elas mesmas, na Síria, no Acre ou no Rio, vivendo intensamente a iniqüidade das festas e traumas sem fim, porque chegar a esse ponto?
Marcas têm que ter valor. Mas ativá-las NO LIMITE humano da dor é desumanizá-las, nos tempos em que precisamos que elas sejam humanizadas.
E a horda urra no desmaio, no sono, na “manquidão”, à espera do sangue que a redima.
E as bombas químicas caem sobre gente e aqui a dor dos irmãos pode ser vitória de quem se redime entre tapas e beijos.
É big, é big, é hora, é hora... de acabar. Acabou, antes que alguém morresse no jogo. Jogo?
E não serei eu o apólogo da dor e da tragédia.
Daí, no meu final, sem artistas famosos, coube só poesia.
Porque eu ouço
“A tua voz,
Dizendo amor
Foi tão bonito
Que o tempo até parou
De duas vidas, uma se fez
E eu me senti
Nascendo outra vez.”
Tô no paredão, pronto!

Comentários