Com um mercado que só em 2026 deve movimentar R$ 205,6 bilhões, com alta de 5% em relação ao ano anterior, o setor de viagens corporativas coloca na agenda do próximo presidente da República desafios que interferem na circulação de profissionais, na expansão dos negócios e na capacidade das empresas de chegar a diferentes regiões do país nos próximos quatro anos. Infraestrutura, conectividade, tributação, custos e ambiente regulatório estão entre os temas que, na avaliação da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), devem fazer parte das discussões para o próximo ciclo de governo.
A projeção faz parte do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev. O setor movimenta uma cadeia que inclui companhias aéreas, hotelaria, agências, transporte terrestre, locação de veículos, eventos, tecnologia e outros serviços.
A discussão integra o projeto Vai Turismo, iniciativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) que reúne entidades da cadeia produtiva para a construção de propostas de políticas públicas para o turismo brasileiro. A Alagev participa do projeto como uma das entidades representativas do setor de viagens corporativas e contribui com as discussões voltadas ao próximo ciclo de governo.
Para a presidente da associação, Joyce Macieri, esses temas estão relacionados não apenas aos deslocamentos profissionais, mas também às condições para a geração de negócios em diferentes regiões do país. “As viagens corporativas conectam empresas, clientes, fornecedores e eventos. Por isso, discutir infraestrutura, conectividade, tributação e custos significa também discutir as condições que as empresas encontram para ampliar negócios e chegar a novos mercados”, afirma.
Diante da perspectiva de crescimento do mercado e das mudanças previstas para os próximos anos, a Alagev enumera cinco pontos que considera centrais para o desenvolvimento das viagens corporativas no país.
1 - Desenvolvimento regional
A ampliação das viagens de negócios para além dos principais centros econômicos depende da estruturação de novos polos capazes de receber empresas, profissionais e eventos. Entre as medidas estão direcionar investimentos em infraestrutura para regiões com potencial de desenvolvimento, facilitar o acesso do setor a linhas de crédito e estimular a ampliação da oferta de hospedagem, transporte e serviços. A integração entre políticas federais, estaduais e municipais também pode contribuir para conectar novos destinos aos centros de negócios e ampliar a circulação dos recursos gerados pelas viagens corporativas.
2 - Mobilidade e conectividade
Reduzir o tempo e as dificuldades de deslocamento exige investimentos em infraestrutura e maior integração entre os diferentes modais. Na aviação, as propostas incluem modernizar aeroportos regionais, ampliar a conectividade entre cidades, criar condições para novas rotas e frequências e aperfeiçoar o ambiente regulatório e de concessões. A agenda inclui ainda a integração entre aeroportos, rodovias e sistemas de transporte urbano, principalmente em destinos nos quais o acesso terrestre ainda limita a realização de viagens de negócios.
3 - Reforma Tributária
A implementação do novo sistema tributário terá reflexos sobre diferentes serviços que compõem uma viagem corporativa. Hotelaria e agências de turismo estão entre os segmentos submetidos a regimes específicos do Imposto de Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), o que exigirá atenção aos impactos sobre custos, créditos tributários e processos de contratação durante a transição. “A Reforma Tributária não deve ser analisada apenas pela alíquota. Será necessário entender como cada serviço será tributado, quais créditos poderão ser aproveitados e como essas mudanças chegarão ao custo efetivo das viagens”, explica Joyce.
4 - Iniciativas para o equilíbrio dos preços
O custo dos deslocamentos é um dos pontos de atenção para as empresas. Na aviação, a ampliação da oferta de voos passa por medidas como modernização e expansão da infraestrutura aeroportuária, fortalecimento da aviação regional, criação de condições para novas rotas, além dos custos do combustível de aviação e as tarifas que compõem a operação do setor. Na hotelaria e no transporte terrestre, linhas de crédito e incentivos a novos investimentos podem contribuir para ampliar a capacidade de atendimento, especialmente em destinos com menor oferta.
5 - Sustentabilidade
A redução dos impactos das viagens também depende de políticas públicas que deem escala às iniciativas adotadas pelas empresas. Entre as propostas estão criar indicadores nacionais para mensurar os impactos ambientais do setor, estabelecer normas e certificações que permitam identificar fornecedores que adotam práticas sustentáveis e ampliar linhas de financiamento e incentivos para investimentos em eficiência energética, gestão de resíduos e redução de emissões.
“Um setor que movimenta mais de R$ 200 bilhões ao ano precisa ter seu peso econômico refletido nas políticas públicas. As viagens corporativas não podem aparecer na agenda do governo apenas quando se discute turismo, porque passam por infraestrutura, aviação, tributação, mobilidade e desenvolvimento regional. O próximo governo terá a oportunidade de incorporar essa visão e criar condições para que esse mercado continue gerando negócios e movimentando diferentes atividades da economia”, conclui a executiva.

Comentários