Após temporadas de sucesso em Belém, Manaus e Rio de Janeiro, o festival “Ópera na Tela” chega a São Paulo no dia 23 de novembro, e será exibido durante uma semana na Cinemateca Brasileira. O evento é uma seleção de 28 adaptações recentes de óperas para o cinema e ficará em cartaz até o dia 29 de novembro. A programação tem sempre início a partir das 14h.
A abertura do festival ocorreu pela tarde, na sala BNDES, com a exibição de “Villa Lobos – A Alma do Rio”, documentário de Eric Darmon. Em seguida, foram exibidos “Stravinski e os Balés Russos”, de Valery Gergiev, a “Flauta Mágica”, pioneira adaptação da obra de Mozart realizada por Ingmar Bergman. À noite, foi montada uma sala ao ar livre na área externa da Cinemateca para a exibição de uma adaptação moderna de MacBeth, de Shakspeare, dirigida por Dimitri Tcherniakov.
O curador do evento, Christian Boudier, fez um balanço altamente positivo da primeira edição do Ópera na Tela e revelou que o objetivo é torná-lo um evento anual. “No Rio tivemos grande repercussão, o público compareceu às apresentações e depois retornou para assistir a outras. Em Manaus, o Teatro Amazonas ficou lotado. Com os anos, poderemos transformar o Ópera na Tela em um rendez-vous anual. No Brasil, as pessoas fantasiam muito a ópera e exigem vê-la de uma maneira espetacular. Por esse nível de exigência, trata-se de um projeto ambicioso, pois temos de reconstruir a obra através de meios técnicos importantes. No próximo ano, temos planos de estendê-lo para outras cidades”, disse Bourdier.
De acordo com o diretor de programação da Cinemateca, Marcos Kurtinaidis, as adaptações de óperas para a tela fazem parte de um nicho de mercado cultural emergente. “Existe uma crescente demanda para esse gênero. Outros cinemas da cidade já estão utilizando essa fórmula. Aqui propomos óperas recentes, montagens desse ano ou do máximo do ano passado. Essas peças não chegam ao Brasil e o público local não tem acesso a elas”, afirmou.
Homenagem
O festival faz também uma homenagem ao produtor cinematográfico francês Daniel Toscan du Plantier, considerado o pioneiro no gênero filme-ópera. Com a adaptação de “Don Giovanni”, de Mozart em 1978 (direção de Joseph Losey), que será exibida em 28 de novembro, obteve um dos primeiros sucessos comerciais de uma ópera filmada. “É uma homenagem mais do que justa. Trata-se de um dos responsáveis por popularizar a ópera e a música erudita. Pouquíssimos de seus filmes passaram pelo Brasil. Reuni-los em uma mostra é outro ponto importante em termos de formação de público e divulgação da cultura”, lembra Kurtinaidis . A programação do evento pode ser conferida no seguinte endereço: http://operanatela.com/programacao.php?cidade=4
Plateia
O público presente à tarde de segunda-feira na Cinemateca foi acima das expectativas e saiu satisfeito após a exibição. O fotógrafo Mário Kim, que assistiu à “Flauta Mágica”, afirmou que esta foi sua primeira experiência com o gênero ópera-filme: “Achei muito bonito e bem adaptado. Não é a mesma coisa que estar em uma ópera, mas tendo em vista a linguagem bem articulada e cinematográfica, vale muito a pena”.
O engenheiro aposentado Simão Brunstein, por sua vez, é apaixonado por ópera e cinema, e acha a fórmula genial. “Não temos a oportunidade de ver essas peças no exterior. Assistir pelo cinema é muito gratificante. Atualmente, é a melhor opção que temos para acompanharmos e conhecermos óperas. Tentarei assistir ao maior número possível de filmes”, afirmou. Brunstein levou sua cunhada, Dora, comerciante, a quem está ensinando a gostar de ópera. “Eu costumava escutar muito, mas nunca havia assistido. É a segunda vez que vou ao cinema ver uma ópera, estou adorando. Posso dizer que o cinema está me ajudando a finalmente conhecer um pouco mais”, afirmou.
Ópera na Tela é realizado pelo Centro Cultural Correios, Aliança Francesa e Bonfilm. Conta com o apoio de Correios, Varilux, Essilor, Governo Federal do Brasil, das Secretarias de Cultura dos Estados do Rio de Janeiro, Pará e Amazonas, Tok&Stok, Goethe Institut Rio de Janeiro, Instituto Cervantes, Société Générale, Sofitel, France-Allemagne, Technip, EBC Rádio MEC-FM, Centro Cultural Banco do Brasil, Eurochannel, ON Visionary, Airstar, Spectacle, Arté, Instituto Moreira Salles, Cinemateca Brasileira, Accor, Belair Media, FRA e República Francesa.

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