Um mundo em que as pessoas sejam mais gentis, preocupem-se umas com as outras e no qual as empresas tenham responsabilidade com os espaços urbanos. O marketing urbano é um movimento que defende união entre sociedade, iniciativa privada e poder público para gerar a transformação.
Myrtes se diz feliz por morar no Rio de Janeiro e ter Fortaleza como terra natal. Mas a cidade ideal seria mais coletiva e menos individual. “Um mundo mais gentil. Mais amor. Nada mais clichê. Falta amor, um carinho, um bom dia”. A publicitária conta que sentiu a partir de sua profissão a necessidade de pensar nas próximas gerações.
O apelo ao consumo e as peças publicitárias são vistas em todas as partes desde o que se lê aos ambientes na cidade. “Estamos sendo expostos às marcas sem autorização e sem um retorno direto e de fato”, defende Myrtes. Desse entendimento, surgiu a ideia de que empresas tenham ações concretas junto à sociedade.
Em Fortaleza, a Satrápia estudou a Barra do Ceará e viu que seria possível melhorar a vida da população com pouco investimento. A pesquisa da empresa mostrou que os moradores do bairro desejam vê-lo mais limpo e organizado. O projeto foi apresentado a uma empresa multinacional, mas a ideia ainda não foi comprada. “Como a gente não tem cultura disso, é difícil de negociar”.
A agência também apoia o movimento Fortaleza Sou Eu, que promove ações como mutirão de limpeza na praia e incentiva os fortalezenses a amarem a cidade e cuidarem mais dela, além de incentivar a cultura local.
No Rio de Janeiro, há ações concretas promovidas pela Satrápia. A Natura patrocina um festival de cidadania que acontece uma vez ao ano. As pessoas levam para a cidade as mais diversas intervenções de amor. Desde fazer rampa de acessibilidade para melhorar a vida dos cadeirantes, passando por entregar flores a desconhecidos, desejar bom dia, tocar música, fazer massagem. São mais de 400 pessoas nas ruas. O projeto “Te vejo na Praça” é outra iniciativa que acontece em terras cariocas. O Pão de Açúcar promove um espaço para a terceira idade na praça Sara Kubitschek. A Ambev está nesse projeto.
EXEMPLOS POSITIVOS
Adote uma praça é um dos projetos mais antigos de marketing urbano. É bom para a marca, que vai ocupar o espaço de forma saudável e levando qualidade de vida para os moradores. Para o Governo, que terá uma atribuição a menos. E para a sociedade, que irá usufruir. Myrtes ressaltou que as pessoas não aceitarão mais ver suas cidades invadidas pela publicidade sem retorno nenhum.
A Unimed possui em Fortaleza um trabalho com bicicletas em parceria com a Prefeitura. “Os dois se juntaram para levar um benefício para a sociedade. Todo mundo sai ganhando”.
Ela também cita exemplos negativos. Problemas urbanos que poderiam ser oportunidade para as empresas. É o caso da praia de Guajiru (Trairi). O caminhão que recolhe o lixo descartável só chega uma vez por mês e os resíduos de refrigerante, desodorante são jogados no mar. Na Avenida Beira Mar, em Fortaleza, se a sociedade se reunisse com o poder público e a iniciativa privada, seria possível reordenar o espaço por baixo custo. “São várias oportunidades e possibilidades de tornar o que está feio e escuro em um espaço bonito e colorido”.
PROJETOS DA SATRÁPIA
Satrápia já desenvolveu estudo em Fortaleza, mas ainda não há empresa abraçando a causa. No Rio, uma das ações é o Te vejo na quadra, que revitaliza espaços
Bairro galeria. A ideia é transformar os muros em galerias. Além de fortalecer o espaço e o grafite, a ação também pretende desenvolver o turismo
Festival 100 em 1. Um mutirão levou cem intervenções ao Rio de Janeiro em um único dia. Entre as atividades, teatro, músicas, oficinas sustentáveis e murais de arte.

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